Macron e Harris unidos em defesa do multilateralismo contra a pandemia

12 de Novembro 2021

O Presidente francês, Emmanuel Macron, e a vice-presidente norte-americana, Kamala Harris, emitiram esta quinta-feira um apelo conjunto em defesa do poder do multilateralismo contra a pandemia de Covid-19, conscientes de que nenhum país conseguirá superar o problema sozinho.

O Fórum de Paris para a Paz foi o palco deste apelo que deixou claro que a crise de saúde exacerbou desigualdades existentes e ameaçou avanços obtidos em matéria de igualdade de género.

“Este é um momento crucial. Se nos unirmos, não há desafio demasiado grande”, disse Harris, na abertura deste encontro multilateral cuja quarta edição decorre até sábado e que, após anos de boicote da Administração de Donald Trump, conta pela primeira vez com um alto representante norte-americano.

“Estou muito contente por ter os Estados Unidos de volta ao clube multilateral”, disse, por seu lado, Macron, pedindo para que se acelere a doação de vacinas e se reforce tanto os sistemas de saúde dos países mais frágeis como a transparência dessas doações.

O fórum foi criado em 2018 como plataforma na qual chefes de Estado e de Governo, empresários e representantes da sociedade civil pudessem debater os desafios do momento e promover soluções.

No ano passado, centrou-se nas necessidades iminentes criadas pela crise sanitária e, este ano, pôs a tónica nas fraturas que a pandemia provocou ou evidenciou, tanto em matéria económica como social ou digital.

A vice-presidente norte-americana instou a que “se desafie o ‘statu quo’” e atue de forma conjunta a nível global para ultrapassar a pandemia de covid-19, de forma a que possam reduzir-se as atuais desigualdades.

“Enquanto recuperamos desta pandemia, devemos desafiar o ‘statu quo’ e construir algo melhor. A nossa segurança, a nossa saúde e a nossa prosperidade dependem da superação das desigualdades existentes”, disse Harris na abertura do Fórum de Paris para a Paz.

A sua intervenção, a primeira de um representante norte-americano neste encontro multilateral, sublinhou que os avanços até agora efetuados em áreas como a igualdade de género estão ameaçados.

“No século XXI, combater a desigualdade é um imperativo para todos”, acrescentou a vice-presidente, deixando claro que “nenhuma nação pode fazê-lo sozinha”.

A sessão de abertura do encontro reuniu esta quinta-feira na capital francesa chefes de Estado e de Governo de cerca de 30 países que, presencialmente ou à distância, expressaram através das distintas intervenções que os esforços até agora feitos são insuficientes para construir um mundo mais justo.

“Devemos olhar de forma crítica para sistemas fracassados e consertá-los. Em primeiro lugar, atuando em casa”, acrescentou Harris, frisando que a solidariedade não é uma questão de caridade, mas que é “um dever”.

A história “está cheia de líderes que recusam aceitar o ‘statu quo’, que agem, e que por isso mudam o nosso mundo”, acrescentou a vice-presidente dos Estados Unidos, segundo a qual embora sempre tenha havido um fosso entre ricos e pobres ou em matéria de igualdade de género, a pandemia agudizou-as e essa desigualdade crescente “é inaceitável”.

A pandemia de coronavírus SARS-CoV-2 “acabará quando o mundo decidir que termina”, mas “falta vontade política”, sustentou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreysus, acrescentando que o principal é que as vacinas cheguem aos países que não têm as suficientes, sobretudo em África.

Os compromissos alcançados nestes dias não são vinculativos, mas o facto de se juntar no mesmo local, neste caso o espaço La Villette de Paris, atores diversos com poder de decisão contribui para debater a mudança pretendida.

A necessidade de uma ação conjunta concentrou-se também no mundo digital e conseguiu o apoio dos Estados Unidos para o Apelo de Paris para a confiança e a segurança no ciberespaço, lançado a 12 de novembro de 2018.

“Creio firmemente que deve haver consequências quando a segurança e a estabilidade estão ameaçadas no ciberespaço”, defendeu Harris, ao anunciar o seu apoio a essa declaração de alto nível em favor da elaboração de princípios comuns para dotar de maior segurança o espaço digital.

“Num mundo que está mais interligado e que é mais interdependente que nunca, avancemos juntos”, acrescentou a vice-presidente norte-americana, cuja presença em Paris reforça o fim da crise com a França desencadeada quando, em setembro, a Austrália cancelou um contrato de aquisição de submarinos franceses e decidiu, em vez disso, comprá-los aos Estados Unidos.

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