Marília Cravo sobre a DII: “Se quisermos mudar a história da doença devemos utilizar biológicos”

16 de Maio 2024

A vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) realçou esta quinta-feira a importância das terapêuticas biológicas na Doença Inflamatória do Intestino (DII), defendendo que em muitos casos pode resultar na cura. 

No âmbito da sessão “Os Desafios na Doença Inflamatória do Intestino”, realizada no XXIII Congresso de Nutrição e Alimentação, que decorre hoje em Lisboa, Marília Cravo salientou o papel das terapêuticas biológicas.

A especialista, que moderou o debate, defendeu o acesso em tempo útil a terapêuticas inovadoras. Em declarações ao HealthNews destacou que “cada vez mais vemos que as terapêuticas biológicas estão a ser indicadas a um maior número de doentes.”

De acordo com Marília Cravo, quando estes tratamento surgiram eram “indicados para doentes que não respondiam às terapêuticas convencionais, mas hoje em dia vemos como 50% dos doentes com Colite Ulcerosa são tratados com biológicos.”

“Se o nosso objetivo for mudarmos a história da doença devemos utilizar terapêuticas biológicas”, frisou.

Apesar desta “grande evolução” a nível da medicação, os fármacos biológicos só podem ser prescritos no Serviço Nacional de Saúde, algo que não é visto com bons olhos por parte da vice-presidente da SPG.

Infelizmente, o acesso aos biológicos nos hospitais privados não é possível. Ao contrário da dermatologia e da reumatologia, este tipo de fármacos não pode ser prescrito numa unidade de saúde privada. Isto não é bom para a saúde dos portugueses. Embora as terapêuticas biológicas possam ser prescritas no SNS, sabemos que muitos doentes têm dificuldades em ter acesso a uma primeira consulta… Portanto, se há doentes que têm seguro e que podem ser seguidos no privado o acesso deveria ser facilitado. Cada vez mais estamos a ver que os utentes se dirigem ao privado”, enfatizou.

A doença inflamatória intestinal abrange a Doença de Crohn e a Colite Ulcerosa. Estas doenças envolvem o tubo digestivo, manifestando-se habitualmente com diarreias crónicas, sangramento nas fezes, dores abdominais, falta de apetite e emagrecimento.

HN/VC

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