INEOS poderá abdicar do Tour se medidas contra o vírus forem insuficientes

17 de Abril 2020

A INEOS, equipa dos três últimos vencedores da Volta a França em bicicleta, poderá não alinhar na prova, como medida de prevenção face à pandemia de covid-19, reconheceu hoje o seu diretor, Dave Brailsford

“Reservar-nos-emos o direito de retirar a equipa [do Tour] caso o consideremos necessário”, assumiu o ‘patrão’ da formação britânica em declarações ao The Guardian, pontuando que essa decisão drástica só aconteceria se os responsáveis da INEOS sentissem que as medidas postas em práticas pelos organizadores da Volta a França contra o novo coronavírus não estavam a desenvolver-se de forma “preventiva, inteligente e responsável”.

A Volta a França, inicialmente prevista entre 27 de junho e 19 de julho, foi esta semana adiada para o período entre 29 de agosto e 20 de setembro, devido à pandemia da covid-19.

“Uma vez que a corrida está agendada, planeamos participar, mas iremos monitorizar a evolução da situação, como fizemos antes do Paris-Nice. Esta é uma abordagem sensível, responsável e razoável”, estimou Dave Brailsford.

A equipa britânica, anteriormente denominada Sky, venceu todas as edições da Volta a França desde 2012, com exceção da de 2014 (conquistada pelo italiano Vincenzo Nibali), e tem nas suas fileiras os últimos três vencedores da ‘Grande Boucle’: o colombiano Egan Bernal, o campeão em título, e os britânicos Geraint Thomas, vencedor em 2018, e Chris Froome (2013, 2015, 2016 e 2017).

Sobre este último, o diretor da INEOS, numa entrevista ao The Times, considerou mesmo que poderá ser um dos maiores beneficiados do adiamento do Tour, uma vez que teria mais tempo para ‘apurar’ o seu estado de forma e recuperar definitivamente das sequelas da grave queda que sofreu em junho de 2019 no Critério do Dauphiné.

“Chris Froome está a trabalhar arduamente em casa, no ginásio e nos rolos. Passa muitas horas a trabalhar e isso custa. Creio que ele encara como uma oportunidade o adiamento do Tour e pensa que pode treinar mais do que os outros neste período, o que lhe poderá dar uma pequena vantagem”, analisou.

O britânico, de 34 anos, voltou à estrada, após oito meses de ausência, na Volta aos Emirados Árabes Unidos, prova que terminou abruptamente devido à pandemia do novo coronavírus.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 145 mil mortos e infetou mais de 2,1 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 465 mil doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa quatro mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

LUSA

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