Leandro Frederico Fonseca Antunes Luís Administrador Hospitalar; Doutorando em Saúde Pública na área de Política, Gestão e Administração em Saúde

Crónica de um país reinventado – O Empreendedorismo no COVID-19

05/04/2020

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Crónica de um país reinventado – O Empreendedorismo no COVID-19

04/05/2020 | Covid 19, Opinião

Num momento em que todos parecem saber analisar estudos epidemiológicos e surgem diariamente profissionais de diversas áreas a analisar a atuação das autoridades de saúde, nomeadamente sobre o que estas deveriam ter feito ou sobre aquilo que fizeram bem, vou destoar um pouco destes temas e abordar o que fez muito bem a sociedade civil e empresarial nesta crise.

Numa perspetiva de gestor, que lida com as dificuldades diárias decorrentes da forte procura e da diminuta oferta de equipamentos de proteção individual, bens absolutamente necessários para proteger profissionais e doentes nos cuidados de saúde, tenho verificado uma fantástica adaptação da sociedade civil e das empresas portuguesas no sentido de garantir esta resposta.

Com a cativação de bens nos diversos países onde se encontram as empresas que fabricam os materiais que fornecem os hospitais portugueses a limitar a receção dos materiais contratados, a capacidade dos portugueses para se reinventar para responder às necessidades da comunidade da saúde tem sido notável e notória, com as evidências diárias a surgir nos meios de comunicação social.

As dificuldades que surgiram numa fase inicial do surto de COVID-19 em Portugal com materiais como viseiras, cogulas e botas de proteção a escassear nos hospitais, o que levou a um congregar de apoios da sociedade civil, que numa fase difícil se organizou para ajudar as organizações de saúde de forma voluntariosa e benemérita.

Foram professores e investigadores, assim como estudantes empreendedores que se concentraram em criar viseiras através de impressão 3D ou corte de moldes a laser, foram também empresários que obtiveram material e em conjunto com costureiras profissionais e amadoras se uniram para produzir as cogulas e botas de proteção.

A indústria portuguesa foi aprendendo e iniciou um processo de adaptação da sua capacidade produtiva para responder às necessidades das organizações de saúde. Temos exemplos evidentes com a produção de óculos de proteção, de gel desinfetante na indústria dos brinquedos e na indústria farmacêutica, mas também na indústria têxtil, que rapidamente se reinventou e adaptou os processos produtivos para fabricar fatos de proteção ou batas para que os profissionais de saúde trabalhem em segurança.

Mas mais casos existem, pois a necessidade criou a sinergia entre áreas de atividade sem qualquer relação anterior, fomentadas também pela intervenção dos gestores da saúde, no sentido de garantir uma melhor resposta às equipas de saúde, como é o exemplo da produção de batas esterilizadas, que garantam que os profissionais podem tratar adequadamente os doentes cirúrgicos com todas as condições de proteção para poderem ser tratados convenientemente.

Estamos num mundo diferente, com uma estrutura organizacional diferente e enquanto parávamos o país para nos proteger a todos, muita da nossa indústria adaptou-se, não parou e até intensificou a sua produção porque criou condições para ser um dos nossos maiores ativos para proteger aqueles que estão a cuidar das nossas pessoas.

A demonstração da capacidade de reinvenção, de inovação e criação de sinergias e parcerias leva-me a crer que teremos competência para ultrapassar as dificuldades geradas na economia por esta pandemia. Creio que poderemos olhar para o futuro com a certeza de que o nosso tecido empresarial irá aprender e tornar-se melhor, mais robusto e capaz para reativar a nossa economia e contribuir para melhorar os nossos indicadores económicos.

Aos nossos empreendedores devemos agradecer. Fazemos todos parte deste momento e tudo o que fazemos e fizermos terá um impacto tremendo na vida das nossas pessoas.

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