Investigador da Universidade do Algarve edita livro sobre tiroide e Covid-19

Investigador da Universidade do Algarve edita livro sobre tiroide e Covid-19

A publicação centra-se na relação entre tiroide e Covid-19 e pretende oferecer novos dados clínicos e epidemiológicos sobre o impacto da pandemia no eixo endócrino da tiroide.

Reportando que doenças como o hipotireoidismo, a tireoidite subaguda destrutiva, a tireoidite de Hashimoto, a tireoidite associada a doenças autoimunes, ou outras doenças graves, estão entre as anomalias da tiroide mais frequentemente associadas à Covid-19, o investigador levanta algumas questões: se devemos rastrear a disfunção da tiroide durante a Covid-19, se a infeção por Covid-19 é mais frequente ou mais grave em pacientes com disfunções da tiroide, se a Covid-19 pode induzir as disfunções da tiroide ou autoimunidade da tiroide, se a doença da tiroide pode afetar o prognóstico de pacientes com Covid-19, se as vacinas Covid-19 podem afetar a função da tiroide e qual a melhor forma de tratar um paciente afetado.

Tendo em conta que a tiroide é um dos órgãos com mais recetores moleculares que o vírus da Covid-19 usa para infetar as células humanas, compreender estes aspetos e o seu impacto na saúde humana é de crucial importância.

Com foco em investigações recentes sobre a interação entre tiroide e Covid-19, o e-book procura refletir sobre algumas destas questões, trazendo a público trabalhos científicos originais sobre a temática.

Mais informação disponível aqui.

PR/HN/RA

Desvendadas alterações que aumentam risco de desenvolver cancro gástrico hereditário

Desvendadas alterações que aumentam risco de desenvolver cancro gástrico hereditário

Em comunicado, o instituto do Porto revela hoje que o estudo, publicado na revista Lancet Oncology, identificou as alterações no gene CDH1 que “especificamente aumentam o risco de desenvolvimento dos cancros associados à síndrome de cancro gástrico difuso hereditário”.

A síndrome de cancro gástrico difuso hereditário, causada por alterações no gene CDH1, afeta perto de 50 mil pessoas por ano em todo o mundo, sendo que os portadores dessas alterações apresentam um elevado risco de desenvolver cancro do estômago (homens) e da mama (mulheres) em idade jovem.

Quando conhecida a causa genética da doença, a prevenção e sobrevida dos doentes são maximizadas se o estômago ou mama forem removidos profilaticamente após os 18 anos e antes de a doença se manifestar.

Na investigação foram estudadas as diversas variantes que ocorrem no gene CDH1 e provado que “apenas as alterações que eliminam a produção de Caderina-E aumentam o risco de desenvolver cancro da mama e cancro do estômago”, esclarece, citada no comunicado, a investigadora Carla Oliveira.

A clarificação das variantes do gene da Caderina-E que acarretam maior propensão de desenvolver a síndrome e os tipos de cancro mais prevalentes permitem “repensar os critérios clínicos para teste genético, no sentido de melhorar a gestão clínica de famílias portadoras destas variantes”, salienta, também citado no comunicado, o primeiro autor do artigo, José Garcia-Pelaez.

“Ao clarificarmos as mutações especificas no gene CDH1 que constituem um risco real para o indivíduo e quais as mutações que não são preocupantes, conseguimos avançar com três novos critérios clínicos, a somar aos atualmente utilizados, que ajudarão a identificar famílias em risco”, acrescenta o investigador.

O estudo abrangeu dados de 854 doentes portadores de 398 variantes raras diferentes do gene CDH1, assim como mais de 1.000 familiares que foram seguidos clinicamente e desenvolveram cerca de 2.000 cancros, acrescenta Carla Oliveira, notando que este foi um “trabalho multicêntrico”, ao recorrer a dados de 29 laboratórios de 10 países europeus.

Para a realização do estudo, os investigadores recorreram ainda a informação dos testes genéticos e dados clínicos disponíveis na Rede Europeia de Referencia em Síndromes de Risco de Tumores (ERN-GENTURIS).

As conclusões deste estudo “permitem propor critérios clínicos mais assertivos que maximizam a identificação de famílias em risco para esta síndrome”, salienta também a investigadora.

Estes novos critérios clínicos serão validados entre pares na próxima reunião do consórcio do projeto que reúne especialistas internacionais e decorrerá no Porto em 2024.

“As implicações não são apenas no sentido preventivo individual, estamos a falar de uma síndrome de cancros hereditários, ou seja, que tem implicações familiares, afetando os doentes e, com grande probabilidade, também os seus familiares de sangue”, acrescenta Carla Oliveira, lembrando que o estudo pode ajudar inúmeras famílias a tomar decisões informadas para a gestão individual de risco.

Além dos parceiros europeus da ERN-GENTURIS, a investigação contou com a participação dos grupos de investigação “Population Genetics & Evolution” e “UnIGENe” do i3S, do Ipatimup Diagnósticos e de equipas do Centro Hospitalar Universitário de São João, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, IPO-Porto, GenoMed, Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra e Porto Comprehensive Cancer Centre Raquel Seruca.

LUSA/HN

Prémio FAZ Ciência: 5.ª edição abre candidaturas

Prémio FAZ Ciência: 5.ª edição abre candidaturas

Ao projeto vencedor será atribuída uma bolsa entre os cinco e os trinta e cinco mil euros, valor a decidir pela Comissão de Avaliação em função das candidaturas apresentadas.

Esta é a 5.ª edição do Prémio FAZ Ciência, uma iniciativa da Fundação AstraZeneca. Maria do Céu Machado, presidente da Fundação AstraZeneca, refere que “Portugal tem grandes investigadores e projetos de investigação, que merecem ser reconhecidos e apoiados”. “Só assim poderemos contribuir para a inovação e desenvolvimento de novas terapêuticas, que irão permitir tratar melhor os doentes oncológicos.”

Os projetos serão avaliados por uma Comissão de Avaliação composta por cinco especialistas na área da Oncologia: José Carlos Machado, professor na Faculdade de Medicina do Porto e vice-presidente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup); Bruno Silva Santos, professor associado com agregação da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e vice-diretor e investigador principal do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (IMM); Cláudia Faria, investigadora no Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (IMM); José Pedro Carda, hematologista e membro da Sociedade Portuguesa de Hematologia; e António Araújo, diretor do Serviço de Oncologia do Centro Hospitalar do Porto.

As candidaturas deverão ser enviadas por email para premiofazciencia@astrazeneca.com, até dia 28 de fevereiro. O regulamento está disponível na página da Fundação AstraZeneca, em www.astrazeneca.pt.

Investigadores da UC desenvolvem estratégia para melhorar avaliação do risco cardiovascular

Investigadores da UC desenvolvem estratégia para melhorar avaliação do risco cardiovascular

Em nota de imprensa enviada hoje à agência Lusa, a UC explicou que a investigação científica se centrou em “técnicas de fusão de informação e inteligência artificial”, envolvendo um modelo de avaliação de risco – denominado GRACE, na sigla em inglês, o mais utilizado na prática clínica em Portugal aquando da admissão de doentes em contexto hospitalar – que foi atualizado, passando a incorporar novos fatores de risco, como o nível de hemoglobina.

A UC adiantou que o modelo atualmente utilizado baseia-se em oito fatores de risco registados na admissão hospitalar: “idade, frequência cardíaca, pressão arterial sistólica, creatinina, classe Killip, estado de paragem cardíaca, marcadores cardíacos elevados e desvio do segmento ST no eletrocardiograma”.

A avaliação é realizada ponderando os oito fatores, o que resulta numa pontuação que define a categoria de risco (baixo, intermédio ou alto), frisou a equipa de investigadores do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

O artigo científico tem como autores Afonso Neto, aluno de doutoramento do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da FCTUC, Jorge Henriques e Paulo Gil, investigadores do CISUC, e José Pedro Sousa, médico cardiologista do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

A universidade acrescentou que o modelo GRACE “pode ser considerado uma ferramenta de prevenção secundária, sendo habitualmente aplicado a pacientes no momento da admissão hospitalar, resultante da ocorrência de um episódio de síndrome coronária aguda (enfarte de miocárdio)”.

“O objetivo deste modelo é estimar a probabilidade de morte ou de um novo evento de enfarte de miocárdio num determinado período de tempo, geralmente no mês seguinte ou nos próximos seis meses”, vincou.

No entanto, o GRACE, segundo o investigador do CISUC, “é um modelo que apresenta algumas limitações, nomeadamente devido à utilização de um número incompleto de variáveis (fatores de risco) no cálculo do prognóstico”.

A investigação, denominada GRACE PLUS, concluiu que “existem fatores de risco não contemplados no GRACE” original, nomeadamente o nível de hemoglobina no momento de admissão do doente no hospital.

“Começámos por investigar formas de adicionar ao modelo GRACE novos fatores de risco, identificados pelo nosso parceiro clínico (CHUC), com potencial para melhorar a precisão do prognóstico, tais como a hemoglobina na admissão e marcadores de inflamação”, contextualizou Jorge Henriques, investigador do CISUC.

“Para manter a interpretabilidade do novo modelo e, por consequência, a sua confiança, percecionada pela equipa clínica, foi definido como requisito adicional manter a forma como na prática clínica o GRACE é utilizado, sendo este sujeito a um fator de correção, considerando a contribuição de novos fatores de risco, daí a justificação de GRACE PLUS”, precisou Jorge Henriques.

A ferramenta agora desenvolvida permite “melhorar a avaliação do risco cardiovascular e, dessa forma, proporcionar um suporte mais fundamentado à decisão clínica em contexto real sem, no entanto, alterar a forma como essa decisão é atualmente efetuada pelos profissionais”, garantiu.

Por outro lado, esta abordagem permitiu “determinar para cada indivíduo o fator de correção ótimo a adicionar ao GRACE, tendo em conta o valor particular de hemoglobina, de forma a maximizar a precisão de estratificação determinada pelo modelo original”.

Os autores do estudo argumentaram que, para além da melhoria da caracterização do risco cardiovascular, outra das vantagens adicionais do GRACE PLUS “consiste em potenciar a aplicação de cuidados de saúde proporcionais ao real risco que o doente apresente no momento da admissão hospitalar, podendo contribuir para uma gestão efetiva de terapêuticas e de recursos humanos”.

LUSA/HN

Politécnico da Guarda cria bebida de frutos vermelhos para prevenir diabetes e inflamações

Politécnico da Guarda cria bebida de frutos vermelhos para prevenir diabetes e inflamações

“Em parceria com empresas da região, os investigadores e estudantes envolvidos no projeto ‘RedFruit4Healt’, financiado em 312 mil euros pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), irão desenvolver um produto com benefícios medicinais que possa ser comercializado com recurso a produtos endógenos da Beira Interior”, referiu o IPG, em comunicado enviado à agência Lusa.

Segundo Luís da Silva, investigador no IPG e coordenador do projeto, a cereja e o mirtilo “são conhecidos por serem uma grande fonte de nutrientes e pelos vários benefícios que apresentam para a saúde, desde as propriedades anti-inflamatórias até à prevenção da diabetes”.

“Na conceção da bebida que temos em vista, vamos realizar ensaios clínicos para garantir que o produto que vier a ser produzido mantém as propriedades originais das frutas vermelhas utilizadas”, disse.

O projeto “RedFruit4Healt” também prevê a criação de menus saudáveis inspirados na dieta mediterrânica para serem acompanhados pela nova bebida.

Os menus, que também incluirão produtos endógenos da região, serão depois integrados nos setores de restauração local e em cantinas escolares.

“Sendo a desnutrição um dos maiores desafios da atualidade, queremos contribuir para um equilíbrio entre a saúde, a nutrição e o que de melhor a nossa região tem para oferecer”, afirmou Luís da Silva.

A equipa de investigação do IPG está a trabalhar em parceria com as produtoras agrícolas Cerfundão e Beira Berry, e com a 7.cbafruit, empresa que produz e distribui sumos de fruta.

O projeto tem ainda como parceiros a Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, o Polo de Inovação da Covilhã, a INOVA+, a Associação de Agricultores para Produção Integrada de Frutos de Montanha, o laboratório Egianálise, o grupo hoteleiro Esquila Real e os restaurantes Tertulimbatível e Nevão de Estrelas.

“Este projeto mostra bem como a política que o Politécnico da Guarda adotou de contratar recursos humanos altamente qualificados para investigarem e produzirem conhecimento, ciência e inovação em parceria com o tecido empresarial da região, está a produzir bons resultados”, afirmou Joaquim Brigas, presidente do IPG.

Neste caso, as condições edafológicas da Guarda, a conjugação dos seus solos com o seu clima, “estão a ser colocadas ao serviço, quer da economia da região, quer da aprendizagem e da produção de conhecimento por parte dos alunos”, reconheceu.

“Liderar este projeto ‘RedFruit4Healt’ fortalece o compromisso do Politécnico da Guarda em colocar a inovação e a investigação ao serviço da economia e do tecido social local e nacional”, disse Joaquim Brigas.

O “RedFruit4Healt” foi apresentado na semana passada, na Quinta de Ciência Viva para Agricultura Biológica, em Idanha-a-Nova, Castelo Branco, na presença do primeiro-ministro, António Costa, da ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, da ministra da Agricultura e Alimentação, Maria do Céu Antunes, da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, e do secretário de Estado do Ensino Superior, Pedro Teixeira.

Na cerimónia foram apresentados os seis projetos contratualizados no âmbito da iniciativa “Alimentação Sustentável” da Agenda de Inovação Terra Futura.

LUSA/HN

Estudo diz que plantar mais árvores reduziria mortes nas cidades no verão em um terço

Estudo diz que plantar mais árvores reduziria mortes nas cidades no verão em um terço

Uma equipa de investigação de Barcelona descobriu que das 6.700 mortes prematuras nas cidades europeias em 2015, um terço destas (2.644) poderia ter sido evitada caso o número de árvores urbanas tivesse aumentado em 30%.

Os investigadores também descobriram que a sombra fornecida pelas árvores reduziu as temperaturas urbanas numa média de 0,4 graus durante o verão.

“Já sabemos que as altas temperaturas em ambientes urbanos estão associadas a resultados negativos para a saúde, como insuficiência cardiorrespiratória, internamentos hospitalares e mortes prematuras”, realçou a principal autora do estudo, Tamara Lungman, do Instituto de Saúde Global de Barcelona.

O objetivo da investigação, acrescentou a especialista, é “informar as autoridades sobre os benefícios de integrar estrategicamente as infraestruturas verdes no planeamento urbano de forma a promover ambientes urbanos mais sustentáveis e resilientes e contribuir para a adaptação e mitigação das alterações climáticas”.

Para chegar a estas conclusões, os investigadores estimaram as taxas de mortalidade de residentes com 20 anos ou mais em 93 cidades europeias entre junho e agosto de 2015, em cerca de 57 milhões de habitantes no total.

Depois de analisar os dados, com base em dois modelos de estudo diferentes, concluíram que 6.700 mortes prematuras poderiam ser atribuídas a temperaturas urbanas mais quentes durante os meses de verão, 4,3% da mortalidade no verão e 1,8% da mortalidade anual.

Uma em cada três destas mortes (2.644) poderia ter sido evitada com um aumento de até 30% na cobertura arbórea e, portanto, com a redução da temperatura, destacam os investigadores no estudo.

Segundo a análise, isso corresponde a 39,5% de todas as mortes atribuídas a temperaturas urbanas mais quentes, 1,8% de todas as mortes no verão e 0,4% das mortes anuais.

Os resultados da investigação sustentam a ideia de que a arborização urbana resulta em benefícios substanciais para a saúde pública e meio ambiente, embora os autores reconheçam que o aumento da arborização deve ser combinada com outras intervenções, como a mudança de materiais de superfície para reduzir as temperaturas noturnas, a fim de maximizar a redução das temperaturas urbanas.

“Os nossos resultados sugerem que há grandes impactos na mortalidade devido às temperaturas mais altas nas cidades, e que esses impactos podem ser parcialmente reduzidos aumentando a cobertura fornecida por árvores para ajudar a arrefecer os ambientes urbanos”, sublinhou, por sua vez, o coautor do trabalho, Mark Nieuwenhuijsen, diretor de Planeamento Urbano, Meio Ambiente e Saúde do Instituto de Saúde Global de Barcelona.

LUSA/HN