Estudo mostra como as células de gordura humanas são afetadas pela idade

2 de Julho 2020

No Instituto Karolinska, na Suécia, foi pela primeira vez possível conduzir um estudo de prospeção em humanos, que fornece novas informações sobre como as nossas células cancerígenas reduzem o metabolismo lípido com a idade

O conhecimento sobre como o tecido gorduroso é afetado pela idade tem sido definido ao longo do tempo através de estudos em ratos. No Instituto Karolinska, na Suécia, foi pela primeira vez possível conduzir um estudo de prospeção em humanos, que fornece novas informações sobre como as nossas células cancerígenas reduzem o metabolismo lípido com a idade. O estudo foi publicado no jornal científico Cell Metabolism.

À medida que envelhecemos vão acontecendo muitas mudanças nos nossos órgãos capazes de afetar a função psicológica. Estudos anteriores, em ratos, mostraram que os macrófagos do tecido adiposo começam a combater a noradrenalina, uma hormona que estimula a lipólise (processamento de gorduras).

Há muito que se pensa que os humanos possuem um mecanismo semelhante, mas o novo estudo mostra que as mudanças introduzidas pela idade no metabolismo das gorduras operam de forma diferente. Em vez de macrófagos, que são um tipo de célula imune, são as células gordas que combatem a noradrelanina com o passar dos anos.

“Ficámos surpreendidos por ver esta diferença entre animais e humanos”, disse Mikael Rydén, consultor sénior e professor de investigação clinica e experimental no tecido adiposo no Instituto Karolinska e um dos autores do estudo. “Os estudos mais antigos em ratos estão corretos, mas tem sido difícil fazer trabalho semelhante em humanos, já que precisamos de estudos de prospeção que sigam as mesmas pessoas ao longo do tempo”.

Relação clara com a idade
A base do projeto foi estabelecida há muitos anos, quando num estudo sobre a intervenção da dieta foi conduzido em mulheres com idades entre os 30 e 35 anos, se recolheram amostras de gordura antes, durante e depois da dieta. Agora, mais de 13 anos depois da recolha das primeiras amostras, as mesmas mulheres foram contactadas para um estudo de seguimento.

“As nossas descobertas fornecem os primeiros dados relativos às mudanças no tecido adiposo que são controladas pelo envelhecimento biológico em humanos”, explica Rydén. “O que encontrámos é que a lipólise no tecido adiposo degrada-se com o tempo. Estas mudanças também parecem ser independentes da menopausa ou da gravidez. São simples resultados do envelhecimento”.

O processamento de gorduras afeta a função corporal
Uma percentagem mais baixa de lipólise pode contribuir para o aumento de peso e acumulação de gordura noutros tecidos.
A aterosclerose pode ser um resultado deste processo, por exemplo, tal como mudanças na habilidade do corpo em lidar com frio e fome. Os resultados do estudo são também interessantes de uma perspetiva de saúde pública, sobretudo na obesidade – um problema crescente que deixa pessoas suscetíveis a várias doenças.

“Em tempos, pensou-se que a célula gordurosa fosse relativamente inativa, mas suspeitamos que seja ativa e que controle muito mais do que alguma vez julgámos”, diz Niklas Mejhert, um dos restantes autores sénior do estudo e líder do grupo de trabalho que inclui Rydén no Departamento de Medicina do Instituto Karolinska. “Se conseguirmos regular a acumulação de gordura de uma forma mais controlada, isso poderá trazer grandes vantagens”.
Mais estudos celulares nos planos.

Os resultados do estudo, que explicam porque é que o tecido adiposo se torna menos eficaz e como a lipólise diminui com a idade, são de interesse para os esforços feitos para encontrar tratamentos futuros capazes de melhorar a função do tecido adiposo.

“Agora planeamos examinar a forma como diferentes células no tecido gorduroso são afetadas pela idade”, continua Rydén. “Isto é particularmente interessante no que toca a células estaminais, que têm a única e importante habilidade de se renovar e reparar lesões. É algo que estamos interessados em seguir”.

O estudo foi conduzido com incentivos do Programa de Investigação Estratégica do Instituto Karolinska para a Diabetes, da Fundação Knut e Alice Wallenberg, do Concelho de Investigação Sueco, e da Fundação Novo Nordisk.

NR/HN/João Daniel Ruas Marques

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