Michal Dekel destaca sucesso do uso compassivo de terapia fágica em doentes com pé diabético

Em entrevista ao HealthNews, Michal Dekel falou sobre o sucesso dos resultados do uso compassivo de bacteriófagos no tratamento de úlceras infetadas de pé diabético. A médica israelita explica que “o tratamento destas infeções é dificultado pela incapacidade de penetração dos antibióticos”, tendo a terapia fágica um papel determinante no quadro clínico dos doentes. “Os fagos têm a vantagem de poder ser aplicados topicamente, multiplicando-se onde as bactérias estão e nos locais onde são verdadeiramente necessários”, garante.

HealthNews(HN)- Consegue descrever em que condições chegaram ao seu hospital os pacientes com úlceras de pé diabético infetadas?

Michal Deckel (MD)- O primeiro paciente foi internado com bacteremia por Staphylococcus aureus que evoluiu para uma sépsis grave; a sua origem foi a infeção de uma úlcera de pé diabético, associada a celulite, abscesso profundo e osteomielite aguda do primeiro metatarso.

O segundo paciente tinha uma úlcera de pé diabético na área do tendão de Aquiles que se deteriorou devido à infeção por Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA). Após um ano de tratamentos com antimicrobianos, desbridamentos e enxertos de pele, a infeção acabou por se expandir, pelo que este paciente era candidato a amputação abaixo do joelho.

HN- Quando os pacientes atingem esse estadio da doença, terapia fágica é a última opção de tratamento eficaz?

MD- Relativamente ao primeiro paciente, o tratamento para a infeção dos tecidos moles incluiu desbridamento e tratamento com antibióticos, sendo esperado que o dano ósseo causado por esta infeção profunda e grave evoluísse para uma inevitável destruição óssea e articular. O segundo paciente estava associado a um histórico de tratamentos conservadores e limitados.

HN- A fagoterapia era sua última opção?

MD- Sim, especialmente para o segundo paciente.

HN- Por que razão achou que este produto poderia funcionar nestes doentes?

MD- O tratamento destas infeções é caracterizado pela incapacidade de penetração dos antibióticos, por um lado, devido à existência dos constrangimentos vasculares causados pela Diabetes, e por outro lado, pela formação de biofilme bacteriano na ferida. Os fagos têm a vantagem de poder ser aplicados topicamente, multiplicando-se onde as bactérias estão e nos locais onde são verdadeiramente necessários.

HN- O medicamento utilizado nos casos de uso compassivo foi bem tolerada pelos pacientes?

MD- Não foram detetados efeitos secundários.

HN- O que aconteceu aos pacientes?

MD- Ambos os pacientes melhoraram drasticamente.

HN- Como estão agora?

MD- Estão bem e continuam a ser acompanhados em ambulatório.

HN- Atendendo a estes casos qual a sua opinião sobre o produto TP-102?

MD- É um medicamento eficaz para infeções complicadas, nomeadamente com envolvimento de biofilme.

HN- Acredita que a fagoterapia pode ser uma solução para pacientes com úlceras de pé diabético infectadas?

MD-  Sim, para úlceras infetadas por bactérias que são suscetíveis aos bacteriófagos ativos disponíveis.

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