Augusto Santos Silva diz que ataque a central nuclear mostra “desrespeito pelas regras mínimas”

4 de Março 2022

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, deplorou esta sexta-feira, em Bruxelas, a contínua agressão militar da Rússia à Ucrânia e o ataque da última madrugada a uma central nuclear, comentando que tal demonstra o “desrespeito pelas regras mínimas”.

Em declarações à chegada ao quartel-general da NATO, para uma reunião dos chefes de diplomacia da Aliança, alargada à Suécia, Finlândia e União Europeia (UE), Santos Silva disse esperar que os aliados voltem a condenar “esta guerra perpetrada pela Rússia”, que “infelizmente continua em curso”, referindo-se então aos mais recentes desenvolvimentos no terreno, designadamente o ataque durante a última madrugada à central nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, a maior da Europa.

“Ainda esta madrugada, foi atacada uma fábrica nuclear na Ucrânia, com tudo o que de desrespeito pelas regras mínimas isso representa e também pelo perigo que representa também”, deplorou.

O chefe da diplomacia portuguesa disse esperar que na reunião de hoje do Conselho do Atlântico Norte haja uma “concertação de posições entre os 30 aliados” e “firmeza na capacidade de dissuasão e postura defensiva” da Aliança, que já reforçou o seu flanco leste.

“Evidentemente, também tomaremos nota do resultado positivo, mas ainda muito insatisfatório, obtido ontem [quinta-feira] nas negociações diretas entre a Ucrânia e a Rússia, com a abertura de corredores humanitários, que esperamos que sejam concretizados o mais brevemente possível”, disse, recordando que esta guerra já causou mais de um milhão de refugiados.

Questionado sobre que postura deve a NATO ter perante a crescente ofensiva militar russa na Ucrânia, Augusto Santos Silva enfatizou que “a NATO é apenas uma aliança defensiva”, que está a exercer um “direito” que lhe assiste ao reforçar a sua capacidade de dissuasão e defesa, mas reiterou a importância de manter abertos os canais de comunicação com Moscovo, pelo menos contactos a nível militar, os únicos abertos atualmente.

“Do ponto de vista político, infelizmente a Rússia cortou todas as pontes de comunicação. Mas estou certo de que os ministros hoje insistirão na necessidade de, pelo menos, manter contactos ao nível militar. Mesmo nestas circunstâncias muito difíceis, é muito importante que os militares mantenham contactos entre si, para evitar cálculos errados, escaladas, incidentes indesejados e indesejáveis. E certamente que esses contactos ao nível militar são importantes hoje”, disse.

Todavia, frisou, o foco das discussões dos aliados hoje deve ser uma “avaliação política das consequências desta agressão”, dado a reunião ser ao nível de ministros dos Negócios Estrangeiros, além da concertação de posições entre os aliados “relativamente à postura defensiva”.

Além de participar na reunião dos chefes de diplomacia da NATO, Santos Silva participará, da parte da tarde, no quinto Conselho extraordinário de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE no espaço de pouco mais de uma semana.

Bruxelas acolhe hoje reuniões extraordinárias de ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO e da UE, ambas em formatos alargados, para discutir a guerra em curso na Ucrânia, ao nono dia da ofensiva militar russa.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar com três frentes na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamentos em várias cidades.

As autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças, e, segundo a ONU, os ataques já provocaram mais de um milhão de refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia, entre outros países.

O Presidente russo, Vladimir Putin, justificou a “operação militar especial” na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o país vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender e garantindo que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional, e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.

LUSA/HN

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