OM defende “concertação de esforços” para garantir a retoma da normalidade

30 de Abril 2020

Porto, 30 abr 2020 (Lusa) - O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) defendeu uma "concertação de esforços" para garantir a retoma da normalidade no Serviço Nacional de Saúde (SNS), compreendendo a intenção hoje revelada pela tutela de recorrer mais aos privados para recuperar atrasos.

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) defendeu uma “concertação de esforços” para garantir a retoma da normalidade no Serviço Nacional de Saúde (SNS), compreendendo a intenção hoje revelada pela tutela de recorrer mais aos privados para recuperar atrasos.

“Temos de fazer um grande esforço para recuperar os doentes que não foram observados e isso é possível, mas não é fácil. Implica um plano muito rigoroso porque não podemos retornar à realidade muito de repente. Imaginemos que amanhã eram abertas todas as consultas de uma vez, isto era um grande centro comercial com milhares de pessoas a circular”, disse Miguel Guimarães.

O bastonário, que falava aos jornalistas no final de uma visita ao Hospital de São João, na qual esteve ao lado da bastonária da Ordem dos Farmacêuticos e do presidente do conselho de administração desse hospital do Porto, apelou a uma “concertação de esforços” e disse “compreender” as declarações de hoje da ministra da Saúde.

“Provavelmente vai ser necessário o apoio do setor social e do setor privado durante dois a três meses. Estou convencido que se estivermos todos juntos e se trabalharmos em equipa vamos conseguir rapidamente recuperar”, disse Miguel Guimarães.

A ministra da Saúde apontou que vai recorrer mais aos privados para recuperar o atraso na atividade do Serviço Nacional de Saúde suspensa por causa da covid-19 e que a retoma no serviço público deve começar pela cirurgia de ambulatório.

“Não creio que o SNS seja capaz sozinho [de recuperar a atividade suspensa]”, afirmou Marta Temido, numa entrevista do podcast do PS “Política com Palavra”, hoje divulgada.

Questionada sobre se será preciso recorrer mais aos privados para recuperar [a atividade], Marta Temido disse: “Essa intenção existe, é clara e vamos acioná-la”.

“Era ilusório pensar que o SNS passaria por isto sem ter consequências na outra atividade. O que parece mais evidente é começar a atividade programada na área da cirurgia de ambulatório, pois são situações menos complexas”, afirmou.

Miguel Guimarães sublinhou hoje que “Portugal teve uma resposta exemplar na resposta à covid-19”, mas admitiu que “a diminuição de consultas e de cirurgias é real”, aconselhando as pessoas a “não ficarem demasiado preocupadas com essa situação”.

“Já não comparo [Portugal] com Espanha porque Espanha foi de facto um país que teve um mau desempenho nesta matéria porque começou a fazer a contenção tarde demais, mas Portugal concentrou muitos dos seus recursos no combate à covid e conseguiu de facto através de várias ações que o Governo e a sociedade civil foram implementando conter a infeção. A infeção está aparentemente controlada”, considerou o bastonário da OM.

Miguel Guimarães analisou, no entanto, que houve necessidade de “concentrar muitos recursos no combate à covid-19”, o que resultou em menos consultas e menos cirurgias, mas recordou que “em muitos casos foi o próprio doente que decidiu não ir ao hospital”, tendo contado um caso pessoal.

“Eu próprio senti isso como urologista neste hospital. A determinada altura selecionei um conjunto de doentes que seriam mais prioritários e chamei-os para os observar. Chamei 16 e apareceram três”, contou.

Miguel Guimarães mostrou “confiança” de que “mesmo que haja uma segunda onda” pandémica, algo que frisou ser “muito provável”, o SNS e o país “continuarão a ter capacidade de resposta”.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 227 mil mortos e infetou quase 3,2 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Cerca de 908 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 989 pessoas das 25.045 confirmadas como infetadas, e há 1.519 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

Lusa/HN

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