CRI de obesidade do São João junta peritos e clínicos em fórum sobre gestão do SNS

11 de Janeiro 2024

O Centro de Responsabilidade Integrada (CRI) de Obesidade do Hospital de São João mais do que triplicou as cirurgias em cinco anos, uma realidade que será partilhada no fórum dedicado à gestão do SNS que começa hoje no Porto.

“Este é um excelente exemplo de um tipo de gestão focada na autonomia e na interdisciplinaridade. O que é que os CRI podem oferecer à reorganização do SNS? Capacidade de fixação de profissionais. Capacidade de resposta e de aumento de atividade clínica”, disse à agência Lusa o responsável pelo CRI-Obesidade do São João, Eduardo Lima da Costa.

Em jeito de balanço de cinco anos de atividade e de antecipação a um fórum que junta hoje e sexta-feira, na Fundação Cupertino Miranda, clínicos nacionais e internacionais, bem como peritos nas áreas de gestão e economia da saúde, gestores e administradores hospitalares, Eduardo Lima da Costa contou que o CRI-Obesidade que dirige desde 2022 passou de 170 cirurgias metabólicas anuais para “muito próximo” das 1.000 atualmente.

“O objetivo comum é aumentar e melhorar o tratamento cirúrgico da obesidade. Este é o maior centro de tratamento de obesidade da Península Ibérica e um dos maiores da Europa. O objetivo é chegar às 1.300 cirurgias por ano”, referiu.

O CRI-Obesidade do Centro Hospitalar Universitário de São João, estrutura que transitou para uma das novas Unidades de Saúde Locais (USL) criadas pelo Governo, uma reorganização do SNS que entrou em vigor a 01 de janeiro, foi criado em 2019 quando a procura e lista de espera por cirurgia metabólica era muito elevada.

Em causa está o tratamento da obesidade e do síndrome metabólico, problemas considerados “endémicos em Portugal e no mundo ocidental”, como vincou, à Lusa, o cirurgião.

Com 52 colaboradores – assistentes operacionais, psicólogos, nutricionistas, enfermeiros, cirurgiões, endocrinologistas, gestores – este CRI funciona num modelo de colaboração horizontal, privilegiando as equipas multidisciplinares, sendo “razoavelmente autónomo”.

“Acredito que há vários aspetos dos CRI que podem ser adaptados e generalizados ao SNS. A relação dos CRI com as ULS é um desafio. Vejo isso com otimismo. Prevejo algumas vantagens nesta convivência de modelos de gestão do SNS”, referiu o responsável.

Eduardo Lima da Costa reconhece que os CRI “têm uma estrutura híbrida que à primeira vista pode parecer não se encaixar em ULS”, mas diz ter “a certeza que isso já está pensado e as ULS estão já preparadas para abarcar os CRI”, aproveitando as potencialidades de um modelo que fixa profissionais no SNS e contribui para o aumento de produção.

“A realidade do CRI-Obesidade [do São João] não é cor-de-rosa. Também temos problemas e vamos discuti-los e ser honestos quanto a isso. Os CRI não pretendem ser um SNS 2.0. Não penso que a evolução vá passar exclusivamente pelos CRI. Os CRI são soluções para áreas específicas, normalmente com uma intervenção multidisciplinar com vantagens numa organização mais horizontal dos recursos humanos e em áreas prioritárias”, resumiu.

No fórum que hoje começa, pretende-se refletir sobre os novos desafios de gestão no SNS e o impacto das ULS, abordando temas como a dedicação plena ou formas de financiamento.

A sessão de abertura conta com o pioneiro dos CRI, Manuel Antunes, e no segundo dia participam peritos internacionais em cirurgia bariátrica e metabólica, com o objetivo de definir novas linhas de orientação nacionais no tratamento de casos particularmente severos de obesidade.

Sobre o tratamento da obesidade, que “nunca deve depender apenas da cirurgia, mas tem início na prevenção”, o cirurgião disse que “a cirurgia é de longe a forma mais eficaz e sustentada no tempo de tratar a obesidade, o síndrome metabólico e doenças associadas”, como risco cardiovascular, diabetes ou risco mesmo o oncológico acrescido.

“O nosso propósito é oferecer apoio terapêutico a doentes que já ultrapassaram um conjunto de condições em que medidas conservadoras teriam efeito. Oferecemos melhor qualidade de vida aos pacientes, maior autoconfiança no seu posicionamento na sociedade e oferecemos mais anos de vida”, concluiu.

LUSA/HN

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