João Valente Nabais Vice-Presidente da Federação Internacional da Diabetes, Professor Auxiliar da Universidade de Évora, Assessor da Direção da APDP

Uma vacina para a Covid-19 para a mesa do canto se faz favor!

12/16/2020

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Uma vacina para a Covid-19 para a mesa do canto se faz favor!

16/12/2020 | Opinião

Temos vacinas para a covid-19!! Habemus vacinas!! Vamos todos marcar na agenda o dia 5 de Janeiro de 2021 como o dia do princípio do fim (lento) da pandemia!! Definitivamente um motivo de alegria e satisfação que permite olhar o futuro de uma forma mais positiva no que diz respeito à pandemia. Mas….o que vai permitir combater a pandemia não é haver vacina é as pessoas serem vacinadas! Isso vai exigir um esforço de promoção, planeamento e execução significativo.

O plano de vacinação foi apresentado no dia 3 de Dezembro e, para já, está previsto que as pessoas com diabetes com mais de 50 anos sejam vacinadas na segunda fase, a começar durante o segundo trimestre de 2021, sendo as restantes pessoas com diabetes vacinadas na terceira fase. Seguramente que algumas pessoas com diabetes serão vacinadas na primeira fase do plano por estarem nos grupos considerados prioritários. Este plano não está totalmente fechado e irá evoluir conforme as necessidades e com os conhecimentos que forem sendo adquiridos. A inclusão de 4 associações de doentes crónicos, em representação das associações de doentes, no grupo de trabalho que está a delinear e coordenar o plano de vacinação é um sinal muito positivo de aproximação às pessoas de maior risco e, caso a contribuição das associações seja tomada em devida consideração, uma mais valia para um plano mais robusto e consistente. As associações incluídas são a Liga Portuguesa Contra o Cancro, a Respira, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) e a Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas.

Numa primeira fase a vacinação será maioritariamnete efectuada nos Centros de Saúde e nos Lares e Unidades de Cuidados Continuados. E se os centros de vacinação fossem alargados? E se a APDP fosse um centro de vacinação, talvez já na segunda fase? Se é possível, não sei. Se seria desejável, sim. Se seria útil, sim, para aliviar a pressão nos Centros de Saúde e para garantir uma vacinação com maior rapidez e mais alargada.

A vacina não é um remédio milagroso imediato e ainda vai demorar longos meses a se conseguir atingir um nível de imunidade de grupo adequado, pois não é possível vacinar toda a gente num curto espaço de tempo. Em 2021 vamos todos ter que continuar com as medidas de proteção e prevenção de contágios, designadamente uso de máscara, distanciamento físico, lavar as mãos com frequência e a tão falada etiqueta respiratória. Contudo, todos esperamos que ao longo do ano progressivamente a vida volte aos ritmos e modos que estávamos habituados.

Aliado a um sistema suficientemente robusto de distribuição e administração da vacina será necessário apostar numa forte campanha de promoção da vacinação. Ainda há alguma desconfiança e incerteza nas vacinas desenvolvidas em tempo recorde pela indústria farmacêutica. A Agência Europeia do Medicamento (EMA) tem reiteradamente afirmado que a segurança das vacinas é um aspeto fundamental na sua avaliação e que este aspeto está devidamente salvaguardado. Esta Agência tem no seu sítio da internet uma explicação muito interessante da razão de estas vacinas estarem a ser desenvolvidas e aprovadas num espaço de tempo tão curto. Os mais interessados podem visitar o sítio

https://www.ema.europa.eu/en/human-regulatory/overview/public-health-threats/coronavirus-disease-covid-19/treatments-vaccines/covid-19-vaccines-development-evaluation-approval-monitoring

Em traços muito gerais a rapidez deveu-se a um conjunto de factores como por exemplo à mobilização massiva de recursos humanos e financeiros, a um acompanhamento muito próximo da EMA em todo o processo de ensaios clinicos, à condensação da linha de tempo das várias fases dos ensaios clinicos e ao fato de a indústria ter começado a produzir em larga escala as vacinas enquanto decorriam os ensaios clinicos de fase III. Nos meses que se vão seguir, será efetuado o habitual processo de farmacovigilância pós-comercialização com a monitorização dos largos milhões de vacinas a serem administradas. Os conhecimentos adquiridos neste processo vão permitir estarmos mais preparados para combater com maior celeridade as pandemias vindouras.

Pessoalmente tenho toda a confiança que as vacinas produzidas são seguras e eficazes, que são uma arma crucial e determinante para terminar com a atual pandemia.

Eu quero ser vacinado assim que seja possível e chegar à minha vez! Uma vacina para a covid-19 para a mesa do canto se faz favor!

 

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