Inibidor de BTK que atinge o sistema nervoso central alcança o endpoint primário de estudo de fase 2 na esclerose múltipla com surtos

14 de Maio 2020

O inibidor de BTK da Sanofi é a primeira terapêutica modificadora da doença com foco nos danos causados pela Esclerose Múltipla (EM) no cérebro. A Sanofi vai iniciar quatro estudos de fase 3 nas formas com surtos e progressivas de EM

O estudo de fase 2b da Sanofi para avaliar o inibidor experimental do BTK (enzima tirosina cinase de Bruton) (SAR442168), uma pequena e seletiva molécula oral, que atravessa a barreira hemato-encefálica, atingiu o seu endpoint principal. No estudo, esta molécula reduziu significativamente a atividade associada à Esclerose Múltipla (EM), como comprovado através dos resultados da ressonância magnética (RM). O SAR442168 foi bem tolerado e não apresentou novos dados de segurança, informa a Sanofi em comunicado enviado às redações.

Na mesma nota, lê-se que “se pensa que o inibidor do BTK modula quer células da imunidade adquirida (como os linfócitos B), quer células da imunidade inata (como a micróglia do sistema nervoso central (SNC) relacionadas com a neuroinflamação presente no cérebro e na medula espinal em doentes com EM.

“A maioria das pessoas que vivem com Esclerose Múltipla desenvolve incapacidade durante a doença. Acreditamos que o nosso inibidor do BTK tem o potencial de transformar a forma como a EM é tratada. Esta molécula pode ser a primeira terapêutica direcionada às células B que não só inibe o sistema imunitário na periferia, como também atravessa a barreira hematoencefálica para suprimir as células do sistema imunitário que migraram para o cérebro e espinal medula, enquanto modula a micróglia residente, implicadas na progressão da EM ”, disse John Reed, MD, Ph.D., chefe global de investigação e desenvolvimento da Sanofi, citado no comunicado. “Com base no legado de Esclerose Múltipla da Sanofi, ficámos encorajados com estes resultados clínicos e esperamos avançar rapidamente com esta terapêutica para ensaios clínicos pivotal”, acrescenta

Quatro estudos de fase 3 vão avaliar os efeitos do SAR442168 nas taxas de surtos da EM, na progressão da incapacidade e nos danos subjacentes ao sistema nervoso central. Estes estudos sobre as formas com surtos e progressivas, estão planeados e irão iniciar-se durante este ano são decorrerão durante 2020.

“É com enorme satisfação que podemos informar que Portugal acaba de ser confirmado para participar no Programa de Desenvolvimento Clínico do BTKi em Esclerose Múltipla, com 3 Ensaios Clínicos de Fase III. Prevemos que estes estudos possam estar em 23 centros e envolver potencialmente 66 doentes, proporcionando aos investigadores e aos doentes portugueses o acesso à inovação”. afirma Cátia Marques, Country CSU Head Clinical Study Unit – Portugal / Iberic Cluster, também citada na nota à imprensa.

Nos EUA e na Europa, existem aproximadamente 1,2 milhões de pessoas diagnosticadas com EM, uma doença crónica imprevisível que ataca o sistema nervoso central. Apesar dos tratamentos atuais, muitos doentes continuam a apresentar agravamento da incapacidade e um em cada quatro sofre de uma forma progressiva da doença, com tratamentos limitados ou inexistentes. O mercado global de tratamentos para a EM excede os 20 mil milhões de euros anualmente.

Resultados detalhados do estudo de fase 2, incluindo endpoints avançados de imagem, serão apresentados num congresso da especialidade.

Sobre o estudo de fase 2b
Estudo aleatório, duplamente cego, controlado por placebo, cruzado, com duração de 12 semanas, que avaliou o SAR442168 em doentes com EM com surtos. Num dos grupos, os doentes (n = 60) receberam uma das quatro doses de SAR442168 nas primeiras 12 semanas e depois passaram para placebo durante quatro semanas. O outro grupo (n = 60) recebeu 4 semanas de placebo antes de passar para o SAR442168, fornecendo dados que podem ser utilizados para estimar uma curva dose-resposta e minimizar a exposição ao placebo.
No estudo, o SAR442168 demonstrou uma relação dose-resposta na redução de novas lesões cerebrais captantes de gadolínio (Gd) em T1 após 12 semanas de tratamento. Os resultados de segurança foram consistentes com a primeira fase do estudo relatada anteriormente.
Uma curva dose-resposta para o SAR442168 em termos de redução da atividade da lesão cerebral por ressonância magnética será usada para seleção da dose da fase 3. Os doentes que completarem a visita da semana 16 serão elegíveis para se inscrever num estudo de monitorização de segurança a longo prazo para avaliar a segurança e a tolerabilidade do SAR442168.

Sobre o SAR442168
O SAR442168 é uma pequena molécula em investigação de administração oral que atravessa a barreira hemato-encefálica tendo uma ação seletiva. Nos estudos de Fase 1, o SAR442168 demonstrou ligação ao BTK e estava presente no líquido cefalorraquidiano. A eficácia e segurança do SA442168 ainda não foram revistas por nenhuma autoridade reguladora.

A Sanofi obteve direitos globais para desenvolver e comercializar o SAR442168 sob um contrato de licença com a Principia Biopharma, Inc.

 

CI/HN

1 Comment

  1. Idália Maria Oliveira Bernardes Correia

    Espero francamente , que este medicamento chegue , depressa a Portugal , tenho E.M secundária Progressiva e não me estou a dar bem com o ” Ocrevus”,

    Torres Vedras

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