Estudo diz que bactérias intestinais que mais influenciam a obesidade diferem em homens e mulheres

3 de Abril 2024

A microbiota intestinal é formada por uma comunidade de microrganismos, desde bactérias e vírus até fungos, sendo que um desequilíbrio nos diferentes grupos bacterianos influencia o aparecimento e desenvolvimento da obesidade, com diferenças consideráveis entre homens e mulheres.

Esta é a conclusão de uma investigação realizada por cientistas espanhóis e que será apresentada no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO), que se realizará de 12 a 15 de maio em Veneza (Itália), noticiou esta terça-feira a agência Efe.

A equipa liderada pela Universidade de Navarra realizou um estudo combinado de dados fisiológicos, metagenómicos e metabolómicos numa população espanhola, para compreender os mecanismos pelos quais estes microrganismos estão envolvidos no desenvolvimento da obesidade.

O estudo indica que a microbiota intestinal que prevê o índice de massa corporal (IMC), a circunferência da cintura e a massa gorda é diferente em homens e mulheres, sugerindo portanto que as intervenções para ajudar a prevenir uma microbiota favorável à obesidade podem ter de ser diferentes para ambos.

A investigação incluiu 361 voluntários adultos (251 mulheres e 110 homens, com idade média de 44 anos) do estudo espanhol Obekit, um ensaio randomizado que examina a relação entre variantes genéticas e a resposta a uma dieta hipocalórica.

Os participantes (65 com peso normal, 110 com sobrepeso e 186 com obesidade) foram classificados de acordo com um índice de obesidade (IO) que levou em consideração parâmetros como percentual de gordura ou circunferência da cintura. Também garantiram que os participantes de ambos os grupos coincidissem em sexo e idade.

O próximo passo foi traçar o perfil genético da microbiota para identificar os diferentes tipos, composição, diversidade e abundância relativa de bactérias presentes nas amostras de fezes dos participantes.

A análise revelou que os indivíduos com um IO alto eram caracterizados por níveis significativamente mais baixos de Christensenella minuta, uma bactéria que tem sido consistentemente associada à magreza e à saúde.

Nos homens, a maior abundância das espécies Parabacteroides helcogenes e Campylobacter canadensis foi “fortemente associada” ao maior IMC, massa gorda e circunferência da cintura.

No caso das mulheres, a maior abundância de três espécies de Prevotella (micans, brevis e sacarolitica) foi “altamente preditiva” de maiores IMC, massa gorda e circunferência da cintura, mas não nos homens.

“As nossas descobertas revelam como um desequilíbrio nos diferentes grupos bacterianos pode desempenhar um papel importante no aparecimento e desenvolvimento da obesidade, com diferenças consideráveis entre os sexos”, referiu Paula Aranaz, da Universidade de Navarra e primeira signatária da investigação.

A investigadora, citada pela Associação Europeia para o Estudo da Obesidade, acredita que é necessária mais investigação para melhor perceber quando pode ocorrer a mudança para uma microbiota intestinal favorável à obesidade e, portanto, o momento certo para possíveis intervenções.

Os autores apontam algumas limitações do seu estudo, como o pequeno tamanho da amostra (especialmente no caso dos homens) e o facto de ter sido realizado apenas numa zona de Espanha.

O clima, a geografia, a dieta e a cultura influenciam o microbioma intestinal, pelo que os resultados podem não ser generalizáveis para outras populações.

LUSA/HN

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