Colesterol baixa no Ocidente mas aumenta na Ásia

18 de Junho 2020

Os níveis de colesterol estão em rápido declínio nas nações ocidentais, mas estão a aumentar em países onde a população dispõe de menores rendimentos – em particular na Ásia, de acordo com um estudo global que envolve investigadores da Universidade de Gotemburgo. O novo estudo, que reúne centenas de investigadores de todo o mundo, foi […]

Os níveis de colesterol estão em rápido declínio nas nações ocidentais, mas estão a aumentar em países onde a população dispõe de menores rendimentos – em particular na Ásia, de acordo com um estudo global que envolve investigadores da Universidade de Gotemburgo.

O novo estudo, que reúne centenas de investigadores de todo o mundo, foi liderado pela Imperial College de Londres e publicado na Nature. Um dos autores é Annika Rosenfren, professora de Medicina na Academia Sahlgrenska da Universidade de Gotemburgo.

A investigação científica utiliza dados de 102,6 milhões de indivíduos de 200 países ao longo de 39 anos, de 1980 a 2018.
O trabalho financiado pela Wellcome Trust e pela Fundação Britânica para o Coração, revelou que os altos níveis de colesterol são responsáveis por cerca de 3,9 milhões de mortes anualmente. Metade dos óbitos acontecem no Este, Sul e Sudoeste Ásiatico.

Melhoria da situação nos países Ocidentais
O colesterol é uma substância cerosa que pode ser encontrada no sangue de que o corpo precisa para a construção de células saudáveis, embora em demasia se acumule nos vasos sanguíneos.

Pode-se apresentar de diversas formas. A lipoproteína de alta densidade (HDL), conhecida como o “bom colesterol”, deve situar os seus valores em 1mmol/L ou mais e pensa-se que tenha um efeito protetivo contra ataques cardíacos e AVC ao limpar do corpo algum do “mau colesterol”.

Aquele colesterol que não é HDL, o tal “mau colesterol” que deve ser mantido nos níveis mais baixos possível, pode bloquear as artérias e dar origem a ataques cardíacos e AVC. Este tipo de colesterol esta normalmente suscetível a dietas com alto teor de gorduras saturadas e trans, que podem ser encontradas em comidas processadas, ao contrário das mais saudáveis – gorduras insaturadas. Estes níveis podem ser reduzidos com recurso a medicação.

Os resultados do novo estudo revelaram que os níveis de colesterol total e do “mau colesterol” caíram a pique nos países onde a população usufrui de maiores rendimentos, particularmente no Noroeste da Europa, América do Norte, América do Norte e Australásia. Alguns dos países onde a situação melhorou são a Bélgica, Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia, Suíça e Malta.

Ao mesmo tempo, os níveis de “colesterol mau” têm vindo a subir nas nações com baixos e médios rendimentos, particularmente no Este e Sudoeste Asiático. A China, que tinha um dos níveis mais baixos deste colesterol em 1980, apresenta uma das maiores taxas de crescimento ao longo do período de 39 anos analisado pelo estudo. Países com desenvolvimento semelhante são a Malásia, as Filipinas e a Tailândia.

Fatores de risco importantes do colesterol não HDL
Os investigadores frisam que é necessário aplicar medidas globais de que digam respeito ao preço e regulação capaz de alterar dietas para que sejam mais ricas em gorduras não saturadas, e que habilitem os sistemas de saúde a cuidar os pacientes em risco com medicamentos eficazes. Fazê-lo pode salvar milhões de pessoas de uma morte relacionada com níveis elevados de “colesterol mau” em todas estas regiões.

Na Suécia os níveis de colesterol não HDL no sangue diminuiu cerca de um terço entre 1980 e 2018. O homem médio passou de ter 4.8 mmol/L para 3.5 mmol/L, enquanto os valores médios na mulher passaram de 4.8 mmol/L para 3.3 mmol/L. Nas mulheres, a redução observada na Suécia foi a terceira maior em todo o mundo.

“O colesterol não HDL é um fator de risco importante para ataques cardíacos e, quando associada ao decréscimo do consumo de tabaco, torna-se visivelmente importante na redução da mortalidade por ataque cardíaco. Entre 1987 e 2018, a mortalidade de um ataque cardíaco foi reduzida em 80%”, explica Annika Rosengren.

NR/HN/João Daniel Ruas Marques

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