Bruno Maia candidata-se à Ordem dos Médicos contra “o conservadorismo e o elitismo”

3 de Agosto 2022

O neurologista Bruno Maia anunciou esta terça-feira a sua candidatura a bastonário da Ordem dos Médicos, com um compromisso que coloca os utentes e o Serviço Nacional de Saúde entre as prioridades, contra “o conservadorismo e o elitismo”.

“Uma Ordem próxima dos utentes e aberta à sociedade, que rompa com o conservadorismo e o elitismo”, lê-se no manifesto da candidatura lançada ontem , sob o mote “Em defesa da profissão e do acesso à Saúde”.

Especialista em neurologia, Bruno Maia é atualmente médico na Unidade de Cuidados Intensivos Neurocríticos do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central e coordenador hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos.

Caso seja eleito bastonário, promete “uma Ordem dos Médicos que não temos”, com os utentes, o Serviço Nacional de Saúde e a carreira médica, sobretudo os médicos mais jovens e em situações de maior precariedade, no topo das suas prioridades.

“Uma Ordem protagonista da defesa do serviço público de saúde e insubmissa aos grandes interesses financeiros que ameaçam a prática médica”, acrescenta o manifesto, que sublinha também o combate à discriminação de profissionais e utentes.

Entre as mais de 20 propostas apresentadas, Bruno Maia defende o acesso à carreira médica desde o início do internato e a separação entre os setores público e privado, com a exclusividade obrigatória para diretores de serviço e voluntária para os restantes médicos.

Defende também medidas para reduzir obstáculos no acesso à especialidade, opõe-se à atribuição de utentes a médicos sem especialidade de medicina geral e familiar e sublinha a necessidade de reforço das equipas multidisciplinares de saúde mental nos cuidados de saúde primários.

Quanto à discriminação, o médico que foi também um dos organizadores da primeira Marcha do Orgulho LGBTI+ no Porto, em 2006, condena as “terapias de conversão”, que diz merecerem sanções disciplinares e até a expulsão de quem as pratique, e pretende a criação e uma comissão de combate “à discriminação sexista, racista e LGBTIfóbica”.

Além do seu trabalho enquanto médico, Bruno Maia ajudou a fundar o Observatório Português de Canábis Medicinal, é membro do movimento “Direito a Morrer com Dignidade”, pela despenalização da morte assistida, e da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda.

Bruno Maia é o quarto nome candidato ao lugar atualmente ocupado por Miguel Guimarães, que está a cumprir o seu segundo mandato.

As eleições para o mandato de 2023/2026 realizam-se em janeiro e já anunciaram também a sua candidatura o reumatologista Jaime Branco, o cardiologista Fausto Pinto e o otorrinolaringologista Rui Nunes.

LUSA/HN

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