O Plano Nacional de Oncologia, aprovado em dezembro passado, destaca a importância do apoio psico-oncológico como parte essencial do tratamento do doente oncológico. No entanto, a implementação deste apoio nos hospitais públicos ainda enfrenta desafios significativos devido à falta de recursos, limitando o acesso dos doentes a este tipo de acompanhamento crucial.
A Prof. Doutora Luzia Travado, psicóloga clínica especialista e responsável pela consulta de psico-oncologia da Unidade de Mama do Centro Clínico Champalimaud, enfatiza que “o acompanhamento psicológico é essencial para a qualidade dos tratamentos oncológicos e pode, inclusive, contribuir para a redução dos custos em saúde”. Esta afirmação sublinha a importância do apoio psico-oncológico não apenas para o bem-estar do doente, mas também para a eficácia e eficiência do sistema de saúde em geral.
A especialista abordou este tema no segundo episódio das Pfizer Talks, uma série de conversas informais sobre temas relevantes na área da saúde. Durante a sua intervenção, a Prof. Doutora Luzia Travado salientou que não existe um momento ideal para comunicar um diagnóstico de cancro, sendo que cada pessoa deve fazê-lo no seu próprio tempo. No entanto, ela alerta para o custo emocional de enfrentar esta jornada sozinho, reforçando a importância de construir um núcleo de apoio próximo, que inclua familiares ou amigos de confiança.
“Não tenham medo de ser autênticos”, aconselha a especialista, enfatizando a importância de um suporte emocional sólido para ajudar o doente a gerir melhor o processo e focar-se na solução. Este conselho ressalta a necessidade de uma abordagem holística no tratamento do cancro, que vá além dos aspectos puramente médicos e inclua o bem-estar emocional e psicológico do doente.
O reconhecimento da importância do apoio psico-oncológico não é exclusivo de Portugal. As políticas de saúde europeias também têm vindo a destacar este aspecto como um pilar fundamental no tratamento oncológico. Esta convergência de perspectivas a nível nacional e europeu sublinha a crescente consciencialização sobre a necessidade de uma abordagem integrada no tratamento do cancro.
Apesar destes avanços significativos na política de saúde, a realidade no terreno ainda apresenta desafios consideráveis. A implementação efetiva do apoio psico-oncológico nos hospitais públicos portugueses continua a enfrentar obstáculos, principalmente devido à falta de recursos adequados. Esta situação cria uma disparidade entre o reconhecimento da importância deste tipo de apoio e a sua disponibilidade real para os doentes oncológicos no sistema público de saúde.
A discussão sobre o apoio psico-oncológico faz parte de uma série mais ampla de conversas promovidas pelas Pfizer Talks. Esta 8ª temporada do projeto de literacia em saúde foca-se no cancro e conta com a participação de especialistas e testemunhos reais para abordar temas essenciais como sexualidade, impacto emocional, autoestima e reintegração profissional no contexto oncológico. Os episódios estão disponíveis no YouTube e nas redes sociais da Pfizer Portugal, contribuindo para a disseminação de informação crucial sobre estes temas.
PR/HN/MM
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