Estudantes de Coimbra criticam presidente do Conselho de Reitores sobre propinas

16 de Abril 2020

A Associação Académica de Coimbra (AAC) critica a posição do presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), que defende que não há necessidade de ajustar o valor das propinas na atual situação de pandemia.

Em nota de imprensa enviada à agência Lusa, Daniel Azenha, presidente da AAC, lembra que a Academia de Coimbra, nas passadas semanas, “expôs a necessidade de suspensão imediata das propinas devido à quebra de rendimentos dos agregados familiares” e que a manutenção dos valores pagos pelos alunos universitários “colocaria em causa a permanência dos estudantes no ensino superior e a capacidade das famílias para ultrapassar o aperto financeiro que a pandemia de Covid-19 criou”.

Em declarações à radio Observador, na quarta-feira, o presidente do CRUP, António Fontaínhas Fernandes, defendeu que a propina do ensino superior “não deve ser reduzida face à crise gerada pelo novo coronavírus”, argumentando que “esse não é o principal fator de exclusão”.

Na entrevista, Fontaínhas Fernandes mostra-se preocupado com os alunos que não têm acesso a meios digitais e avança que as instituições de ensino superior “estão a criar apoios para os estudantes com maiores dificuldades financeiras”.

No comunicado, a Associação Académica de Coimbra assume uma “profunda discórdia perante a posição manifestada” pelo presidente do Conselho de Reitores e, citando um estudo “realizado pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa, lembram que mais de um terço dos trabalhadores viram diminuir os seus rendimentos provenientes do trabalho, sendo os mais afetados os trabalhadores que já ganhavam menos em condições normais”.

“Conclui-se que a perda de rendimentos existiu e vai ainda ser maior entre os indivíduos com menores rendimentos, adensando a diferença entre ricos e pobres, com claras implicações no acesso e permanência no ensino superior”, sustenta.

Daniel Azenha classifica as declarações de Fontaínhas Fernandes como “lamentáveis e desfasadas da realidade social e económica dos estudantes do ensino superior português, sem qualquer sensibilidade para com as famílias que hoje vivem uma crise sem precedentes”.

“Estamos num momento extraordinário e, caso não tenhamos atenção à situação económica real das famílias, podemos contar com um aumento da taxa de abandono do ensino superior no futuro”, frisa o líder estudantil.

O presidente da AAC advoga que a escolha “é entre manter a estabilidade das famílias e dos estudantes ou assistir ao crescimento repentino de abandono do ensino superior à semelhança da crise do início da década” em 2010.

“Para a Associação Académica de Coimbra, a escolha pelo primeiro cenário é bem clara, esperemos que para o Conselho de Reitores também o seja”, sustenta Daniel Azenha.

LUSA

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