Estudo internacional descobre três potenciais novos alvos para tratamento da epilepsia

2 de Julho 2020

Um estudo internacional de larga escala descobriu três moléculas que têm potencial utilização para novos medicamentos para a epilepsia.

As descobertas são um importante passo para descobrir novos medicamentos para pessoas com epilepsia em quem as crises não podem ser controlados com os tratamentos correntes.

O estudo foi liderado por investigadores da FutureNeuro, do Centro de Investigação para Doenças Neurológicas Raras e Crónicas da Fundação Irlandesa para a Ciência (SFI), e pela Universidade de Medicina e Ciências da Saúde RCSI. É o resultado de sete anos de pesquisa que envolveram contribuições de 35 cientistas de campos da neurociência, genética, ciências computacionais e química sintética, com base em oito países europeus diferentes. A investigação está publicada no número atual da publicação Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), dos Estados Unidos.

Num dos maiores projetos sequenciais do seu género, os investigadores identificaram e mediram os níveis de mais de mil milhões de vertentes de microRNAs, pequenas moléculas que controlam a atividade dos genes no cérebro para investigar se teriam sofrido alterações com a epilepsia. Foi descoberto um pequeno conjunto de microRNAs que estariam sempre em níveis elevados na epilepsia, e desenhadas moléculas semelhantes a medicamentos sintetizadas por químicos do grupo para que possam atacar estes microRNAs.

Os testes pré-clínicos concluíram que três destas moléculas sintéticas são capazes de parar as crises. Ao mesmo tempo, simulações de computador demonstraram como os tratamentos potenciais influenciaram redes de moléculas dentro das células cerebrais ao alterar a resposta inflamatória, parte do sistema imunitário do cérebro que é pensada contribuir para os ataques.

“A nossa abordagem à descoberta do medicamento conduziu-nos a novos tipos de moléculas que podem ser utilizadas como alvo para prevenir crises com, esperamos, menos efeitos secundários”, explicou a Dra. Cristina Reschke, investigadora da FutureNeuro e palestrante honorária na RCSI, e co-autora líder do trabalho de investigação. “Atualmente, a maioria das drogas utilizadas para tratar a epilepsia funciona ao bloquear os sinais que as células cerebrais usam para comunicar. Isto resulta em muitos dos efeitos secundários experienciados por pessoas com epilepsia”.

A epilepsia é uma das mais comuns doenças cerebrais crónicas, afetando mais de 40 mil pessoas só na Irlanda, e 65 milhões de pessoas em todo o mundo. As pessoas com epilepsia estão mais vulneráveis a crises repetidas, enquanto para a maioria das pessoas estas crises podem ser suprimidas. Existem mais de 20 medicamentos disponíveis para prevenir as crises em pessoas com epilepsia, mas o progresso abrandou nos anos recentes e os novos tratamentos oferecem poucos benefícios em relação aos anteriores.

“Ao caraterizar e identificar como alvo toda uma nova classe de moléculas na epilepsia esperamos desenvolver novas e inovadoras estratégias de tratamento para a epilepsia do lóbulo temporal”, disse o Dr. Gareth Morris, membro da Marie Sklodowska-Curie Actions na FutureNeuro e uma das autoras do documento. “Isto é um importante passo para satisfazer as urgentes necessidades clínicas para um terço das pessoas a quem as crises são resistentes aos medicamentos atualmente disponíveis”.

O autor sénior do estudo, o professor David Henshall, Diretor da FutureNeuro e professor de Psicologia Molécular e Neurociencias na RCSI disse que “o projeto é um grande exemplo de ciência de equipa, em que grupos com diferentes áreas de especialidade se combinam para criar soluções inovadoras que mantêm os pacientes com epilepsia como o seu foco central. As descobertas aqui podem apenas ser a ponta do icebergue para novas estratégias no tratamento da epilepsia. “Estou muito otimista que isto se possa traduzir na clínica”.

NR/HN/João Daniel Ruas Marques

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