Medo do COVID-19 mantém mais de metade dos casos de ataque cardíaco longe dos hospitais

5 de Junho 2020

O número de pacientes que procuram cuidados hospitalares na sequência de ataques cardíacos caiu mais de 50% durante o surto de COVID-19, de acordo com um questionário intensivo da Sociedade […]

O número de pacientes que procuram cuidados hospitalares na sequência de ataques cardíacos caiu mais de 50% durante o surto de COVID-19, de acordo com um questionário intensivo da Sociedade Europeia de Cardiologia (SEC). As conclusões foram publicadas no European Heart Journal – Cuidados de Qualidade e Resultados Clínicos (EHJ-QCCO) e disponibilizadas online.

“Esta é a prova mais forte até agora do dano colateral causado pela pandemia. Medo de contrair o coronavírus significa que, mesmo a meio de um ataque cardíaco possivelmente mortal, as pessoas têm demasiado medo para irem ao hospital e submeterem-se a um tratamento que os pode salvar. Tem havido uma falta de tranquilização da opinião pública relativamente aos esforços feitos para manter os hospitais limpos para os doentes sem COVID-19”, disse o presidente da SEC, a professoram Barbara Casadei.

“Ainda assim, o risco de morrer de ataque cardíaco é muito maior do que o de morrer de COVID-19. Mais ainda, morte cardíaca é altamente evitável se os pacientes que sofrem de ataques cardíacos recorrerem ao hospital para tratamento. O que estamos a testemunhar é a perda de vidas. A nossa prioridade tem que ser impedir isto de acontecer. Vamos continuar a salvar as vidas que sabemos como salvar”.

O inquérito da SEC a 3.101 profissionais de saúde em 141 países foi conduzido a meio de abril.

Nos ataques cardíacos mais severos, conhecidos como enfarte do miocárdio com elevação do segmento ST, uma das artérias principais do coração fica bloqueada. Tratamento urgente com medicamentos anticoagulantes ou fibrinolíticos restaura o fluxo sanguíneo, salva vidas e impede invalidezes. O atraso na resposta pode causar dados irreversíveis ao músculo do coração, aumentando substancialmente o risco de falha cardíaca e morte.

A vasta maioria dos médicos e enfermeiros dos hospitais que responderam ao questionário revelaram uma queda no número de pacientes com estes ataques cardíacos mais graves nos hospitais, quando em comparação com o período pré-covid-19. Em média, a queda foi de 50%. Em adição, a maioria das respostas dizia que dos pacientes que recorriam aos hospitais, 48% chegava mais tarde que o habitual e para além da janela ótima para o tratamento urgente.

Num outro inquérito dirigido a cardiologistas de intervenção, os médicos que recorrem a fibrinolíticos para abrir astérias descobriram um aumento de 28% em complicações capazes de por em risco a vida de pacientes com ataques cardíacos durante a pandemia.

Este levantamento conduzido pela Associação Europeia de Intervenções Percutâneas Cardiovasculares (AEIPC), uma associada da SEC, questionou mais de 600 cardiologistas de intervenção de 84 países durante as duas primeiras semanas de abril. Perto de metade dos correspondentes disseram que a restauração da circulação sanguínea foi adiada devido ao medo do COVID-19, uma situação provável de conduzir à morte prematura e incapacidade.

“Os atrasos que vimos em pacientes com ataques cardíacos que foram ao hospital têm consequências significativamente perigosas”, disse o presidente da AEIPC, Professor Dariusz Dudek. “Pacientes que não se apresentam prontamente estão em condições bem piores quando finalmente chegam ao hospital, e é normalmente tarde demais para beneficiar dos tratamentos que podemos oferecer”.
“Não se atrasem se tiverem sintomas de ataque cardíaco: liguem para o número de emergência”, explicou o professor Dudek. “Todos os minutos contam”.

O estudo da AEIPC também revelou que o número de outros procedimentos reduziu drasticamente durante a pandemia. “Intervenções nas válvulas cardíacas e outros procedimentos têm que recomeçar assim que a situação local de COVID-19 o permitir. Temos que evitar sofrimento e mortes sem sentido”, diz o professor Dudek.
Para a professora Casadei, “o medo dos pacientes de serem infetados com Coronavírus só por irem ao hospital tem que ser tratado. Tem que se garantir que o risco de contrair o vírus no hospital foi minimizado para os pacientes admitidos com ataques cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais. Se tem dores no peito ou sintomas de ataque cardíaco como dor na garganta, no pescoço, na barriga ou nos ombros há pelo menos 15 minutos chame uma ambulância.

Lembre-se que a mortalidade do COVID-19 é 10 vezes menor do que a de um ataque cardíaco não tratado. E que o tratamento urgente para o ataque cardíaco funciona”.

NR/HM/João Daniel Ruas Marques

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