O problema era expetável. Perante uma nova pandemia, a corrida a uma vacina eficaz era inevitável. É também isso que acontece nos dias que correm, com dezenas de vacinas em diferentes fases de desenvolvimento e com muitas dúvidas sobre os mais diversos aspetos do medicamento, sobretudo sobre a segurança e eficácia.

A primeira a surgir, ainda em agosto de 2020, foi a russa, batizada de Sputnik V em referência ao primeiro satélite espacial russo, lançado em 1957, que deixou verdes de inveja os concorrentes norte-americanos.

Pese a rapidez, ou por via desta, e à falta de transparência sobre as pesquisas e testes realizados instalou-se o ceticismo dentro e fora do país. Um receio agravado pelo facto de o próprio presidente Vladimir Putin não ter sido imunizado. E na Rússia, se Putin não adere, ninguém arrisca. Uma dúvida que se começa a desvanecer quase seis meses após o lançamento do imunizante. Milhares de russos começaram a tomar a vacina, Putin incluído e até o jornalista do serviço russo da BBC Oleg Boldyrev.

A situação é hoje muito diferente. Há russos à espera de serem vacinados e os amigos húngaros (aqueles tipos governados por um primo afastado do tipo do CHEGA) também aderiram.

A verdade é que a Hungria, ainda que (por asneira dos 27) seja membro da União Europeia e como tal se tenha comprometido a não furar filas e a aceitar o plano conjunto de aquisição da Comissão Europeia, não hesitou em aderir à novidade soviética (A Alemanha também meteu a pata no poça). E já vai adiantada na imunização da população, com a aquisição de 2 milhões de Sputniks. A que mais recentemente se veio juntar a chinesa, já aplicada a mais de 40 milhões de chineses, sem que se haja notícia de algum deles se ter transformado em jacaré, como vaticinou o inenarrável Bolsonaro. A verdade é que a vacina chinesa é a mais utilizada no Brasil (já foram vacinados mais de 5 milhões de pessoas), e em alguns dos seus vizinhos, como o Chile ou o peru. Para se ter uma ideia da hegemonia, a cada 100 doses entregues ao Ministério da Saúde brasileiro, 83 são da CoronaVac e apenas 17 são da vacina de Oxford. Até à última quinta-feira tinham sido distribuídas pelos estados 10.900.120 doses. Pelo mesmo caminho segue a Turquia : Até 23 de janeiro, a Turquia vacinou 1,23 milhão de cidadãos. Fahrettin Koca, o ministro da Saúde local, foi o primeiro cidadão turco a receber a vacina chinesa. A Indonésia, que no momento usa apenas o imunizante desenvolvido pela Sinovac, já aplicou 1,25 milhão de doses.

Para azedar ainda mais o esgar ideológico que o Ocidente (a UE e os EUA à cabeça) faz sempre que se fala de investigação russa ou chinesa, a conceituada revista Lancet deu à estampa um estudo que mostra que a vacina russa tem eficácia equivalente a várias vacinas ocidentais, de 92%.

Pese a validação, os dirigentes europeus nada fazem.

-“E o que podem eles fazer?”perguntará o leitor: podem mandar dois berros para a Agencia Europeia do Medicamento para que acelere a análise e aprove as vacinas desenvolvidas por russos e chineses. E mandem passear Oxford e Moderna!!

As camaradas vacinas Já foram utilizadas em mais gente do que o conjunto das ocidentais e tanto quanto se sabe, o jacaré continua a ser uma espécie classificada como “em risco”.

Miguel Múrias Mauritti

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