“A telemedicina foi e continua a ser o caminho para cobertura universal da saúde e recomenda-se vivamente”, afirmou a ministra Filomena Gonçalves ao intervir na abertura do Encontro Regional de Telemedicina, na Praia, promovido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para demonstrar o sucesso do programa cabo-verdiano.
“Proclamamos com toda veemência que a telemedicina em Cabo Verde é uma aposta ganhadora para o Sistema Nacional de Saúde. Ora, todas as ilhas têm pelo menos um ponto da telemedicina. Destas ilhas, três dispõem de dois pontos de telemedicina. A telemedicina tem sido um recurso incontornável para o alcance da cobertura universal, pelo que foram mobilizados mais fundos para melhorar as condições em que é aplicada através da cooperação japonesa, Banco Mundial e outros parceiros de desenvolvimento do nosso país”, acrescentou.
Contudo, Filomena Gonçalves admitiu que o programa de Telemedicina de Cabo Verde, estabelecido em 2012, apresenta alguns “constrangimentos” na sua aplicação, “nomeadamente o desafio para o país caminhar na via da implementação dos cuidados universais da saúde”, mas também ao nível da “melhoria do acesso aos cuidados, reforço da implementação das Tecnologias da Informação e Comunicação [TIC] no sistema de saúde nos cuidados primários e hospitalares”, bem como com “investimentos em recursos humanos e equipamentos”.
“Está-se a trabalhar de forma árdua para os ultrapassar nos próximos anos, tendo em vista a sua potencialização e consolidação. Ora, o Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário para o período 2022-2026 prevê a continuação de investimento na melhoria das condições para que estes constrangimentos sejam ultrapassados. E propõe ainda a elaboração de um Plano Estratégico Nacional de Saúde Digital, que irá abarcar outras valências para além da telemedicina, tirando vantagens do uso cada vez mais expressivo de tecnologias digitais pelas populações”, apontou a ministra.
“Afirmamos de forma categórica que até hoje a aplicação da telemedicina no nosso país permitiu uma melhor interação na oferta de cuidados em benefício dos utentes e dos serviços entre os níveis de cuidados primários, secundários e terciários”, acrescentou, destacando o seu recurso nos dois primeiros anos da pandemia de covid-19.
“O programa de telemedicina foi utilizado durante a pandemia para discussão de casos, formações dos profissionais, partilhas e discussões de protocolos clínicos e análise de dados, e deixou bem claro haver necessidade de se continuar a investir na saúde digital”, disse ainda.
Segundo a governante, o evento que arrancou hoje na Praia, visando a partilha de experiências e conhecimentos dos países africanos sobre os sucessos e desafios da implementação da telemedicina com 80 participantes de 15 países, realiza-se em Cabo Verde precisamente pelo “sucesso” da implementação do modelo cabo-verdiano, tido “como referência”, mas é também “uma oportunidade” para, dentro dos parâmetros do OMS, melhorar o sistema e “calibrar onde é preciso”.
“Nós sabemos, sim, que existem constrangimentos, o Governo já está a trabalhar no âmbito da cooperação com o Japão já estamos a substituir as viaturas da telemedicina e alguns equipamentos que também têm tido problemas, mas é natural, é a utilização das máquinas”, reconheceu.
O programa de Telemedicina de Cabo Verde pretende “melhorar o acesso aos cuidados especializados para a população das ilhas”, estando baseado em cinco pilares principais, desde logo a capacitação de recursos humanos à distância, desenvolvimento de rede e implementação de equipamentos das TIC na saúde, mas também a implementação da telemedicina clínica, com consultas de especialidades, e de atividades relacionadas à educação médica continuada.
“Uma das razões pelas quais este evento está a ser realizada em Cabo Verde é para reconhecer o trabalho significativo que tem sido feito aqui para fazer avançar a telemedicina e para poder partilhar esta experiência com outros países africanos. A pandemia de covid-19 sublinhou a necessidade de sistemas de saúde resilientes, impulsionados por tecnologias de saúde digital robustas. Estas ferramentas de saúde digital e programas de capacitação podem melhorar os sistemas de saúde dos países da região africana, aproximando os cuidados de saúde ao cidadão, seguindo assim o nosso caminho em prol da cobertura universal da saúde”, defendeu o representante da OMS em Cabo Verde, Daniel Kertész.
Destacou igualmente o “potencial excecional” da telemedicina para “reforçar os cuidados de saúde e o seu acesso”, como tem sido feito por Cabo Verde, e incluindo meios de diagnóstico e dados clínicos: “A adoção digital da saúde digital, incluindo a telemedicina, apresenta numerosas oportunidades para melhorar e transformar os cuidados de saúde, incluindo a redução dos erros humanos, a melhoria dos resultados clínicos, a facilitação da coordenação da prestação de cuidados de saúde, a melhoria da eficiência das práticas clínicas e monitorização de dados ao longo do tempo. A sensibilização e a comunicação contínuas sobre as tecnologias digitais e os seus benefícios relacionados são fundamentais”.
O Governo do Japão está a financiar com quase 2,3 milhões de euros o reforço e alargamento do Programa Nacional de Telemedicina no arquipélago de Cabo Verde, conforme acordo assinado em setembro de 2021.
Cabo Verde possuiu na altura um Serviço Nacional de Telemedicina e e-Saúde, que coordena todas as atividades de telemedicina no país, com 14 postos conectados entre si, e o objetivo deste programa com o Japão é consolidar e reforçar essa rede, adicionando mais 21 postos de telemedicina, e permitir que todos os centros de saúde possam fazer parte da rede nacional.
LUSA/HN
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