Novos apoios atenuam intenções de insolvência na restauração, mas são insuficientes

Novos apoios atenuam intenções de insolvência na restauração, mas são insuficientes

Efetuado entre os dias 02 e 09 com base em 549 respostas válidas de estabelecimentos de restauração, o inquérito demonstra que, face aos dados obtidos no anterior questionário realizado entre 28 de janeiro e 06 de fevereiro, “os apoios apresentados no dia 12 de março conseguiram reduzir o número de empresas que estavam a ponderar avançar para insolvência, passando de 60% para os 37%”, refere hoje a associação nacional de restaurantes.

O inquérito evidencia ainda que dois em cada três inquiridos não conseguiram pagar metade das despesas e que 27,1% das empresas estão de fora do programa Apoiar (13,7% por terem aberto recentemente e os restantes 13,4% por terem tido quebras inferiores a 25% em 2020).

Os resultados deste estudo foram entregues pela PRO.VAR ao Governo, assim como um documento com ‘Medidas de salvação do setor da restauração’, onde se denunciam “apoios e regras injustos e incongruentes” e se considera que os atuais horários “colocam setor da restauração à beira da ‘escravização’”.

Segundo destaca a PRO.VAR, o estudo identificou “uma situação de extrema gravidade”: Dois em cada três (66,4%) estabelecimentos localizados em centros comerciais ponderam apresentar pedidos de insolvência, afirmando estar “sujeitos a restrições ainda mais graves que os restantes, pois para além das restrições de horários e despesas serem elevadas, estão há meses impedidos de trabalhar, pois nem sequer podem fazê-lo em ‘take away’”.

No documento enviado ao executivo, a associação denuncia também “falhas graves nos apoios” e sustenta que “os critérios de atribuição são desequilibrados”, deixando “de fora muitos estabelecimentos” e efetuando, entre os que são abrangidos, “uma distorção grande entre os apoios e o peso das despesas”, numa situação que “é tanto mais grave quanto mais pequena é a empresa”.

Os empresários da restauração manifestam ainda a sua “indignação” em relação aos horários de fim de semana (encerramento às 13:00), considerando que esta opção deixa “à beira da ‘escravização’” muitos estabelecimentos atualmente “em grande fragilidade financeira”.

Em alternativa, propõem a abertura em dois turnos (das 12:00 às 15:30 e das 19:00 às 22:30), sendo que, nos ‘food courts’ dos centros comerciais, o horário seria das 12:00 às 22:30 horas.

A PRO.VAR considera também “prioritário que a realização de eventos corporativos e casamentos tenha datas de desconfinamento específicas bem definidas, devido ao facto de ser uma atividade que trabalha com marcações” e de forma a “evitar que o setor perca mais um ano de atividade”.

Salientando ser “urgente a implementação de medidas de incentivo à capitalização de micro, pequenas e médias empresas”, a associação aponta como “fundamental o incentivo à injeção de capitais próprios, nomeadamente através de um crédito adicional de imposto sobre valores investidos pelos empresários nas empresas ou na isenção de dividendos ou de mais valias a retirar no futuro até um valor idêntico ao montante injetado na empresa durante os 12 meses seguintes ao fim da pandemia”.

A descida do IVA, nomeadamente da taxa sobre as comidas, de 13% para 6% nos próximos anos, é destacada como “o apoio que melhor poderá garantir a retoma do setor sem discriminar nenhuma empresa, mantendo as regras de sã concorrência e uma política fiscal justa e não discriminatória”.

Para a PRO.VAR, “é urgente assumir uma de duas posições: ou o Governo português assume que efetivamente os restaurantes devem estar encerrados e assume uma postura de apoio de 70% das perdas, como aconteceu na Alemanha ou em França”, ou opta-se por “um modelo em que se assume o risco e, definitivamente, deixa de interferir de forma castradora no funcionamento dos estabelecimentos, tal como acontece em Espanha”.

LUSA/HN

França classifica compra de vacina russa por Berlim como “golpe de comunicação”

França classifica compra de vacina russa por Berlim como “golpe de comunicação”

“Há uma campanha eleitoral que começa na Alemanha (tendo em vista as eleições legislativas de setembro). Isso também explica que haja muita agitação. Acredito que seja um golpe de comunicação, o que lamento”, declarou Clément Beaune num programa “Le Grand Jury” dos meios RTL/Le Figaro/LCI.

“Mandar sinais [..] que dão a impressão de que há doses no frigorífico e que não são usadas, tudo isso não é responsável e não é muito sério”, acrescentou.

Na quinta-feira, investigadores russos anunciaram que a Rússia começou “discussões” com representantes do Governo alemão para a venda da vacina Sputnik V contra a doença covid-19.

Numa mensagem na rede social Twitter, os investigadores e autores da vacina adiantaram que o Fundo Soberano da Rússia (RDIF), que financiou o desenvolvimento do fármaco, deu início às negociações com Berlim para “um contrato de aquisição antecipado” da Sputnik V.

A agência noticiosa France-Presse (AFP) observa que as negociações de Berlim com Moscovo estão a decorrer sem esperar “luz verde” da União Europeia (UE) e apesar das reservas que a vacina russa continua a suscitar na Europa.

Horas antes das declarações dos investigadores russos, o ministro alemão da Saúde, Jens Spahn, anunciou a intenção de dialogar com as autoridades russas sobre o assunto.

Spahn justificou a decisão de a Alemanha avançar sozinha devido à recusa da Comissão Europeia em negociar em nome dos 27 a compra da Sputnik V, ao contrário do que fez com outras vacinas contra a doença covid-19.

“Expliquei, em nome da Alemanha, ao Conselho de Ministros da Saúde da UE que discutiríamos bilateralmente com a Rússia, antes de mais nada, para saber quando e que quantidades poderiam ser entregues”, indicou Spahn à rádio pública regional WDR.

Recentemente, também o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, criticou a Rússia por fazer da vacina uma “ferramenta de propaganda” no mundo.

Por seu lado, o comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, conhecido como o “Senhor Vacina”, foi muito reservado sobre a utilidade para a UE, do ponto de vista industrial, recorrer a vacinas chinesas ou russas, que não seriam produzidas e entregues com a rapidez necessária.

“Será que eles nos vão ajudar a atingir a nossa meta de imunização da [população] até ao verão de 2021? Receio que a resposta seja não”, afirmou Breton.

Segundo as autoridades alemãs, qualquer entrega da Sputnik V, porém, continua sujeita à “luz verde” da Agência Europeia de Medicamentos.

LUSA/HN

Índia quer imunizar o maior número de pessoas em quatro dias face ao aumento de casos

Índia quer imunizar o maior número de pessoas em quatro dias face ao aumento de casos

O plano anunciado pelo governo do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, pretende acelerar os esforços para imunizar os maiores de 45 anos e os profissionais de saúde e de primeira linha.

A urgência de aumentar a velocidade da vacinação surge quando se regista uma segunda vaga de infeções, muito mais rápida, que ultrapassou o pico da pandemia que este país com mais de 1,3 mil milhões de habitantes atravessou em setembro de 2020, quando atingiu 100 mil casos num dia.

De acordo com dados do Ministério da Saúde indiano, o país contabilizou hoje 152.879 novas infeções e totaliza de 13,35 milhões de casos, o maior acumulado atrás dos Estados Unidos e do Brasil.

No último dia, o país registou 839 mortes de pessoas infetadas com o novo coronavírus, subindo o número total de mortes para 169.275 em pouco mais de um ano.

O programa de vacinação “Tika Utsav” será executado até 14 de abril em todo o país e abrangerá apenas as pessoas dentro dos grupos elegíveis.

Em comunicado, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, classificou o programa como “o início da segunda grande guerra contra o coronavírus” e frisou que os objetivos passam por abranger o maior número de pessoas e avançar para “zero desperdício de vacinas”.

No sábado, a Índia atingiu a marca de mais de 100 milhões de doses administradas em 85 dias de vacinação, após várias iniciativas para aumentar os números no menor tempo possível.

Segundo as autoridades, este é o primeiro país a atingir mais rapidamente a marca de 100 milhões de vacinas, superando os Estados Unidos e a China, que forneceram 100 milhões em 89 dias e 103 dias, respetivamente.

No entanto, as autoridades estão contra o prazo definido para atingir a meta de atender 300 milhões de pessoas até ao mês de julho, dado que isso implicaria imunizar, no mesmo período de tempo, o dobro das pessoas vacinadas até agora.

Estes planos surgem numa altura em que há relatos de várias regiões do país sobre a falta de vacinas, o que tem levado ao encerramento de alguns centros, apesar de a Índia ser um dos poucos que é autossuficiente em vacinas.

A Índia está usar duas vacinas que produz no seu território: a Covishield, da AstraZeneca e da Universidade de Oxford, e Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech.

A Serum Institute of India (SII), maior fabricante de vacinas do mundo, está a produzir entre 60 e 65 milhões de doses de Covishield por mês e até agora já entregou 100 milhões de doses ao Governo indiano e exportou outros 60 milhões, segundo explicou o diretor executivo da SII, Adar Poonawalla.

A Bharat Biotech, que se comprometeu com uma entrega inicial de seis milhões de doses em janeiro, não especificou, até agora, o número de vacinas que já entregou.

Apesar de o Ministério da Saúde da Índia ter negado categoricamente a falta de vacinas, os estados de Maharashtra, Punjab e Rajasthan relataram um número limitado de doses e o encerramento de vários centros.

“Punjab tem apenas capacidade para mais cinco dias nos níveis atuais de vacinação, entre 85.000 e 90.000 pessoas por dia”, disse o líder do estado de Punjabi, Amarinder Singh, em declarações aos órgãos de comunicação locais.

Segundo acrescentou, há a esperança de que cheguem mais vacinas em breve.

Em várias regiões do país voltaram a ser impostas medidas como o recolher obrigatório, a suspensão de eventos públicos, a suspensão de reuniões e atividades escolares para tentar conter o novo coronavírus.

LUSA/HN

Brasil com mais 71.832 novos casos e 2.616 mortos

Brasil com mais 71.832 novos casos e 2.616 mortos

De acordo com o último balanço do Ministério da Saúde, o país ultrapassou hoje os 13,4 milhões de pessoas infetadas, desde o início da pandemia.

O número de mortes registadas hoje é, ainda assim, muito inferior ao de sexta-feira (3.695) e quase metade do recorde diário de mortes no país (4.249), registado na quinta-feira, o que as autoridades justificam com a redução de pessoal de registo durante os fins de semana.

O país, com mais de 210 milhões de habitantes, está a atravessar a pior fase da pandemia e continua a ser a segunda nação do mundo com o maior número de mortes e infeções causadas pelo novo coronavírus.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou, num boletim divulgado na sexta-feira, e citado hoje pelo G1, portal de notícias da rede Globo, para um cenário crítico e para o agravamento na saturação do sistema de saúde dos estados do Sul e Centro-Oeste do país nas próximas semanas.

Isto porque, as próximas semanas deverão refletir a situação naquelas regiões entre o final de março e início de abril, quando o Distrito Federal, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso registaram as maiores taxas tanto de novos casos como de mortalidade por covid-19 de todo o Brasil.

Goiás e Mato Grosso do Sul também apresentaram, no mesmo período, um elevado número de óbitos.

“Esse padrão coloca as regiões Sul e Centro-Oeste como críticas para as próximas semanas, o que pode ser agravado pela saturação do sistema de saúde nesses estados”, refere a Fiocruz.

O documento destaca ainda a situação do Rio Grande do Sul, que, pela primeira vez desde o início da pandemia, entrou para a lista dos estados com as maiores taxas de mortalidade, que agora é de 4,1%, a segunda maior do país, atrás apenas da do Rio de Janeiro (6,2%).

Quanto às taxas de ocupação do sistema de saúde, até ao dia 5 de abril, 19 estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação dos hospitais superiores a 90%. No que respeita a camas de cuidados intensivos, 21 estados estão com taxas de ocupação superiores a 90%.

Naquele que é o momento mais grave da pandemia no país, o executivo de São Paulo, foco da covid-19 no Brasil, relaxou ligeiramente as medidas de isolamento social, tendo anunciado na sexta-feira que a região sairá da fase de emergência e passará para a “fase vermelha” do seu plano.

A mudança foi decretada após o Estado registar uma ligeira queda na taxa de internamento nas Unidades de Cuidados Intensivos, que continua em patamares elevados, acima de 88%.

Apesar dos números, o governador, João Doria, considerou ser possível flexibilizar e permitir o funcionamento de alguns setores considerados essenciais.

Assim, passará a ser permitido, por exemplo, o regresso das atividades presenciais nas escolas das redes públicas e privadas, será mantido o toque de recolher das 20:00 às 05:00 e será permitida a realização de eventos desportivos profissionais, sem público, após as 20:00, como os jogos do Campeonato Paulista de futebol.

Também o Rio de Janeiro, segunda maior cidade do Brasil e uma das mais atingidas pela pandemia de covid-19, autorizou a reabertura de bares, restaurantes e lojas na sexta-feira, 10 dias depois de fechar estes estabelecimentos para conter a propagação da doença.

No entanto, em locais onde se registam aglomerações, tais como praias e parques, o acesso é restrito, regras que não foram respeitadas por vários cariocas hoje, que optaram por apanhar sol na areia de Ipanema e Copacabana, segundo relata a agência de notícias espanhola EFE.

O presidente da câmara da cidade, Eduardo Paes, voltou a apelar para que sejam respeitadas as regras, usadas máscaras e mantidas as distâncias mínimas para evitar a propagação do vírus. Mas, alertou que se o número de mortes e contágios voltar a aumentar as restrições serão retomadas.

Segundo o Ministério da Saúde, mais de 45 milhões de vacinas já foram distribuídas em todo o país e mais de 25 milhões de pessoas receberam doses de uma das vacinas contra a covid-19.

Deste total, cerca de 19,8 milhões de pessoas – 9,4% da população do país – receberam a primeira dose e outros 5,5 milhões – 2,6% da população – já receberam a segunda dose.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.917.316 mortos no mundo, resultantes de mais de 134,6 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

LUSA/HN

Incidência acumulada numa semana na Alemanha subiu para 120,6 casos por 100.000 habitantes

Incidência acumulada numa semana na Alemanha subiu para 120,6 casos por 100.000 habitantes

O número de mortos num dia subiu para 246, face aos 120 de há uma semana, de acordo com dados do Instituto de virologia Robert Koch (RKI) atualizados hoje de manhã.

O pico de incidência ocorreu em 22 de dezembro de 2020, com 197,6 novas infeções por 100.000 habitantes numa semana, e em 28 de janeiro caiu para menos de 100 pela primeira vez em três meses – em meados de fevereiro tinha diminuído para menos de 60.

O número máximo de infeções foi registado em 18 de dezembro de 2020, com 33.777 novas infeções num dia, e o número de óbitos em 14 de janeiro, com 1.244.

O fator de reprodução semanal é de 0,90, o que significa que cada 100 infetados infetam, em média, outras 90 pessoas.

O RKI alerta que esses números devem ser interpretados com cautela, já que durante o feriado da Páscoa, que na maioria dos estados federais termina neste domingo, são feitos menos exames.

O presidente da RKI, Lothar Wieler, destacou na sexta-feira, porém, que há outros fatores, como a ocupação das Unidades de Cuidados Intensivos, que mostram a evolução da pandemia e, nesse sentido, falou de uma situação “muito, muito séria”.

Assim, 4.515 pacientes com covid-19 tinham sido internados em UCI na sexta-feira, o que representa mais 41 num dia, dos quais 2.550 Р56% e mais vinte em rela̤̣o a quinta-feira Рnecessitam de respira̤̣o assistida, segundo dados da Associa̤̣o Aleṃ Interdisciplinar para Terapia Intensiva e Medicina de Emerg̻ncia (DIVI).

Num dia, as UCI receberam 485 novos pacientes com covid-19 e 116 dos internados morreram.

Atualmente, as UCI têm 20.890 camas ocupadas.

O número de positivos desde o início da pandemia totaliza 2.980.413 – dos quais cerca de 2.661.500 são registados como pacientes recuperados – e o número de mortes com o novo coronavírus atinge os 78.249.

Numa semana, as autoridades de saúde relataram 100.312 novas infeções e o RKI estima que os casos ativos totalizem perto de 240.600.

Até hoje, na Alemanha, 4.831.522 pessoas tinham já recebido as duas doses da vacina – 5,8% da população – e 112.204.176 (14,7%) pelo menos uma.

NR/HN/LUSA