O painel de discussão do dia 10 de novembro será composto por Maria de Belém Roseira, antiga ministra da Saúde e antiga ministra da Igualdade, Ema Paulino, presidente da direção da Associação Nacional das Farmácias, Manuel Caldas de Almeida, administrador executivo e diretor clínico do Hospital do Mar, e Rosário Zincke dos Reis, vice-presidente da direção da Associação Alzheimer Portugal.

A Teva começa por dizer, em comunicado, que a “existência de um Estatuto do Cuidador Informal, que reconhece o papel essencial de quem cuida sem pedir (ou receber) nada em troca, foi um marco importante, mas não suficiente. Especialistas reunidos no Porto, numa Teva Talks subordinada ao tema ‘Quem Cuida dos Cuidadores?’, deixam o alerta: ‘investir nos cuidadores informais é investir na sustentabilidade dos serviços sociais e de saúde'”.

Bruno Alves, executive board member da rede europeia EUROCARERS e coordenador nacional da Cuidadores Portugal, considera essenciais o reconhecimento e a identificação dos cuidadores. “Sem esta identificação não se podem alocar respostas”, refere, salientando que ainda não se conhece o número real de cuidadores informais em Portugal.

Teresa Almeida, vogal da direção da Associação Nacional das Farmácias, conhece bem a realidade dos cuidadores informais e fala da existência de “pais que cuidam de filhos, idosos a cuidar de pais” e “maridos e mulheres”, sendo que muitos “não têm a noção que são cuidadores”. Há ainda um grande grupo de pessoas que não sabe onde se dirigir para obter apoios, por isso a “simplificação é essencial”, acrescenta.

Este é um dos pontos que mais preocupa os especialistas. “O grau de iliteracia é terrível”, confirma Belmiro Rocha, presidente da Associação Portuguesa dos Enfermeiros de Reabilitação. “Muitas pessoas não conseguem aceder a cuidados porque não têm conhecimento e apoios”, reforça.

Ana Luísa Pinto, diretora executiva da Associação Cuidadores – Melhorar a vida de quem cuida, alerta: não basta que exista o Estatuto ou decretos e leis; “é preciso trabalhar a informação para conseguir chegar a todo o tipo de público”.

Para tal, defendem os especialistas, tem de haver uma articulação entre várias áreas e apoio de quem conhece bem estes casos. “Os enfermeiros de reabilitação lidam muito com estes casos e, quando começamos a planear a reabilitação, deparamo-nos com situações terríveis. Está a ser feito um caminho, mas é preciso mais. O Estatuto avançou com a realização de 30 experiências-piloto, mas é importante que estas passem a ser realidade em todos os concelhos do País”, diz Belmiro Rocha.

Um Estatuto mais abrangente, “com critérios de elegibilidade que têm de ser “, segundo Bruno Alves, “mais alargados”, é também essencial, assim como “tornar possível que o cuidador possa ser substituído, por alguns períodos, para que possa descansar, trabalhar ou ter tempo para si próprio”, defende Ana Luísa Pinto.

PR/HN/Rita Antunes

 

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