Estilo de vida saudável e adesão aos medicamentos diminuem mortalidade ligada à hipertensão

10 de Fevereiro 2022

A combinação de um estilo de vida saudável e a adesão aos medicamentos anti-hipertensivos está associada à diminuição do risco de mortalidade em doentes com hipertensão, segundo dados da “JAMA Network Open”.

A combinação de um estilo de vida saudável e a adesão aos medicamentos anti-hipertensivos está associada à diminuição do risco de mortalidade em doentes com hipertensão, segundo dados da “JAMA Network Open”.

“Até agora nenhuma investigação tinha estudado a associação conjunta do uso de medicamentos anti-hipertensivos, estilo de vida saudável e mortalidade entre indivíduos com hipertensão. Além disso, não estava claro se a melhoria no estilo de vida poderia trazer benefícios para a saúde de indivíduos com hipertensão arterial”, referiu Qi Lu e os seus colegas do departamento de Nutrição e Higiene Alimentar do “Hubei Key Laboratory of Food Nutrition and Safety”, em Wuhan, China. “Para preencher essas lacunas, fomos analisar prospetivamente a associação do uso de medicamentos anti-hipertensivos e o estilo de vida saudável, bem como as mudanças no estilo de vida, no risco de mortalidade por todas as causas entre adultos de meia-idade e idosos com hipertensão na China.”

Utilizando dados da coorte prospetiva “Dongfeng-Tongji” de funcionários da “Dongfeng Motor Corporation” na China, os investigadores avaliaram os fatores relacionados com o estilo de vida, incluindo IMC, tabagismo, alimentação, atividade física e duração do sono. Os fatores relacionados com o estilo de vida foram pontuados numa escala de 0 a 2, com uma pontuação maior indicando um estilo de vida mais saudável. A pontuação total de cada participante naqueles cinco fatores de estilo de vida foi categorizada como desfavorável (pontuação 0 a 4), intermédia (pontuação de 5 a 7) e favorável (pontuações 8 a 10). Foi ainda avaliado o uso de medicamentos anti-hipertensivos nas duas semanas anteriores.

A coorte incluiu 14.392 participantes com hipertensão (idade média, 66 anos; 51% homens). Os investigadores observaram que os indivíduos que tomavam medicamentos anti-hipertensivos e foram categorizados com um estilo de vida favorável apresentaram menor risco de mortalidade por todas as causas, mortalidade por doenças cardiovasculares e mortalidade por cancro, em comparação com aqueles que não usavam medicamentos anti-hipertensivos nem seguiam um estilo de vida favorável.

“A associação foi independente dos fatores de risco tradicionais, incluindo duração da hipertensão arterial, comorbilidades comuns, uso de medicamentos hipoglicémicos e de redução lipídica, biomarcadores metabólicos e stresse mental”, referiram os investigadores.

Além disso, os participantes que não tomavam medicamentos anti-hipertensivos mas adotaram um estilo de vida favorável, apresentaram menor risco de mortalidade por todas as causas, por doenças cardiovasculares e por cancro, em comparação com aqueles que não tomavam medicamentos e tinham um estilo de vida desfavorável. 

Os investigadores observaram que por cada aumento de 1 ponto no score de estilo de vida em participantes que não tomavam medicação anti-hiperpertensiva, o risco de mortalidade por todas as causas diminuiu 17%, o risco de mortalidade por doenças cardiovasculares (DCV) baixou 15% e o risco de mortalidade por cancro diminuiu 18%. Entre aqueles que tomavam medicamentos anti-hipertensivos, cada aumento de 1 ponto no score de estilo de vida foi associado a um risco 14% menor de mortalidade por todas as causas, 14% menor risco de mortalidade por DCV e 13% menor risco de mortalidade por cancro.

“Os indivíduos que usavam medicação anti-hiperpertensiva e seguiam um estilo de vida favorável tinham menor risco de mortalidade por todas as causas, DCV e cancro”, sublinharam os investigadores. “Houve associações lineares inversas entre score de estilo de vida e mortalidade, independentemente do uso de medicamentos anti-hipertensivos. Além disso, para os participantes com um estilo de vida desfavorável, não houve redução significativa do risco de mortalidade, mesmo que estivessem a fazer medicação anti-hiperpertensiva. Por outro lado, verificou-se que a melhoria no estilo de vida após o diagnóstico de hipertensão arterial esteve associada a um risco significativamente menor de morte subsequente. Do ponto de vista da saúde pública, a gestão da pressão arterial e a prevenção de complicações têm grandes benefícios sócio-económicos e de saúde”.

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Trabalhadores do Hospital de Braga não querem regressar à Parceria Público-Privada

Os trabalhadores do Hospital de Braga não querem regressar à Parceria Público-Privada (PPP), garante Camilo Ferreira, coordenador da Comissão de Trabalhadores, que recordou, em conversa com o HealthNews, a exaustão dos profissionais naquele modelo de gestão e, como Entidade Pública Empresarial (EPE), a melhoria das condições de trabalho e do desempenho.

Governo quer “articulação virtuosa” entre entidades de saúde

O Governo está a avaliar as atribuições de entidades como a Direção-Executiva do SNS, a DGS e o Infarmed para garantir “uma articulação virtuosa” que consiga diminuir a burocracia e concretizar as políticas de saúde, anunciou hoje a ministra.

Menopausa: Uma doença ou um processo natural de envelhecimento?

A menopausa foi o “elefante na sala” que a Médis trouxe hoje ao Tejo Edifício Ageas Tejo. O tema foi abordado numa conversa informal que juntou diversos especialistas. No debate, os participantes frisaram que a menopausa não é uma doença, mas sim um “ciclo de vida”. 

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights