Descobertas células que potenciam reconstrução de órgão essencial do sistema imunológico

20 de Junho 2022

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) descobriram um novo subtipo de células no timo que podem potenciar o desenvolvimento de terapias para a reconstrução daquele órgão “fundamental” do sistema imunológico.

Em comunicado, o instituto revela hoje que os investigadores descobriram uma “nova população de células” que contribuem para a formação e atividade do timo, órgão “fundamental” do sistema imunológico e onde são formadas as células T.

“O timo perde muito cedo a sua capacidade de produzir células T”, observa o i3S, lembrando que estas células são fundamentais na resposta a patogénicos e tumores, mas também na prevenção de doenças autoimunes.

Para que se consiga reativar a produção de células T em pessoas com o sistema imunitário debilitado, torna-se “fulcral” compreender a origem das diferentes células que compõe o microambiente do timo, nomeadamente as células epiteliais, fibroblastos e células endoteliais.

Nesse sentido, os investigadores debruçaram-se sobre este microambiente do timo e identificaram “pela primeira vez” os progenitores que dão origem aos fibroblastos tímicos e que funcionam como uma “rede de suporte” onde as células T crescem.

Citado no comunicado, Pedro Ferreirinha, um dos autores do artigo, esclarece que no timo “predomina uma população com características estaminais” e, posteriormente, a população de fibroblastos é progressivamente substituída por outra população “mais madura e funcional”.

“Percebemos que estas populações partilham uma relação de proximidade em termos do seu desenvolvimento, ou seja, os fibroblastos progenitores desaparecem e dão origem a fibroblastos mais diferenciados”, refere Ruben Pinheiro, também autor do estudo, acrescentando que isso acontece quando a função tímica começa a atingir o máximo de produção de células T.

Tal, salienta o investigador, reforça a ideia de que “ao longo da vida a produção de células T esgota a funcionalidade do microambiente do timo”.

Segundo os investigadores, o próximo objetivo passa por perceber se em pessoas imunodeprimidas estes subtipos de células “estão alterados ou não funcionais”.

Esta descoberta pode vir a potenciar o desenvolvimento de terapias capazes de reconstruir o timo ou regenerar a sua função nos idosos e indivíduos imunossuprimidos.

Quanto a esta possibilidade, o investigador Nuno Alves, que liderou o estudo, salienta que uma das soluções para corrigir a função tímica “passa por regenerar o timo envelhecido” e a outra “por reconstruir artificialmente este órgão”

“Para se avançar para a segunda opção é fundamental compreender a origem das diferentes células que compõe o complexo e intrigante microambiente tímico”, acrescenta.

LUSA/HN

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