Health Cluster Portugal recomenda criação de instituto autónomo para gerir o SNS

Health Cluster Portugal recomenda criação de instituto autónomo para gerir o SNS

O Estudo sobre a Organização e o Financiamento do Sistema de Saúde em Portugal faz uma análise do setor nos últimos anos, e apresenta um conjunto de recomendações, entre as quais a criação de um instituto autónomo, capacidade de gestão e execução autónoma das funções de gestão do SNS e do orçamento alocado a esse fim.

O estudo do ISEG/EY que irá hoje ser apresentado propõe uma reforma em duas fases: uma numa lógica de curto médio prazo, visando dar resposta expedita a alguns dos problemas identificados e outra numa lógica de médio longo prazo, visando uma reformulação mais ambiciosa e complexa da organização e financiamento do sistema de saúde português, semelhante à ocorrida já em alguns países.

Defende também o reforço do estatuto da Entidade Reguladora da Saúde enquanto entidade independente, a todos os níveis, garantindo que as regras de licenciamento e de funcionamento do sistema e a respetiva fiscalização sejam iguais para todas as entidades, independentemente da sua natureza jurídica ou entidade titular da gestão.

O estudo propõe ainda que o orçamento público da saúde possa ser plurianual com horizonte superior ao da legislatura e defende ainda “o reforço das competências dos gestores no SNS, conferindo-lhes uma efetiva capacidade de atuação e permitindo-lhes uma gestão mais eficiente, ágil, adaptada às necessidades locais, com responsabilização e avaliação”.

Sinaliza também a necessidade de rever o regime de convenções, visando garantir regras de acesso e de funcionamento iguais para todas as entidades do sistema de saúde, bem como transparência, concorrência justa e estabilidade financeira e jurídica nos contratos celebrados.

Propõe ainda a necessidade de apostar na digitalização de todos os processos e estimular a profissionalização das áreas ligadas à I&D e aos Ensaios Clínicos no SNS enquanto aposta estratégica do país, com vista a promover a adoção de boas práticas internacionais nos cuidados de saúde e a sustentabilidade do sistema nacional de saúde.

Segundo a análise apresentada, a despesa total da saúde em Portugal encontra-se aquém da média da União Europeia, tanto em termos per capita como em percentagem do PIB (segundo dados da OCDE e do Eurostat, em 2017, a despesa em saúde em Portugal representava 9% do PIB, face à média de 9,9% na UE28).

“O SNS português é particularmente vulnerável à instabilidade inerente aos processos de decisão política, à definição de prioridades orçamentais e à concorrência de outros serviços públicos pelo financiamento”, referem os autores do estudo.

Os autores recordam ainda que o setor da saúde foi um dos principais visados no Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), implementado em Portugal entre 2011 e 2014.

“Durante o PAEF, verificou-se uma redução dos gastos públicos em saúde, tanto em termos absolutos como em percentagem do PIB. Muito em resultado das restrições orçamentais, o SNS tem vindo a registar um aumento da dívida hospitalar, uma dilatação do prazo de pagamento a fornecedores e uma crescente dificuldade de recrutamento, colmatadas com medidas ad hoc de regularização” refere.

Em 2019, o SNS apresentou um défice orçamental de 620,9 milhões de euros, sinaliza.

Portugal tem também, de acordo com os dados apresentados, uma das taxas de financiamento público da saúde mais baixas da UE (66,3% face a uma média de 79,3% na UE em 2017).

Destes 66,3% de financiamento público, uma parcela de 4,2% corresponde à ADSE.

“A redução da despesa pública em saúde teve como contrapartida o aumento das despesas privadas, particularmente das despesas diretas das famílias, levando a um maior esforço financeiro por parte das mesmas”, refere.

O ‘out of pocket’ (o valor pago pelas famílias) é inclusivamente a segunda rubrica de despesa em saúde mais representativa em Portugal (27,5% do total em 2017).

LUSA/HN

Casal detido em Vale de Cambra por violar confinamento obrigatório

Casal detido em Vale de Cambra por violar confinamento obrigatório

“No decorrer de ações de policiamento destinadas a verificar o cumprimento do confinamento obrigatório, os militares da Guarda, no dia 26 de setembro, deslocaram-se à residência de um homem de 62 anos, onde verificaram que este se tinha ausentado do domicílio, violando a medida determinada pelas autoridades de saúde”, revela a GNR numa nota de imprensa.

Após contacto com o infrator, a GNR apurou que este se encontrava no interior de um estabelecimento de restauração e bebidas, na localidade de São Pedro de Castelões, no mesmo concelho.

Numa outra situação, na segunda-feira, os militares verificaram que a mulher, de 61 anos, não se encontrava na sua residência, tendo sido localizada na localidade de Ossela, no concelho de Oliveira de Azeméis.

“Em ambas as ocorrências, após garantido o regresso às respetivas residências, os suspeitos foram detidos e constituídos arguidos, tendo os factos sido remetidos ao Tribunal Judicial de Vale de Cambra”, refere a mesma nota.

A violação do confinamento obrigatório constitui crime de desobediência, sendo punível com pena de prisão até um ano e quatro meses ou pena de multa até 160 dias.

 A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão de mortos e mais de 33,4 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.957 pessoas dos 74.029 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

LUSA/HN

Calçado inadequado põe em causa saúde dos idosos

Calçado inadequado põe em causa saúde dos idosos

De acordo com Francisco Oliveira Freitas, podologista responsável pelo Centro de Podologia de Famalicão a escolha do calçado tem influência da saúde dos idosos. “A sua função não é de todo estética e por isso a escolha deve recair por um calçado que ajude a manter a estabilidade; a proteger o pé e o tornozelo do agravamento de certas doenças, como úlceras no pé – lesões ou feridas ligadas a um dano da pele, unha ou tecidos profundos; e a prevenir quedas e acidentes domésticos.”

É por isso que defende que “o calçado deve adequar-se corretamente à morfologia e ao tamanho dos pés e ao tipo de atividade que se pretende realizar”.

O calçado deve ainda permitir a respiração do pé para precaver micoses – fungos que se desenvolvem e causam infeções na pele e nas unhas.

O especialista explica, por outro lado, que “a adoção de um calçado antiderrapante e com uma sola robusta é indispensável para os idosos, pois faz toda a diferença na prevenção de quedas e acidentes domésticos, e por isso mesmo estes cuidados não devem ser negligenciados. Deve evitar-se calçado de tacão alto e não deve utilizar calçado com a sola desgastada.

Para Francisco Oliveira Freitas, a saúde dos idosos deve ter em conta a visita regular ao podologista, uma vez que “existem doenças que se não forem detetadas e tratadas a tempo podem ter efeitos nefastos na mobilidade dos idosos, na sua postura e consequentemente na sua qualidade de vida.”

PR/HN/Vaishaly Camões

Sociedade Portuguesa de Cardiologia oferece rastreios no Dia Mundial do Coração

Sociedade Portuguesa de Cardiologia oferece rastreios no Dia Mundial do Coração

A ação de sensibilização surge no âmbito do Dia Mundial do Coração e está integrada na campanha com o tema “Enfarte: o Colesterol pode dar o alerta”, com o objetivo de sensibilizar a população para a importância do colesterol nas doenças cardiovasculares.

Para além dos rastreios gratuitos, que medem o colesterol e outros parâmetros que podem contribuir para o risco cardiovascular – como o cálculo do IMC, a verificação do perímetro abdominal, etc  –, será possível consultar a infraestrutura em forma de artéria gigante na praça centra do Alegro Alfragide, com informações sobre o efeito do colesterol na saúde cardiovascular.

A par com a ação de sensibilização no centro comercial Alegro Alfragide, a SPC vai lançar ainda uma campanha digital com a participação de vários influencers e em parceria com os Cinemas NOS, que dura de 1 a 7 de outubro.  Esta campanha visa a importância de vigiar os níveis de colesterol, a saúde cardiovascular e prevenir estas patologias através da adoção de uma alimentação e estilo de vida saudáveis.

“Segundo dados do Ministério da Saúde 63,3% dos portugueses entre os 25 e os 74 anos apresentam níveis elevados de colesterol. Em Portugal, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 29,5% das mortes, sendo que o enfarte do miocárdio mata, em média, 12 pessoas por dia. Ter o colesterol muito elevado pode significar estar em risco iminente de sofrer um enfarte do miocárdio ou um acidente vascular cerebral (AVC)”, alerta o Dr. Vitor Gil, presidente da SPC.

“O colesterol elevado é um inimigo silencioso da saúde cardiovascular. Quando ocorrem desequilíbrios entre os níveis dos dois tipos de colesterol, o HDL e o LDL, dá-se a acumulação de depósitos de gordura nas artérias, o que, ao longo do tempo, leva ao seu progressivo estreitamento resultando no bloqueio do fluxo sanguíneo, originando doença cardíaca ou cerebral”, salienta.

 

PR/João Marques

57% dos portugueses considera que o vírus dificultou acesso aos cuidados de saúde

57% dos portugueses considera que o vírus dificultou acesso aos cuidados de saúde

Os dados do estudo “Acesso a cuidados de saúde em tempos de pandemia”, realizado pela GFK Metris e apresentado hoje na Ordem dos Médicos, referem que esta situação resulta de “uma experiência efetiva”: 692 mil portugueses não realizaram as consultas médicas que estavam marcadas.

“A quase totalidade das consultas não realizadas foram canceladas pelas unidades de saúde”, refere o estudo promovido pelo “Movimento Saúde em Dia – Não Mascare a Sua Saúde”, uma iniciativa da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) e da Ordem dos Médicos (OM).

O estudo visou auscultar as opiniões e captar as perceções dos portugueses sobre a pandemia Covid-19 e o seu impacto no acesso a cuidados de saúde, tendo sido realizado com base em questionários presenciais, entre 28 de agosto e 07 de setembro, com uma amostra representativa da população portuguesa, constituída por mais de mil pessoas maiores de 18 anos residentes em Portugal Continental.

Segundo o inquérito, cerca de dois milhões de portugueses tiveram algum ato médico marcado durante a pandemia (março a agosto), a maioria (89%) consultas, enquanto 23% tinham exames, 5% uma cirurgia programada e 3% internamento.

“Embora a maioria dos 664 mil portugueses que se sentiram doentes durante a pandemia – 454 mil, ou seja, 69% – tenha recorrido aos cuidados de saúde, três em cada 10 (210 mil ou 31%) não o fizeram”, referem os autores do estudo em comunicado.

Cerca de 40% dos inquiridos diz que recorreria de certeza a cuidados de saúde durante a pandemia em caso de necessidade, 35% afirma que só recorria se a situação fosse grave e mais de 22% refere que “provavelmente recorreria”.

Metade dos participantes refere que se sente seguro e confortável no acesso a cuidados de saúde. Quem sente insegurança, aponta o receio de contágio como principal motivo para evitar uma ida ao médico.

O estudo também quis perceber de que forma os portugueses aceitaram a telemedicina, tendo concluído que 775 mil tiveram uma consulta médica por este meio, com 90% a realizá-la.

“No entanto, em 95% destes casos as consultas foram feitas por telefone, não configurando uma efetiva consulta de telemedicina – menos de 5% dessas teleconsultas envolveram transmissão de imagem”, salienta o estudo.

Sublinha ainda que, “apesar de a experiência ter sido considerada muito satisfatória, a verdade é que dois terços não gostariam de voltar a ter esta solução em nenhuma situação ou só em casos muitos excecionais”.

Para outro terço, a teleconsulta só poderia ser uma opção em algumas consultas. Só 2% das pessoas gostariam de manter a teleconsulta em todas ou quase todas as ocasiões.

O Movimento Saúde em Dia foi lançado no início de setembro pela OM e pela APAH, em parceria com a Roche, com o objetivo de alertar a população para “a importância de estar atenta a sintomas e sinais que precisem de observação médica, mas sem esquecer também as regras já conhecidas para combater a pandemia”.

LUSA/HN