Investigadores querem criar sensores para aferir condição física de doentes

15 de Maio 2023

Investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) integram um projeto para criar sensores que, incorporados em calçado, roupa e outros materiais, visam aferir a "performance e condição física" de atletas e doentes, foi hoje revelado.

O projeto, que resulta da participação portuguesa no projeto ‘INNO4HEALTH’, tem como principal objetivo a criação de “sensores ‘wearable'” que sejam “capazes de responder às necessidades de atletas e pessoas com determinadas doenças”, adianta hoje, em comunicado, a FMUP.

Incorporados em roupa, calçado e outros materiais, estes sensores vão permitir, através do recurso a inteligência artificial, criar um conjunto de ferramentas para “aferir a performance e condição física de pacientes e atletas”.

Em Portugal, o projeto vai centrar-se na área das doenças vasculares, em particular, no acompanhamento da recuperação em claudicação, úlceras venosas e pacientes com pé diabético, condições que resultam na “perda de qualidade de vida, limitações na marcha e necessidade de acompanhamento constante em serviços de saúde”.

A par da recolha de dados, as ferramentas que vão integrar este dispositivo vão permitir ainda “identificar pontos de dor nos membros inferiores” e dar “sugestões ao paciente para melhorar a sua condição”.

De acordo com os investigadores Alberto Freitas e Júlio Souza, um dos desafios da iniciativa passa por “medir a eficácia e validar o produto que está a ser desenvolvido, de modo a comprovar os ganhos a nível clínico e a melhoria dos cuidados prestados”, estando dependente do recrutamento de doentes.

No entanto, o “maior desafio” foi propor uma solução “que fosse minimamente invasiva”, bem como “facilmente adaptável ao plano terapêutico e à rotina dos pacientes e profissionais de saúde”.

Os investigadores esperam que “o produto tecnológico desenvolvido permita aos profissionais de saúde monitorizar os seus pacientes fora dos centros de saúde e dos hospitais, acompanhando a evolução da doença e a adesão ao tratamento, além de fornecer dados que possam ser úteis para a decisão terapêutica”.

“É também esperado que a tecnologia permita ao próprio doente monitorizar em tempo real a sua própria condição de saúde, para além de motivar a cumprir o tratamento prescrito pelo médico”, destacam.

Segundo os investigadores, a criação destes dispositivos podem culminar numa “redução das visitas aos serviços de saúde” e, com isso, na “economia dos recursos”.

O projeto INNO4Health reúne 37 parceiros de sete países, nomeadamente, Portugal, Canadá, Lituânia, Roménia, Países Baixos e Turquia.

Em Portugal, o INNO4Health resulta num consórcio constituído pela WiseWare, FMUP e Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP). A iniciativa é financiada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito do programa COMPETE 2020.

LUSA/HN

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