Engº Luís Rente Diretor Geral Innovair

O fenómeno das poeiras e as implicações na qualidade do ar que respiramos

07/04/2022

Já não é novidade que os fenómenos naturais, em concreto das poeiras, tendem a acontecer cada vez mais regularmente e o Homem é, talvez, o maior influenciador destes acontecimentos – o desmatamento e o aquecimento do planeta são as principais causas para que eventos como este se venham a tornar mais comuns ao longo dos próximos anos.

Os aerossóis de partículas são, por norma, originários de regiões semiáridas em consequência da erosão contínua do solo que é produzida pelos ventos. No entanto, o forte aquecimento das zonas desertas também tem a sua quota parte neste problema uma vez que, e durante o período noturno, produz turbulências térmicas verticais que podem atingir altitudes de cerca de 5km, seguidas por períodos subsequentes de estabilidade noturna. Neste sentido, faz-se a reutilização das grandes quantidades de aerossóis de partículas que são produzidas e até transportadas a longas distâncias por diversos mecanismos diferentes. Aposta-se que, cerca de 40% da massa aerossol emitida na troposfera é atribuída ao pó do deserto sendo, atualmente, considerada a segunda maior fonte de aerossóis naturais, após o sal marinho.

Quanto à qualidade do ar, ou melhor dizendo à falta dela, o impacto que estes fenómenos apresentam depende não só da intensidade como da quantidade de partículas inaláveis presentes na superfície, o que significa que quando o mecanismo de transporte das massas de ar está associado a circulações sem ocorrência de precipitação, a presença destas sobre uma região poderá ser a causa da fraca qualidade do ar que respiramos. Segundo o IPMA, por exemplo, “as poeiras estão normalmente acima da superfície”, porém concentrações mais densas poderão levá-las para níveis mais baixos da atmosfera, provocando “implicações na qualidade do ar e possíveis impactos na saúde”.  Posto isto, e uma vez que o ar interior deriva, essencialmente, do ar do meio ambiente é de esperar que estes eventos influenciem os níveis de partículas presentes no interior dos espaços. Passamos a maior parte do nosso tempo nas nossas casas, locais de trabalho ou zonas comerciais e de lazer, pelo que assegurar uma boa qualidade de ar nestes espaços é fulcral para a saúde e bem-estar de quem usufrui dos mesmos. É por isso necessário efetuar-se uma regular monitorização dos parâmetros que definem a boa qualidade do ar interior, ou seja, da concentração dos poluentes atmosféricos, por forma a definir condições adequadas de ventilação e renovação do ar interior e, assim garantir a existência de meios salubres para os seus ocupantes.

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Carolina Guedes sobre a LisbonPH: “Somos o paradigma da mudança no setor da Saúde”

A LisbonPH, associação sem fins lucrativos fundada por estudantes empreendedores, organiza esta sexta-feira um evento comemorativo do seu décimo aniversário. Através do desenvolvimento de projetos focados no Profissional de Saúde, a associação tem trabalhado para ser o “paradigma da mudança no setor da saúde”. Em entrevista ao nosso jornal, a Presidente Executiva sublinhou alguns dos principais desafios e revelou as metas para a próxima década.

Câmara de Santa Cruz recruta 24 novos bombeiros

A Câmara de Santa Cruz recrutou 24 bombeiros, que passam a integrar os quadros da companhia de sapadores do município, anunciou a autarquia, referindo que a formação dos novos recrutas representa um investimento superior a 150 mil euros.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights