31/10/2022 | Consultório

Piolhos, o que são esses bichinhos, como aparecem nas nossas cabeças?

Alia Ramazanova, médica especialista em cabelo

Os piolhos são pequenos insetos sem asas que se alimentam de sangue humano (hematófagos). Transmitem-se facilmente de pessoa para pessoa por meio de contato próximo e partilha de pertences.

Existem 3 diferentes tipos de piolhos: Pediculus humanus var. capitis – afetam o couro cabeludo; P. humanus var. corporis – infestações no corpo e Phthirus pubis – afetação da zona púbica. Os 3 tipos de piolho diferem substancialmente quanto à morfologia (tamanho e forma) e características clínicas (sintomas que produzem).

Os piolhos são insetos hematófagos, pelo que se alimentam de sangue humano. Geralmente não podem sobreviver mais do que 1 a 2 dias sem se alimentar de sangue.

O piolho feminino produz uma substância pegajosa que adere firmemente cada lêndea ou ovo à base da haste do cabelo. As lêndeas eclodem em 6 a 9 dias. Ficam aderidos no cabelo a uns 4 a 6 mm da raiz do mesmo.

O piolho transforma-se num piolho adulto em aproximadamente 9 a 12 dias, que tem a capacidade de reprodução e pôr ovos (até 10 por dia).

Este ciclo pode repetir-se a cada 3 semanas.

Podem passar entre duas a três semanas, ou às vezes mais, até sentir a comichão intensa, tão característica de esta infestação.

Acabar com os piolhos

Existem produtos de venda nas farmácias com capacidade de matar os piolhos, como por exemplo loções e shampoos com Permetrina,  Malatião, lindano e Ivermectina. Todos eles bastante irritantes para o couro cabeludo, pelo que é importante seguir rigorosamente as recomendações de utilização indicadas pelos fabricantes e ter especial atenção aos couro cabeludos de crianças pequenas.

Em casos de infestações resistentes ao tratamento tópico, é possível fazer tratamento com Ivermectina oral.

Qualquer um dos tratamentos descritos anteriormente deve ser acompanhado de eliminação manual de piolhos e lêndeas com um pente fino e deve ser repetido semanalmente para eliminar possíveis lêndeas e piolhos antes de iniciarem o ciclo reprodutivo.

Há controvérsias e em torno da necessidade de limpar os objetos pessoais das pessoas com piolhos ou lêndeas e de impedir as crianças de frequentar escolas; não há dados de suporte a essa abordagem. Habitualmente recomenda-se a substituição de itens pessoais como toalhas e lençóis ou limpeza completa, seguido por secagem a 54° C durante 30 minutos (Os piolhos e lêndeas não resistem ao calor). Os itens que não podem ser lavados podem ser colocados em sacos plásticos hermeticamente fechados por 2 semanas para matar os piolhos, que vivem apenas cerca de 10 dias.

Alguns produtos vendidos sem prescrição médica, afirmam repelir os piolhos, mas são necessárias mais pesquisas para provar sua segurança e eficácia.

Muitos estudos mostraram que os ingredientes de alguns desses produtos – principalmente óleos vegetais, como coco, alecrim e árvore do chá – podem ser úteis para repelir piolhos. No entanto, estes produtos são classificados de “naturais”, o que significa que não são regulamentados pela Infarmed ou Food and Drug Administration (FDA). A sua segurança e eficácia não foram demonstradas.

A melhor abordagem é tomar medidas rigorosas para eliminar os piolhos e as lêndeas numa fase inicial da infestação e fazer uma inspeção direta periódica da cabeça das crianças.

O contágio apenas é possível se houver contacto direto com os piolhos ou as lêndeas (Ovos). Os piolhos não têm a capacidade de saltar ou voar, pelo que o contágio só é possível:

  1. Contato corporal ou entre cabeças. Isso pode acontecer quando crianças ou membros da família brincam e interagem perto uns dos outros (forma de contágio mais frequente nas creches e escolas)
  2. Roupas e outros pertences guardados nas proximidades de objetos infestados, como peluches, fronhas, pentes e mantas, por exemplo.
  3. Objetos partilhados entre amigos e familiares. Podem ser roupas, escovas, pentes, acessórios de cabelo, toalhas, cobertores, fronhas ou brinquedos de peluche.
  4. Contato com móveis que tenham piolhos. Deitar em uma cama ou sentar em móveis macios e cobertos de pano que acabaram de ser usados por uma pessoa com piolhos pode aumentar a probabilidade de uma infestação. Os piolhos podem viver entre 1 a 2 dias sem entrar em contato com o corpo.
  5. Contato sexual.  Os piolhos da região púbica geralmente são transmitidos por contato sexual e afetam, de forma mais frequente, a adultos.

Os piolhos do couro cabeludo não causam nenhuma doença, apenas os efeitos secundários da infestação como o prurido intenso (comichão) e possível infecção bacteriana secundária da zona, no entanto os Piolhos do corpo são vetores importantes de Febre Recurrente, Febre das Trincheiras e Epidemia de Tifo.

Não há associação do piolho do couro cabeludo ou da zona púbica com a falta de higiene ou baixo status socioeconômico, ao contrário do que se considera no caso da infestação dos piolhos do corpo.

Sendo que as medidas preventivas muito difíceis de controlar e implementar, como por exemplo minimizar o contacto de crianças nas escolas, e não existam no mercado produtos comprovados cientificamente para este fim, a recomendação é de fazer uma vigilância ativa e iniciar o tratamento de forma atempada para prevenir infestações mais graves.

 

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