A Contar COVIDES

10 de Junho 2020

Confesso sentir-me muito confuso – e preocupado – com algumas incongruências que tenho vindo a constar relativamente a medidas de proteção contra a Pandemia por Covid 19 adotadas pelas autoridade. 

Em princípio – digo para mim mesmo – perante duas situações semelhantes, devem ser tomadas medidas equiparadas. Não é isso, todavia, o que tem acontecido em Portugal, com as autoridades a adotarem medidas diferentes perante situações semelhantes.

Aliás, nem consigo mesmo identificar uma hierarquia de comando na gestão desta crise. É o Presidente da República, o Primeiro-Ministro, o Ministro da Administração Interna, a da Saúde, a do Trabalho mais os presidentes de câmara, de freguesias e os párocos?

A verdade é que ao longo deste tempo estranho em que temos vivido, todos eles deram “palpites” e mesmo ordens com impacto no terreno.

Veja-se o caso do autarca de Ovar, que a 17 de março impôs uma cerca sanitária aos 21814 (dados de 2011) munícipes, que durante um mês tinham, literalmente, a tropa às portas para impedir algum de se escapulir à decisão do edil  Salvador Malheiro, que acrescentou às regras do curral a obrigatoriedade dos borregos  usarem máscaras e que os funcionários dos estabelecimentos comerciais, poucos, que se manteriam abertos ao público, teriam de manter entre si uma “distância mínima de três metros”. Uma singularidade absoluta, já que no resto do país a ordem era para um “chega-para-lá” de 2 metros. Dir-me-ão que quem decidiu montar o curral foi, não o Edil, mas o Conselho de Ministros. É verdade, mas os gritos de Salvador Malheiro garantiram que assim fosse… E a sua convicção de que as contas da DGS, que à data apontavam para 55 casos no Concelho estavam erradas. Que na verdade havia em Ovar 111 casos confirmados de infeção por Covid19.

Bom e agora, vamos ao que interessa: Justifica-se, ou não, fazer da Região Metropolitana de Lisboa um enorme Curral, seguindo os critérios adotados em Ovar?

Vamos a contas: dados de 2011 informam que a Zona Metropolitana de Lisboa tem 2.884.000 habitantes. Já a de Ovar, à data da crise, contava com 29765 almas. Se aplicarmos a regra de três simples, chegamos à conclusão de que na Capital a taxa de infeção é de 0,47% e a de Ovar, à data do encurralamento da população era de 0.37%. Já agora, a da Azambuja, neste momento, é de 0.39%.

Ou seja, se os critérios fossem universais, Lisboa reunia as condições para se tornar um imenso curral. O mesmo com a Azambuja e certamente com muitas outras regiões do país.

Mas não. Lisboa, não pode virar curral, afirma o Primeiro-Ministro (em uníssono o eco da Ministra Marta Temido).

E claro está, não tínhamos condições para transportes públicos (a distância de separação imposta em Ovar foi de 3 metros).

Enfim….. Vamos indo e fazendo contas, que isto de nos quererem aborregar a todos tem o que se lhe diga.

MMM

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