Presidente sérvio acusa primeiro-ministro australiano de “maltratar” Djokovic

15 de Janeiro 2022

O presidente sérvio, Aleksandar Vucic, criticou esta sexta-feira o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, devido ao segundo cancelamento do visto do tenista Novak Djokovic pelas autoridades australianas, que implica a deportação do vencedor do Open da Austrália por nove vezes.

“Porque o está a maltratar? Porque está a atacar não apenas a ele, mas também a sua família e toda a nação”, protestou Vucic, através da rede social Instagram.

Também a Federação de Ténis da Sérvia (TSS) condenou o mais recente incidente com Djokovic, justificado com as medidas de contenção contra a Covid-19 na Austrália, considerando “inaceitável” que decisões políticas e judiciais afastem o número um do ‘ranking’ mundial do Open da Austrália.

As autoridades da Austrália aceitaram ontem suspender a deportação de Novak Djokovic, até que a justiça decida sobre o cancelamento do visto de entrada do tenista sérvio no país, após nova revogação do seu visto.

Djokovic será interrogado pelos serviços de imigração este sábado, e, apesar de não ficar sob detenção até esse momento, as autoridades australianas têm intenção de recolocar o atleta nessa condição.

O ministro australiano da Imigração, Alex Hawke, cancelou pela segunda vez o visto de Djokovic, o que implica a deportação do vencedor do Open da Austrália por nove vezes (2008, 2011, 2012, 2013, 2015, 2016, 2019, 2020 e 2021).

Djokovic chegou a Melbourne a 05 de janeiro com uma isenção médica que lhe permitiria jogar no Open da Austrália, primeiro ‘major’ de 2022, sem ser vacinado contra a covid-19, mas o visto foi posteriormente cancelado pelas autoridades alfandegárias.

O sérvio ficou detido até uma decisão judicial na segunda-feira ordenar a sua libertação – emitida pelo mesmo juiz que na sexta-feira promoveu a audiência -, mas o Governo australiano voltou a cancelar o visto.

A decisão foi tomada “por razões de saúde e ordem pública”, disse o ministro, em comunicado.

Djokovic, que pretendia atingir o recorde de 21 títulos em torneios de ‘Grand Slam’, caso ganhasse o Open da Austrália, admitiu esta semana ter prestado falsas declarações à entrada da Austrália.

Para além de erros e inconsistências na declaração de Djokovic para entrar na Austrália, soma-se a violação das diretrizes de isolamento face à pandemia de Covid-19 na Sérvia.

Djokovic tinha declarado que não tinha viajado nos 14 dias anteriores, mas na realidade tinha viajado da Sérvia para Espanha, enquanto no seu país natal deu uma entrevista a um meio de comunicação social francês sabendo que testara positivo ao coronavírus.

LUSA/HN

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