16/06/2021 | Nacional, Notícias

Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica defende alargamento da comparticipação de fórmulas para alergia às proteínas do leite de vaca

Na Semana Mundial da Alergia, de 13 a 19 de junho, a Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica chama a atenção para a problemática da alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) e defende o alargamento da comparticipação de fórmulas e a comparticipação das vacinas anti-alérgicas.

Em Portugal, só as fórmulas indicadas para a alergia severa ou grave são comparticipadas, o que sobrecarrega o orçamento familiar das crianças com alergia às proteínas do leite de vaca menos severa, lê-se no comunicado de imprensa da Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica (SPAP).

Promover a equidade entre os diferentes tipos de doentes que sofrem de APLV é essencial, defende a SPAP, que considera importante estender a comparticipação do Estado, de forma a tornar o tratamento mais adequado a todos os doentes, tanto das fórmulas extensivamente hidrolisadas como das elementares.

A SPAP considera ainda que as vacinas anti-alérgicas – único tratamento que altera a história natural da doença alérgica – também deveriam ser comparticipadas.

Em Portugal, cerca de 3% dos bebés têm alergia às proteínas do leite de vaca, sendo que, destes, cerca de 10% têm a forma mais grave da doença.

A diversidade e incompreensão dos sintomas faz com que o diagnóstico demore em média 4 meses, o que compromete o crescimento e desenvolvimento neurocognitivo e afeta a saúde dos bebés e o bem-estar e a harmonia das famílias.

Os sintomas são diversos (choro constante, vómitos, diarreia, eczema, cansaço, etc.), o que dificulta o diagnóstico e compromete a saúde do bebé.

A APLV surge quando o sistema imunológico do bebé rejeita as proteínas do leite, provocando sintomas mais ou menos graves, como os anteriormente referidos. Pode ser inicialmente confundida com cólicas, tanto pelos pais como pelos médicos. No entanto, os sintomas da alergia ultrapassam os problemas intestinais. A principal consequência para as crianças com APLV é a malnutrição progressiva, com implicações no crescimento e no desenvolvimento neurocognitivo, podendo levar a dificuldade respiratória, não esquecendo o risco de morte por anafilaxia.

Por isso, é importante os pais estarem atentos aos sintomas e consultarem o médico logo que possível. Em qualquer caso de alergia, severa ou moderada, os bebés não amamentados devem ser alimentados com fórmulas extensamente hidrolisadas ou elementares, sempre indicadas pelo profissional de saúde, devendo ainda ser evitado o consumo de qualquer alimento que tenha leite na sua composição.

PR/HN/Rita Antunes

 

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