Carla Araújo Médica especialista em Medicina Interna – Candidata a Presidente da Secção Sul da Ordem dos Médicos

Afinal, quanto vale a vida de um médico?

08/10/2022

A propósito desta conferência de imprensa, foi talvez a mais vazia de sempre. Sem conteúdo. Sem verdadeiras medidas de valorização do SNS. Foi um assumir de incompetências. Foi deixar a nu que as dificuldades não se limitarão ao verão. Foi dizer aos médicos que o caminho são as horas suplementares/extraordinárias. Foi assumir que não estão interessados com o nosso burnout, com a nossa vida pessoal ou familiar.

Em Portugal, ser médico significa trabalhar na desorganização do sistema. Sem plano estrutural, sem coragem política. Temos uma maioria absoluta incapaz de inovar. Incapaz de implementar a mudança a tempo e horas. E a Ministra da Saúde? Camuflada entre comissões, novos estatutos e CEO, vai continuando o seu mandato, sem assumir a responsabilidade por este caos sem precedentes.

E nós? E os nossos doentes? E as nossas grávidas? Qual o real valor da nossa profissão? Somos o garante da qualidade da saúde. Somos o pilar da sociedade. Somos excecionais na nossa dedicação. Que ninguém nos convença do contrário.

Foi uma vergonhosa conferência de imprensa, onde se assumiu publicamente que a “normalização” da decadência do SNS terá que fazer parte da vida dos portugueses, daqueles que pagam dos maiores impostos do mundo. O serviço público não consegue dar uma resposta digna aos cidadãos. Mas o governo pede-nos calma e confiança. Em quem?!

Não contem comigo para compactuar com isto.

Isto não é gestão. Temos que zelar pela prestação de cuidados em segurança e pela qualidade do sistema de saúde.

Senhora Ministra da Saúde Marta Temido, os portugueses merecem mais e melhor!

 

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