Seis em cada sete pessoas no mundo sentiram-se mais inseguras em 2021

8 de Fevereiro 2022

Seis em cada sete pessoas no mundo afirmaram sentir-se inseguras em 2021, apesar de ter sido o ano em que se registou o maior Produto Interno Bruto (PIB) global da história, alertaram esta terça-feira as Nações Unidas.

“O progresso do desenvolvimento a nível mundial não cria automaticamente uma maior sensação de segurança”, sublinhou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) nas conclusões de um estudo hoje publicado e citado pelas agências internacionais.

Segundo a agência das Nações Unidas, o sentimento de insegurança da população está a aumentar, apesar de os indicadores refletirem um maior desenvolvimento.

Como tal, a agência apela “à promoção da solidariedade e a uma reorientação dos esforços no âmbito do desenvolvimento”.

A pandemia de Covid-19, as mudanças climáticas, a fome, as tecnologias digitais, as desigualdades, a falta de capacidade dos sistemas de saúde para enfrentar novos desafios, além dos conflitos armados, que afetam cerca de 1,2 mil milhões de pessoas no mundo, continuam a criar ansiedade, medo de sofrer escassez ou de não ser capaz de viver com dignidade.

A agência da ONU lembra que a expectativa de vida caiu em todo o mundo, pelo segundo ano consecutivo, devido à pandemia da doença Covid-19, e avisa que as mudanças de temperatura podem causar a morte de 40 milhões de pessoas até ao final do século.

“Apesar dos avanços no desenvolvimento acumulados ao longo dos anos, a sensação de segurança da população está abaixo do mínimo em quase todos os países, incluindo nos mais ricos”, sublinhou o PNUD, referindo que Estados “com alguns dos mais altos níveis de saúde, riqueza e educação mostram níveis mais elevados de ansiedade do que há 10 anos”.

O PNUD mede esta insegurança através do Índice de Desenvolvimento Humano, que manteve uma melhoria contínua desde que começou a ser elaborado, em 1994, até registar uma queda abrupta em 2019-2020, coincidindo com a pandemia de Covid-19.

Apesar de 2021 apresentar sinais de uma recuperação, o PNUD calcula que o índice perdeu, nos dois anos anteriores, as melhorias alcançadas entre 2014 e 2019.

“Embora o mundo desfrute de uma riqueza sem precedentes, a maioria das pessoas está preocupada com o futuro, sentimento que provavelmente foi exacerbado pela pandemia” de Covid-19, admitiu o administrador do PNUD, Achim Steiner, num comunicado hoje divulgado.

Além disso, sublinhou o responsável, existe uma estreita relação entre a perda de confiança e os sentimentos de insegurança.

“Pessoas com maior sentimento de insegurança têm três vezes menos probabilidades de confiar nos outros”, o que afeta as relações normais de convivência, de acordo com o responsável.

Para Steiner, a solução está em “prestar atenção aos sinais mostrados pelas sociedades que sofrem de muito ‘stress’ e redefinir o verdadeiro significado de progresso”.

Para o fazer, Achim Steiner defende a adoção de um modelo de desenvolvimento que se baseie na proteção e recuperação do planeta, com novas “oportunidades sustentáveis” para todos.

LUSA/HN

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