Estudo indica que mais de um quarto dos reclusos moçambicanos vive com HIV

14 de Agosto 2023

Mais de um quarto dos detidos nas cadeias moçambicanas tem HIV, segundo os resultados preliminares do Inquérito Biológico e Comportamental em Reclusos e Agentes Penitenciários em Moçambique, conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde (INS).

De acordo com os dados do estudo, realizado este mês e consultado hoje pela Lusa, a prevalência do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) nos estabelecimentos penitenciários do país situa-se em 31,5% em reclusas e 25,4% em reclusos.

O levantamento foi realizado durante o ano de 2022 pelo INS, em parceria com o Serviço Nacional Penitenciário (Sernap), com o objetivo de “estimar a prevalência do HIV, sífilis e supressão viral do HIV entre reclusos e agentes penitenciários”, mas também “avaliar comportamentos de risco associados” àquelas doenças, bem como avaliar o acesso e utilização de serviços de prevenção, testagem e tratamento para essas doenças.

“Os resultados apresentados mostram uma prevalência de sífilis em 10,9% em reclusos e 3,6% em reclusas. Relativamente à supressão viral, 94% de reclusos que vivem com o HIV conhecem o seu sero-estado, dos quais 84,1% estão em tratamento antirretroviral, e 76,3% alcançaram a supressão viral. Em reclusas, 98,4% das que vivem com o HIV conhecem o seu sero-estado, 96,1% estão em tratamento antirretroviral e 76,1 por cento atingiram a supressão viral%, lê-se na informação do INS.

“É nossa expectativa que o estudo possa contribuir para melhorar o acesso aos cuidados e tratamento, apoiar as intervenções relacionadas com a prevenção positiva e reforçar intervenções sociais e comportamentais para a prevenção da infeção por HIV e infeções de transmissão sexual entre a população reclusa, incluindo a importância do uso dos mecanismos de prevenção aconselhados”, comentou, sobre este estudo, o diretor-geral do Sernap, António Augusto Maurice.

O inquérito foi realizado em 22 estabelecimentos penitenciários do país, entre março de 2022 a agosto do mesmo ano, envolvendo 1.069 reclusos, 99 reclusas e 135 agentes penitenciários, sendo que, em média, foram envolvidos 56 reclusos e seis agentes penitenciários em cada estabelecimento selecionado. O estudo contou com a colaboração e apoio do Fundo Global, Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, a Family Health International, Ariso entre outras entidades.

Trata-se do segundo inquérito bio-comportamental de género realizado em Moçambique, segundo o INS, após o realizado em 2011, com os resultados de então a apontarem para uma prevalência de HIV de 23,1% em reclusos e 36% em reclusas. Em relação à sífilis, a prevalência foi na altura de 15,6% em reclusos e 21% em reclusas.

LUSA/HN

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