Duas novas drogas contribuíram para o aumento das overdoses fatais nos EUA

28 de Janeiro 2022

Duas novas drogas poderosas, ainda pouco conhecidas, estão a contribuir para overdoses mortais nos Estados Unidos, segundo os mais recentes relatórios divulgados na quinta-feira pela agência Associated Press (AP).

Parafluorofentanil e metonitazeno têm sido reportadas com maior frequência por médicos legistas que investigam mortes por overdose, aponta um relatório do governo.

Estas drogas sintéticas são habitualmente tomadas, ou misturadas, com fentanil fabricado ilegalmente, uma droga responsável por mais de 100.000 overdoses mortais nos Estados Unidos em 2021.

Cada vez mais, uma ou outra das duas drogas é razão única para algumas mortes por overdose, referiu a médica Darinka Mileusnic-Polchan, uma das autoras do relatório.

Estes medicamentos são muitas vezes injetados ou ‘snifados’, e são mais poderosos que o fentanil, acrescentou.

“Estas [vítimas] simplesmente se desmoronam e desmoronam. Frequentemente, nem sequer injetam a seringa inteira” antes da overdose, salientou a médica responsável pelo gabinete médico legista em Knoxville, Tennessee.

A naloxona, medicamento que reverte a overdose, pode funcionar, mas pode ser mais necessária do que quando estão outras drogas envolvidas, sustentou.

O relatório, publicado pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) para profissionais de saúde dos EUA, é um dos primeiros do tipo a alertar sobre estas drogas.

A região de Knoxville registou 770 mortes não intencionais por overdose de drogas entre novembro de 2020 a agosto de 2021, alertam os autores.

As análises a 562 destes demonstraram a existência de fentanil, e quase 190 também acusaram a presença de metanfetamina.

Mas 48 das mortes envolveram Parafluorofentanil e 26 tinham consumido metonitazeno, destaca o relatório.

As mortes envolvendo estas drogas aumentaram desde o verão, salientou Darinka Mileusnic-Polchan.

O Parafluorofentanil​​​​​​​ é um opioide sintético, como o fentanil. Criado na década de 1960, foi vendido ilegalmente no passado, por vezes sob o nome ‘China-white’.

Em 2020, os investigadores começaram a registar um aumento nas overdoses envolvendo esta droga.

Recentemente, foi encontrada em pacotes de heroína e comprimidos falsificados.

O metonitazeno pertence a uma classe de analgésicos desenvolvida na década de 1950, mas nunca autorizada para tratamento médico.

Esta droga começou a aparecer com maior frequência em relatórios de autópsia de mortes por overdose no ano passado.

Ainda não é claro se estas drogas estão muito difundidas, e os gabinetes de médicos legistas não podem pagar pelo trabalho de toxicologia que procura todas as drogas concebíveis, acrescentou a especialista.

O gabinete de Darinka Mileusnic-Polchan identificou as duas drogas porque participou num programa da agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA).

As mortes por overdose nos Estados Unidos estão a aumentar há mais de duas décadas, mas aceleraram nos últimos dois anos, com uma subida de 20% apenas em 2021, segundo os dados mais recentes do CDC.

Os especialistas alertaram que os principais fatores para este aumento são a crescente prevalência da droga mortal fentanil e a pandemia de Covid-19, que deixou muitos toxicodependentes socialmente isolados e incapazes de obter tratamento ou outro tipo de apoio.

LUSA/HN

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