O que é o ‘aceleracionismo’ e o que defendem os ‘aceleracionistas’

31 de Maio 2020

O 'aceleracionismo', para que o conselho de fiscalização das "secretas" alerta no seu relatório de 2019, é uma tendência associada à extrema-direita que defende uma "aceleração" do capitalismo e o caos para "derrubar" a ordem existente.

As notícias sobre este grupo ou grupos têm sido mais frequentes nos Estados Unidos do que na Europa.

Nos Estados Unidos, há grupos de extrema-direita, que, pelo que foi revelado pelo jornal britânico The Guardian, pretenderiam usar a pandemia de covid-19, que já matou milhares de norte-americanos, para “espalhar o caos”, cometer “atos de violência”, causar o colapso para “construir” uma “nova sociedade”, baseada na supremacia branca.

E a revista The Economist caracterizou, na semana passada, as manifestações contra o confinamento em 30 dos 50 Estados norte-americanos em que os ‘aceleracionistas’ têm tido parte ativa.

Acreditam estes ativistas que está iminente um “boogaloo”, uma insurreição armada contra o Governo de Washington e uma “corrida às armas”, ou ambas, segundo a edição de 23 de maio da revista, que é preciso combater.

O termo, “boogaloo”, teve uma inspiração, tortuosa, para The Economist, no filme de 1984 sobre ‘breakdance’, “Breakin’2: Electric Boogaloo”.

Sobre os ‘aceleracionistas’, o jornal The Guardian, em 2017, caracterizou-os pela defesa de que a tecnologia, a informática e o capitalismo devem ser “acelerados e intensificados”, até se criar um caos, e a tese ou tendência tem vindo a ser adotado por grupos de extrema-direita e nazis.

E num relatório de janeiro deste ano, Observatório da Violência e Terrorismo, de Espanha, assinalou que vários atos violentos de cariz neonazi, de “tendências aceleracionistas”, que defendem a “violência para causar caos na sociedade e acelerar o derrube da ordem existente”.

Esta tática ou ideologia, segundo o observatório, está associada à extrema-direita, mas também tem sido usada, ao longo da história, por outros grupos, marxistas e anarquistas.

É uma “mistura estranha” entre conceitos de neonazismo e marxismo, definiu The Economist, que defende que as contradições das ordens económica e política vão causar um colapso sobre o qual ou o capitalismo surgirá ampliado ou aparecerá uma “nova ordem”.

E olham a pandemia de covid-19, que fez milhares de mortos como uma prova do ‘aceleracionismo’ e uma oportunidade de por o sistema à prova, encorajando os seus seguidores a “acelerar” os acontecimentos, “uma ideia pedida emprestada a Lenine”, segundo The Economist, e à sua tese quanto à aceleração da história.

O relatório de 2019 do Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República (CFSIRP), divulgado em 04 de maio, avisa para os riscos de “extremismos violentos” de grupos conotados com a “supremacia branca” e radicais do chamado ‘aceleracionismo’, uma “tendência externa” que “vai ganhando evidência”, mas não dá indicações sobre a dimensão do fenómeno em Portugal.

O presidente deste conselho, Abílio Morgado, afirmou à Lusa que não existem, por enquanto, indícios da presença em Portugal destes grupos, mas alertou que há “uma base de extrema-direita” que pode ser a base para a “entrada” das ideias ‘aceleracionistas’ no país.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

IPG acolhe polo do Centro de Envelhecimento Ativo

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) vai acolher um polo do Centro de Competências de Envelhecimento Ativo, que irá desenvolver atividades para criar melhores condições de vida aos idosos da região.

Quinze ULS terão equipas dedicadas na área da Saúde Mental

Os primeiros Centros de Responsabilidade Integrados dedicados à Saúde Mental vão arrancar em 15 Unidades Locais de Saúde, numa primeira fase em projeto-piloto e durante 10 meses, segundo uma portaria publicada em Diário da República.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights