Meia centena de ilegais hospitalizados em Bruxelas após greve de fome e de sede

22 de Julho 2021

Pelo menos 50 migrantes indocumentados, em estado debilitado devido a dois meses de greve de fome em Bruxelas, estão hospitalizados desde quarta-feira, revelou esta quinta-feira a organização não-governamental Médicos do Mundo (MdM).

“Alguns deles tiveram de ser tratados em unidades de cuidados intensivos, em particular por causa de problemas renais”, referiu Michel Genet, diretor da MdM Bélgica, à agência noticiosa France-Presse (AFP).

Quarta-feira, a comissão de apoio aos cerca de 450 migrantes sem documentos que se encontram em greve de fome desde 23 de maio anunciou a suspensão do movimento, após novas conversações com os serviços de imigração belgas.

A suspensão deveria ser respeitada durante o dia de hoje pelos “grevistas” nos três locais que os migrantes clandestinos ocuparam em Bruxelas para concretizarem a greve de fome e de sede, sublinhou Anas Amara, um dos membros da comissão.

Segundo Amara, os três locais deverão manter-se ocupados por mais alguns dias.

Hoje de manhã, faltava obter o acordo para uma “saída da crise” para os cerca de 100 ocupantes de uma sala da Universidade Livre Flamenga de Bruxelas (VUB), na maioria “jovens” estrangeiros em situação irregular, cujos processos são considerados os menos sólidos “em termos legais” na Bélgica, sublinhou Amara.

As autoridades sanitárias começaram já a oferecer sopa e iogurte aos migrantes que estiveram em greve de fome para os ajudar a retomar gradualmente a alimentação, uma vez que o estado de saúde de alguns deles está “debilitado”.

Segundo Michel Genet, desde o anúncio da suspensão da greve, cerca de 50 pessoas tiveram que ser assistidas no hospital, provenientes do grupo de cerca de 250 migrantes ilegais que ocupou uma igreja em Bruxelas.

A avaliação dos internamentos deverá evoluir ao longo do dia, depois de equipas de médicos observarem todos os que se encontram nos dois polos universitários da VUB.

O MDM deu o alarme no domingo sobre a deterioração do estado de saúde dos grevistas, especialmente porque a maioria deles tinha acabado de dar início a uma “greve de sede”.

Os estrangeiros ilegais, especialmente do Magrebe – na sua maioria marroquinos –, exigem uma autorização de residência para evitar serem escoltados de volta à fronteira.

A maioria vive na Bélgica há anos, alguns deles há mais de 10, trabalhando na área da construção civil.

A partir de agora, as autoridades belgas terão de analisar individualmente os casos, “num balanço de elementos positivos e negativos”, sublinhou Amara.

Na ausência de critérios precisos na legislação belga, espera-se uma avaliação mais ampla das “circunstâncias excecionais” que podem dar o direito à regularização.

A forte vaga de contaminação por Covid-19 vivida por certas regiões do Magrebe poderá ser considerada válida para justificar a impossibilidade de regresso aos países de origem.

A 19 deste mês, o porta-voz da União de Imigrantes Indocumentados pela Regularização, Ahmed (preferiu não fornecer o seu apelido), não soube indicar o número de grevistas da fome que radicalizaram a sua posição juntando-lhe greve da sede para exigir ao executivo uma legalização coletiva dos ocupantes da igreja de São João Baptista e de dois dos campus da Universidade Livre de Bruxelas (VUB e ULB, este último ligado ao polo francófono).

A imprensa local noticiou que iniciaram uma greve da sede cerca de 20 dos 430 manifestantes que desde maio tinham deixado de comer para pressionar o Governo e “ter impacto na opinião pública”, disse Ahmed.

Segundo o porta-voz dos imigrantes ilegais, estes intensificaram agora o seu protesto ao ver que a equipa do primeiro-ministro, Alexander De Croo “não está a avançar nem um passo” para uma proposta que desbloqueie a situação.

O secretário de Estado do Asilo e Migração, Sammy Mahdi, recordou a existência de “zonas neutrais”, onde os grevistas podem estabelecer contacto direto com os serviços de estrangeiros, cujas instalações se situam a escassos metros de um dos locais onde estão alojados e onde lhes é possível apresentar um pedido para saber quais as hipóteses que têm de ficar no país.

LUSA/HN

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