Obesidade abdominal está associada a pior progressão da esclerose múltipla

29 de Maio 2023

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que a obesidade abdominal está associada a maior incapacidade e a mais problemas cognitivos em doentes com esclerose múltipla, foi hoje descrito.

“Esta investigação reforça a necessidade de monitorizar outras doenças em pessoas com esclerose múltipla. A monitorização e o controlo do perfil lipídico (colesterol) podem contribuir para melhorar o prognóstico”, lê-se nas conclusões do estudo partilhado com a agência Lusa na véspera do Dia Mundial da Esclerose Múltipla que se assinada terça-feira.

A obesidade abdominal traduz-se numa maior circunferência da cintura.

Foram analisados indicadores de síndrome metabólica, como a circunferência da cintura e o colesterol, e depois feita a relação com o curso da esclerose múltipla em cerca de meia centena de doentes.

De acordo com a FMUP, foram avaliadas pessoas com idades entre os 19 e os 61 anos e com três anos, em média, de evolução da doença.

“Este estudo corrobora a hipótese de que a síndrome metabólica, especialmente a obesidade abdominal, pode ser um fator importante no curso da esclerose múltipla, associando-se a mais incapacidade e compromisso da função cognitiva”, considera a investigadora Joana Guimarães, que é também responsável da consulta de Esclerose Múltipla do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto.

Ainda de acordo com a síntese divulgada pela FMUP, os parâmetros foram medidos através de análises clínicas, ressonância magnética e avaliação neuropsicológica.

Foram analisados os vários componentes da síndrome metabólica, designadamente a obesidade abdominal, o colesterol e a tensão arterial.

Nesta amostra, 33,3% dos doentes estudados tinham valores de circunferência da cintura acima do normal e 29,4% tinham um compromisso da função cognitiva.

Além de Joana Guimarães, este artigo tem como coautores Ana Sofia Silva, Ricardo Soares dos Reis e Pedro Abreu, bem como investigadores do CHUSJ.

LUSA/HN

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