Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca lança inquérito para avaliar perceções dos doentes

29 de Julho 2022

A Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca (AADIC), com o apoio da Bayer, acaba de lançar um inquérito que pretende avaliar atitudes e perceções dos doentes face à insuficiência cardíaca (IC).

O inquérito (disponível aqui) avalia várias dimensões desta patologia e tem como público-alvo os doentes com insuficiência cardíaca que tenham utilizado os cuidados de saúde do SNS nos últimos 12 meses.

Caracterização clínica e sociodemográfica, diagnóstico e acompanhamento, impacto da doença nas várias esferas (pessoal, social e profissional), controlo e gestão da doença, educação, literacia e formação, experiência pessoal, desafios, sucessos, frustrações, desejos, atitudes e crenças em relação à doença são alguns dos parâmetros avaliados pelo inquérito, que tem também como objetivo averiguar a perceção dos doentes sobre a saúde, a qualidade de vida e o Serviço Nacional de Saúde.

“Queremos descobrir qual é a perceção das pessoas que vivem com IC, percebendo as suas necessidades e expectativas, bem como se estas estão a ter a resposta adequada. É crucial termos a ajuda de todos os que no último ano recorreram aos cuidados de saúde do SNS para percebermos o que podemos fazer para melhorar o paradigma desta doença”, explica Luís Filipe Pereira, presidente da AADIC.

Em Portugal, cerca de 340 mil pessoas sofrem de IC, uma doença grave e crónica, e prevê-se que sejam 480 mil até 2035. Esta patologia representa um fardo para os sistemas de saúde, sendo que, apesar dos tratamentos, as taxas de morbilidade e mortalidade continuam elevadas. Mais de 30% dos doentes têm um evento de agravamento que leva à hospitalização, ou necessidade de tratamento imediato, e 20% destes morrem até dois anos após o evento.

Ou seja, no país, esta doença representa cerca de 53 mil episódios de atendimento urgente, dos quais 36 mil resultam em hospitalizações, e estes eventos têm um custo anual estimado de 405 milhões de euros.

“É urgente mudar este cenário, não só pela melhoria da qualidade de vida dos doentes, mas também pelo custo que estes episódios representam na despesa em saúde do país”, alerta o presidente da associação, reforçando a importância de evitar os episódios graves que obrigam a hospitalizações.

É importante que o doente aprenda a gerir a sua doença, estando atento aos sintomas e sendo acompanhado por um profissional de saúde. Além disso, a adesão terapêutica é fundamental.

O inquérito representa a fase 2 do estudo de perceções sobre insuficiência cardíaca na população portuguesa. A primeira fase consistiu na realização de um questionário telefónico a 20 doentes, entre março e maio de 2022, com o objetivo de recolher insights qualitativos relevantes para a realização do inquérito. Concluiu-se que 70% dos inquiridos não sabiam nada sobre a sua doença no momento em que esta lhes foi diagnosticada, sendo que mais de metade enfrentaram uma perda significativa de qualidade de vida.

LUSA/HN

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