Cruzamento: Um podcast sobre saúde e digital

06/08/2021
A saúde, o digital e Portugal são os três pilares do podcast Cruzamento. Em todos os episódios, duas vezes por mês, André Correia e Daniel Guedelha saem da sua zona de conforto para explorar a interseção entre as suas áreas profissionais, onde cabem muitas temáticas.

Cruzaram-se na Suíça, há muitos anos, porque ambos aí trabalhavam, cada um na sua área. André Correia é consultor e trabalha na área de transformação digital há mais de 20 anos. Daniel Guedelha formou-se em Engenharia Biológica e, atualmente, trabalha na sede de uma grande empresa farmacêutica, na área de Estratégia Global. Ambos tiraram um MBA e ambos tiveram vontade de sair de Portugal. “Queríamos a experiência internacional”, explicou Daniel, que está no estrangeiro há mais de 12 anos.

A vontade de contribuir para o desenvolvimento de Portugal voou com eles. Ambos acreditam nos portugueses e querem mais para Portugal, e essa “responsabilidade”, como Daniel lhe chama, que sentem para com o seu país fê-los criar o podcast Cruzamento.

“Queríamos fazer alguma coisa” e “dar de volta [a Portugal]”. “Queríamos trazer alguma coisa para dentro do país”, disse André.

O primeiro episódio do Cruzamento foi lançado a 16 de setembro do ano passado, com André já a trabalhar em Portugal, depois de 16 anos fora, e Daniel ainda na Suíça.

Foi numa das visitas de André à Suíça que começaram a pensar em trabalhar juntos e juntar as suas áreas de especialização.

“Estávamos a olhar para os Alpes suíços e começámos a processar. Acaba por ser uma história interessante e mágica”, recordou Daniel, entre risos que contagiaram o colega.

André contou que “surgiu inicialmente a ideia de uma conferência, a INOFARMA, em 2019”, que mostrou haver “muito espaço para este cruzamento das ideias entre o digital e a saúde”. Por isso, depois da conferência, decidiram continuar a lançar debates sobre temas em que as suas áreas se tocam. “Foi pôr as mãos à obra, começar a falar com pessoas e começar a fazer as entrevistas”, acrescentou.

Daniel aproveitou, de seguida, para falar dessa “vontade [de ambos] de fazer acontecer”, uma motivação intrínseca que tornou o processo mais natural, assim como a “grande curiosidade” e a vontade de aprender.

“Decidimos que tínhamos de dar o primeiro passo, tínhamos que fazer acontecer, e que é possível. Não é preciso estarmos em determinadas posições ou com um determinado contexto para fazer acontecer. Basta começar”, afirmou André, que, tal como Daniel, quer motivar os portugueses, inclusive os emigrantes, a avançar com projetos: “A nossa missão sempre foi muito ser uma fonte de inspiração, trazer inovação, trazer criatividade para os nossos ouvintes”. Para além disso, André sublinhou que procuram participar ativamente no combate às fake news, conduzindo conversas informais e descontraídas, mas com “pessoas credíveis”, que, baseando-se em dados, na ciência e em experiência, conseguem passar “mensagens muito complexas” de “forma simples”.

“E não é preciso esperar pelos subsídios europeus. Não é preciso esperar por criar uma associação, uma comissão, uma task force. Basta juntar cabeças, começar a criar valor. E se o nosso país tivesse um pouquinho mais deste fervilhar, eu acho que podíamos criar tanto mais, porque nós portugueses somos muito bons e temos muita qualidade”, assegurou Daniel.

André concordou: “Sabemos [os portugueses] falar inglês, há uma boa qualidade de vida, as pessoas são simpáticas e profissionais, são boas no que fazem”. Portanto, ambos consideram que não falta talento no país.

Mas é preciso “publicitar” mais o cruzamento entre a saúde e o digital, referiu André, e alguns líderes “se calhar precisam um bocadinho de um abanão aqui e ali”, disse Daniel. O Cruzamento serve também para isso, e essa missão já foi congratulada por instituições, organizações e empresas e chamou a atenção de alguns meios de comunicação social.

Portanto, a saúde, o digital e Portugal são os três pilares deste podcast em que não se fala só de saúde, nem se fala só de digital, e também não se fala sempre em português. Em todos os episódios, duas vezes por mês, os entrevistados saem da sua zona de conforto para explorar a interseção entre o mundo do digital e o mundo da saúde, onde cabem muitas temáticas. “Queremos olhar para estes dois temas” – esclareceu Daniel – “de vários ângulos. É isso que nós pretendemos. E temos um stakeholder map, em que estão as várias entidades envolvidas neste processo, e estamos a garantir que estamos a cobrir todos”.

Nestes temas, a dupla vê potencial económico, “que, por sua vez, depois se traduz num potencial de criar melhor qualidade de vida para a população portuguesa”, indicou Daniel. E prosseguiu: “Ainda podemos entrar nesse barco, ser muito competitivos, a nível europeu e global”.

O Cruzamento continuará a fazer a sua parte para que isso aconteça. Se as rotinas se mantiverem, os entrevistadores continuarão a acordar, nos dias de semana, entre as seis e as sete da manhã para trabalharem nos conteúdos e a reunir duas ou três vezes por semana, durante uma hora, para terem episódios com bom conteúdo e bem editados.

As gravações da primeira série, que conta já com 22 episódios divulgados, estão na reta final, mas a série dois já está a ser pensada.

Com esta primeira série, Daniel acha que se tornou “melhor pessoa, um melhor indivíduo, com uma perceção mais global e abrangente deste cruzamento entre a saúde e o digital”.

Por seu lado, André realçou que aprendeu muito sobre “coisas que se passam no podcast, mas que depois se podem extrapolar para outras áreas da nossa vida”.

HN/Rita Antunes

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