Social Prescribing. Hobbies podem ajudar a combater a depressão

27 de Maio 2020

do Estudo Longitudional Inglês do Envelhecimento publicado no Journal of Psychotherapy and Psychosomatics investigou a associação ao longo do tempo entre a prática de hobbies e os sintomas depressivos nos últimos anos de vida.

Existe um interesse crescente em atender pacientes de cuidados primários com recurso a fontes de apoio social dentro da comunidade. As “receitas sociais” (social prescribing em inglês) procuram encorajar os pacientes a envolverem-se em atividades que promovam a criação de novos hobbies, tal como em grupos que se dediquem às atividades musicais, desenho, artes manuais como a costura, carpintaria ou colecionismo, entre outras.

Estas atividades, à semelhança de outras ligeiramente diferentes como o voluntariado, atribuem ao paciente um certo conforto social e estão todas diretamente associadas à saúde mental. No caso dos hobbies em concreto, estes são também conhecidos por promover a interação, a expressão artística, a criatividade e um estado relaxamento.

O trabalho do Estudo Longitudional Inglês do Envelhecimento publicado no Journal of Psychotherapy and Psychosomatics investigou a associação ao longo do tempo entre a prática de hobbies e os sintomas depressivos nos últimos anos de vida.

Os dados foram recolhidos duas vezes por ano de uma amostra de 8.780 adultos, todos com mais de 50 e com uma média de 67 anos de idade entre 2004/2005 e 2016/2017. No início do estudo, 71,9% reportou ter um hobbie ou passatempo, enquanto 15,6% estaria diagnosticado com depressão de acordo com os padrões estabelecidos pela “Depression Scale” do Centro de Estudos Epidemiológicos.

Controlando todas as variáveis de confusão alternáveis ao longo do tempo do estudo, concluiu-se que adotar um hobbie estaria associado ao decréscimo dos sintomas depressivos e à redução das probabilidades de contrair uma depressão em 30%. Os resultados foram consistentemente obtidos em homens e mulheres, tanto nos que se encontravam deprimidos como nos que se encontravam sãos no início do estudo.

Ainda assim, foi concluído que adotar um passatempo estaria associado com a manutenção de baixos níveis de sintomas depressivos e com 32% menos hipóteses de contrair uma depressão. Para os que se encontravam deprimidos desde o início e que não adotaram um hobbie, fazê-lo resultou numa melhoria em relação aos sintomas e num aumento das hipóteses de recuperação de 272%.

Muito resumidamente, os resultados do estudo apoiam o uso da chamada “receita social” de hobbies e passatempos como um suplemento aos planos de cuidados existentes.

Ver artigo original  Aqui

NR/HN/João Daniel Ruas Marques

 

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