Trabalhadores com dificuldades em chegar ao emprego por falta de combustível na Venezuela

23 de Setembro 2020

O presidente da Câmara Venezuelana de Centros Comerciais (Cavececo) disse esta quarta-feira que o comércio no país está a sentir os efeitos da falta de combustível no país, com os trabalhadores com dificuldades em chegar ao emprego por falta de combustível.

“Esta é uma das semanas mais difíceis, das que têm sido de flexibilização. Devido à escassez de combustível tudo se torna mais difícil, mas, ainda assim, dentro da Venezuela, Caracas é uma ‘bolha’ e um ‘paraíso’”, afirmou aos jornalistas Freddy Cohen.

Esta é mais uma semana de abertura controlada, no âmbito do programa venezuelano preventivo da Covid-19, que prevê “7×7, sete dias de flexibilização e sete dias de quarentena estrita”.

Segundo Freddy Cohen, na ilha de Margarita (nordeste do país), “há 18 dias que os consumidores não conseguem nada de combustível” e em algumas zonas da Venezuela as pessoas “estão a obter gasolina de segunda qualidade, a preços loucos (muito elevados) por litro e pirateada”.

“Além de afetar-nos, isto afeta também o comércio, porque as pessoas já não querem deslocar-se de um sítio a outro. Os empregados têm dificuldades para chegar ao local de trabalho”, declarou.

O presidente da Cavececo adiantou que “80% das lojas dos centros comerciais” venezuelanos “estão abertas” e que as grandes superfícies instalaram “um dispositivo de biossegurança em que é medida a temperatura dos visitantes, é-lhes dado gel antibacteriano para as mãos e há que cumprir o distanciamento físico”.

Ainda assim, a câmara estima que “uma percentagem importante” das 500 mil pessoas que trabalhavam em centros comerciais foi afetada pela pandemia da Covid-19, adiantando que “muitas lojas estão a encerrar definitivamente” devido à quarentena.

Para Freddy Cohen, os comerciantes nestes espaços “estão a fazer um esforço importante e por isso as lojas estão abastecidas, apesar de as vendas não serem muitas”, mas reconheceu que o setor está a passar por um “mau momento”.

O empresário esclareceu que os venezuelanos preferem os centros comerciais porque têm bancos, podem pagar os serviços, além de fazer compras e poderem comprar comida preparada.

Nas últimas semanas, as filas para obter combustível multiplicaram-se em várias regiões da Venezuela, com a população a queixar-se de que, mesmo a preços internacionais, há cada vez mais dificuldades para abastecer.

Caracas diz que as sanções impostas pelos EUA são um ataque à soberania que “trouxe graves prejuízos a todo a indústria energética, afetando em maior medida o sistema de refinação e produção de combustíveis”.

Já a oposição acusa o Governo de ter “desmantelado” a indústria petrolífera e de ter feito acordos prejudiciais com a China e a Rússia.

Em 01 de junho, o Governo venezuelano fixou pela primeira vez o preço dos combustíveis em dólares norte-americanos, com subsídios para alguns setores básicos.

LUSA/HN

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