Mais de metade dos profissionais de saúde apresenta sinais de ‘burnout’ e stress

1 de Junho 2020

Um estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que, durante o "combate" à pandemia da covid-19, mais de metade dos profissionais de saúde apresentaram sinais de ‘burnout’, stress e ansiedade.

Em comunicado, a FMUP adianta hoje que o estudo, também desenvolvido por investigadores do CINTESIS e da Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto (ESE.P.Porto), mostrou que 52% dos profissionais de saúde referem estar em “’burnout’ por causa do trabalho que desenvolvem”.

“Os profissionais que estão na linha da frente do combate são os mais afetados, evidenciando sinais significativamente mais elevados não só de ‘burnout’, mas também de stress e de ansiedade”, refere a FMUP, adiantando que estes são “resultados preliminares”.

O estudo, intitulado “Impacto da covid-19: o papel da resiliência na depressão, na ansiedade e no ‘burnout’ em profissionais de saúde”, conclui ainda, com base num questionário ‘online’, que 51% dos profissionais de saúde estão “em exaustão física ou psicológica” e que 35% “apresentam mesmo elevados níveis de exaustão”.

Citadas no comunicado, Inove Duarte e Carla Serrão, investigadoras da FMUP e da ESE.P.Porto, respetivamente, afirmam que os resultados mostram que a covid-19 “resultou na exacerbação de problemas ao nível da saúde mental, com particular impacto emocional e físico nos profissionais de saúde que se encontram na linha da frente”.

Segundo as investigadoras, a exposição dos profissionais a “exigências sem precedentes”, como a mortalidade elevada, o racionamento de equipamentos de proteção individual, a pressão, o medo de contágio e dilemas éticos, são algumas das razões apontadas para esta exaustão dos profissionais de saúde.

No entanto, apesar da exaustão física e psicológica, cerca de 80% dos profissionais “consideram-se capazes de enfrentar situações difíceis e potencialmente stressantes”.

O questionário, realizado entre o dia 09 e 18 de maio, contou com a participação de 1.500 profissionais de saúde, entre os quais médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos e técnicos de diagnóstico.

Dos 1.500 inquiridos, 28% trabalham diretamente com pessoas infetadas com o novo coronavírus, 23% já fizeram o teste à infeção e 75% consideram ter os equipamentos de proteção individual necessários para o desempenho das suas funções.

Segundo a FMUP, o grupo de investigadores vai agora debruçar-se sobre as características que poderão interferir nas “diferenças registadas ao nível da saúde mental dos profissionais que se encontram na linha da frente contra a covid-19” e dos que não estão diretamente envolvidos.

Portugal contabiliza pelo menos 1.424 mortos associados à covid-19 em 32.700 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Relativamente ao dia anterior, há mais 14 mortos (+1%) e mais 200 casos de infeção (+0,6%).

O número de pessoas hospitalizadas desceu de 474 para 471, das quais 64 se encontram em unidades de cuidados intensivos.

O número de doentes recuperados é de 19.552.

LUSA/HN

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