Nuno Bernardino: “Este ano, o programa está muito virado para a abordagem do doente crítico e do doente urgente, uma área na qual a Medicina Interna tem um papel fundamental”

Coordenador do Núcleo de Estudos de Formação em Medicina Interna (NEForMI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) antecipa principais linhas que vão marcar o encontro formativo.

Healthnews (HN) – A EVERMI 2022 é da responsabilidade do Núcleo de Estudos da Formação em Medicina Interna (NEForMI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI). Como está a decorrer o processo de organização?

Nuno Bernardino (NB) – A EVERMI encontra-se já em fase muito avançada da sua organização, temos o programa definido e aguardamos a confirmação de todos os prolatores para divulgar o programa final. Já abriram as inscrições na área do FORMI no site da SPMI, onde também podem encontrar toda a informação relevante em relação a esta escola.

HN –  Irá realizar-se a 23, 24 e 25 de junho no Clube de Campo – Vila Galé, Albernoa, Beja. A escolha desta cidade é já uma tradição…

 NB – Sendo esta a 13ª, apenas em duas edições a escola decorreu em outras localidades (Ponte de Lima e Zambujeira do Mar). O “regressar à base” da EVERMI anualmente deve-se muito às excelentes condições que este local proporciona para a realização da EVERMI. Trata-se de um local afastado dos grandes centros, onde os participantes acabam por se isolar naqueles 4 dias, e que, para além disso, proporciona boas condições para a atividade formativa. A juntar a isto, a hospitalidade e a gastronomia do Alentejo são outros dos segredos da EVERMI.

 HN –  O que podem os internos participantes esperar no que respeita a esta nova edição?

 NB – A 13ª edição da EVERMI está muito na linha das edições anteriores, mantendo os ingredientes de sucesso que têm sustentado e consolidado esta escola. Para este ano, a temática geral será “Cuidar do Doente Agudo”, portanto o programa estará muito virado para a abordagem do doente crítico e do doente urgente, uma área na qual a Medicina Interna tem um papel fundamental, pelo que é uma das prioridades de formação dos nossos Internos. Quanto a formatos vamos ter duas novidades este ano, um Clinical Escape Game e dois Workshops com sessões práticas de abordagem de situações frequentes da Urgência Interna.

HN –  Atualização científica dos participantes em áreas diversas no âmbito da Medicina Interna; Desenvolvimento do Raciocínio Clínico do Internista; Fomento de um “Espírito de Grupo” na Medicina Interna Portuguesa; Desenvolvimento de Competências em Técnicas de Comunicação e em Trabalho em Equipa e Refletir sobre a Formação em Medicina Interna apresentam-se como os principais objetivos da EVERMI. Estes são os princípios basilares da “missão” pela qual foi criada a EVERMI…e os quais, mais uma vez, voltam a marcar o novo programa. Qual a pertinência destes estímulos, no percurso de um interno de MI?

NB – Um pouco na linha do que referi anteriormente, a EVERMI junta a componente científica a outras componentes que também são fundamentais para os Internistas, nomeadamente o trabalho nas competências não clínicas, como as técnicas de comunicação e o trabalho de equipa. No entanto, gostaria de salientar que uma das prioridades passa por incutir a todos os jovens internistas que passam pela EVERMI o espírito de grupo da Medicina Interna, potenciando em todos o gosto pela especialidade.

 HN –  Sexta-feira, dia 24 de junho, decorrerá o Encontro com Especialista subordinado ao tema ‘Abordar a Insuficiência Cardíaca Aguda’ e já sábado, dia 25, está previsto um ‘Encontro com o Especialista’ subordinado ao tema Paragem Cardio-Respiratória e ECPR (ECMO Cardio-Pulmonary Resuscitation). Reconhece que estes são temas inerente à prática clínica de MI que merece especial treino e atualização de conhecimentos teórico-prático?

NB – Sem dúvida, embora em contextos diferentes. A Insuficiência Cardíaca Aguda é um dos principais motivos de admissão de doentes na urgência ao cuidado dos Internistas, pelo que é fundamental atualizar conhecimentos nesta área e formar os nossos Internos. Em relação ao ECPR é uma nova realidade e uma nova ferramenta que pode ser atualizada no doente crítico em paragem cardiorrespiratória, nos centros onde este recurso se encontra disponível. Importa aqui dar a conhecer quais as suas indicações e em que situações deve ser ponderado, para que os doentes possam ser o mais rapidamente possível orientados.

 HN –  Dadas as contingências das medidas de prevenção da COVID-19, a edição de 2022 terá um máximo de 40 participantes. Isto é, a EVERMI decorrerá com todas as regras de segurança…

NB – As edições 2020 e 2021 ficaram marcadas pelas contingências da pandemia COVID-19, que implicaram uma redução do número de participantes e alguns ajustes na estrutura da escola de forma a garantir a segurança sanitária de todos os participantes. Embora ainda sendo uma incógnita, esperemos que em junho de 2022 as limitações já sejam menores e nos permitam aligeirar as medidas, mas vamos manter a limitação de participantes aos 40 alunos.

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