Um estudo pioneiro conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e pelo Instituto Superior Técnico, em colaboração com a Egas Moniz School of Health and Science, estabeleceu os níveis base de lítio na região da Mina do Barroso, em Boticas, antes do início da exploração mineira. Esta investigação, intitulada “Níveis de base de lítio para avaliar a exposição futura e os riscos da atividade mineira de lítio”, é crucial para avaliar o impacto futuro da exploração de lítio na área.
A pesquisa focou-se nas aldeias mais próximas da Mina do Barroso, analisando amostras de couve, batata, água potável e de rega, e solo. Os resultados obtidos demonstraram que os níveis atuais de exposição da população ao lítio estão dentro dos limites considerados seguros, sem impacto expectável na saúde humana.
Os investigadores descobriram que as concentrações de lítio variavam entre 20 e 589 μg/kg nas couves, 2,3-21 μg/kg nas batatas, 1,1-5,9 μg/L na água potável, 1,1-15 μg/L na água de irrigação e 35-121 mg/kg nos solos. Notavelmente, foi encontrada uma correlação negativa significativa entre a concentração de lítio nas couves e o pH do solo, indicando que concentrações mais elevadas de lítio nos alimentos cultivados estão relacionadas com solos mais ácidos.
A avaliação de risco realizada na investigação concluiu que nenhum dos 28 participantes ultrapassou a dose de referência provisória estabelecida pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) de 2 microgramas por quilograma de peso corporal por dia. O quociente de risco (HQ) permaneceu inferior a 1, indicando que atualmente não há preocupações significativas para a saúde da população local.
Apesar destes resultados tranquilizadores, os investigadores alertam que a futura expansão da Mina do Barroso pode alterar este cenário. Portanto, enfatizam a importância de uma monitorização contínua dos níveis de lítio na água, no solo e nos alimentos da região.
Este estudo estabelece uma linha de base crucial para avaliar o impacto da mineração a longo prazo e desenvolver estratégias eficazes de mitigação. Além disso, reforça a necessidade de políticas de mineração sustentáveis que minimizem potenciais impactos negativos no ambiente e na saúde das populações locais.
PR/HN/MM
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