Ómicron ‘desacelera’ crescimento da zona euro para 4,0% este ano

10 de Fevereiro 2022

A Comissão Europeia reviu hoje em ligeira baixa o crescimento da economia europeia para este ano, para 4% do Produto Interno Bruto (PIB), tanto na zona euro como na UE, devido ao abrandamento no inverno provocado pela variante Ómicron.

Depois de, há três meses, nas previsões de outono, ter antecipado um crescimento do PIB de 4,3% este ano quer no espaço da moeda única, quer no conjunto do bloco, o executivo comunitário estima agora, nas previsões intercalares de inverno hoje publicadas, um crescimento de 4% em ambos os casos, projetando que em 2023 o ritmo desacelere para 2,7% na zona euro e 2,8% na UE.

Em contrapartida, Bruxelas revê em ligeira alta o ritmo de crescimento económico no ano passado, já que no outono estimava que a zona euro e a UE ‘fechassem’ 2021 com uma subida do PIB de 5,0% , apontando agora que se verificou “uma notável expansão” de 5,3% tanto no espaço da moeda única como no cômputo dos 27 Estados-membros.

A Comissão Europeia justifica a revisão em baixa do ritmo de retoma da economia europeia este ano com o “ressurgimento da pandemia no outono passado e a propagação exponencial da nova variante Ómicron”, que provocou designadamente uma vaga de “ausências do local de trabalho sem precedentes em muitos países da UE”.

Bruxelas nota também que os Estados-membros viram-se forçados a reintroduzir restrições, “embora geralmente de natureza mais branda ou mais direcionada do que em vagas anteriores”, e aponta que “os persistentes estrangulamentos logísticos e de fornecimento, incluindo a escassez de semicondutores e alguns produtos metálicos, continuam a pesar na produção, tal como os elevados preços da energia”.

“A economia da UE entrou no novo ano com um registo mais fraco do que o anteriormente projetado”, assume Bruxelas, que, no entanto, acredita que, “após um período de abrandamento, a expansão económica deverá recuperar o ritmo no segundo trimestre deste ano e manter-se robusta ao longo do horizonte de previsão”.

“Após uma forte recuperação de 5,3% em 2021, prevê-se agora que a economia da UE cresça 4,0% em 2022, tal como na zona euro, e 2,8% em 2023 e 2,7% na zona euro”, antecipa o executivo comunitário, admitindo que “esta previsão pressupõe que o impacto na economia causado pela atual vaga de infeções será de curta duração e que a maioria dos estrangulamentos de abastecimento se desvanecerão no decurso do ano”.

Por fim, a Comissão Europeia indica que estas previsões económicas de inverno estão rodeadas de riscos, quer positivos, quer negativos.

Entre os riscos positivos, aponta o impulso à atividade económica que pode ser dado pelos investimentos na Europa financiados pela ‘bazuca’ do Mecanismo de Recuperação e Resiliências, enquanto entre os riscos negativos destaca “as tensões geopolíticas no Leste da Europa”, aludindo à crise entre Rússia e Ucrânia.

“Múltiplos ventos adversos arrefeceram a economia europeia neste inverno: a rápida propagação da Ómicron, um novo aumento da inflação impulsionado pelo aumento dos preços da energia e ruturas persistentes nas cadeias de abastecimento. Sendo previsível que estes ventos de se dissiparão progressivamente, esperamos que o crescimento retome a sua velocidade já nesta primavera”, ainda que “a incerteza e os riscos permaneçam elevados”, comentou o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni.

LUSA/HN

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