Investigadores do Porto em projeto para melhorar acesso a cuidados de saúde oral

17 de Fevereiro 2022

 Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) integram um projeto europeu que visa implementar um modelo para melhorar a qualidade e segurança no acesso aos cuidados de saúde oral para todos os cidadãos.

À agência Lusa, Paulo Melo, investigador do ISPUP, revelou esta quinta-feira que o projeto, intitulado DELIVER, pretende “colocar a saúde oral no topo das prioridades e na agenda dos decisores”.

Nesse sentido, os investigadores vão desenvolver “um documento que permita tanto a decisores políticos, como a especialistas, médicos dentistas e outras entidades, perceberem o que é a saúde oral, as opções estratégicas a serem implementadas em cada país e os custos financeiros consoante o modelo a adotar”.

A “falta de dados e de indicadores de qualidade” é um dos principais desafios a ultrapassar nesta área, salientou o docente da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP).

“Não temos na área da saúde oral dados possíveis de serem percebidos de forma global. Toda a estratégia, que vai estando plasmada em muita investigação, acaba por não estar sistematizada e de acesso tão fácil quanto seria desejável”, afirmou.

O projeto, que arranca no segundo semestre deste ano e tem a duração de 48 meses, conta com a participação de 10 instituições europeias, entre as quais o ISPUP.

No âmbito do projeto, o instituto da Universidade do Porto vai trabalhar na “aprovação de indicadores de qualidade” para os cuidados de saúde oral.

Os indicadores vão servir de base para monitorizar e avaliar a segurança dos cuidados prestados nas clínicas dentárias e a nível comunitário, tanto em Portugal, como nos restantes países da União Europeia que integram o consórcio.

“O nosso objetivo é termos indicadores que sejam utilizados sistematicamente para cada um dos propósitos na área da saúde oral, seja para fins de avaliação económica, seja para fins de avaliação da própria saúde ou prevenção”, acrescentou o docente.

À Lusa, Paulo Melo afirmou que na área da saúde oral “há uma grande dificuldade em alocar recursos” e a perceção, por parte dos decisores económicos e políticos, de que os cuidados “envolvem custos avultados”.

“Na realidade, se se trabalhar corretamente no âmbito da prevenção e se apostar nessa área, existe uma poupança de custos significativos”, observou, dando como exemplo, o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (cheque dentista).

Além do ISPUP, participam no projeto investigadores da Radboud University Medical Center (Holanda), da Stichting Vrije Universiteit (Holanda), da Stichting MLC Foundation (Holanda), da Universitätsklinikum Heidelberg (Alemanha), da aQua gmbH (Alemanha), da Universidade de Manchester (Reino Unido), da Karolinska Institutet (Suécia), da Universidade de Malta (Malta) e da Universidade de Copenhaga (Dinamarca).

O projeto, coordenado pela Radboud University Medical Center, é financiado pela Comissão Europeia, ao abrigo do programa Horizonte Europa.

LUSA/HN

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