Libertação de inimputáveis devido à nova lei de saúde mental depende de decisão judicial

18 de Agosto 2023

A entrada em vigor da nova lei de saúde mental vai implicar a libertação de 46 inimputáveis, mas o fim destes internamentos depende dos tribunais, explicou hoje a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP).

“Com a entrada em vigor da nova Lei de Saúde Mental (…), no próximo dia 20 de agosto, cessarão as medidas de segurança de internamento que, à data, já tenham ultrapassado a duração máxima. De acordo com o levantamento elaborado pelos serviços de internamento, estima-se que 46 pessoas estejam nessa situação na data da entrada em vigor do diploma. A cessação da medida dependerá, contudo, de determinação judicial”, referiu a DGRSP num esclarecimento enviado à Lusa.

A DGRSP salientou ainda que a decisão sobre as medidas de internamento em instituição psiquiátrica prisional ou não prisional está a cargo dos tribunais e que “também a decisão de retorno à sociedade destes cidadãos é da competência dos tribunais”.

O organismo assegurou ainda estar “a trabalhar em articulação com as áreas da saúde mental e da segurança social para encontrar as soluções”, tanto em termos de saúde, como de respostas sociais, que sejam adequadas a cada caso individual, “privilegiando-se as soluções de natureza comunitária” e a necessidade de acompanhar a saúde destes cidadãos.

Segundo a DGRSP, estão internados em instituições psiquiátricas prisionais (Hospital Prisional de São João de Deus, em Caxias, e Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental anexa ao Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo – masculino) 228 inimputáveis. Em outras instituições de saúde mental não prisionais encontram-se 194 inimputáveis a cumprir a medida de segurança de internamento.

A Lusa questionou ainda a DGRSP sobre quantas comunicações dos tribunais sobre esta matéria tinha já recebido e aguarda resposta.

O caso foi hoje revelado pelo jornal Público, que deu conta da iminente libertação de pelo menos 41 inimputáveis por causa da entrada em vigor da nova lei de saúde mental, acrescentando que ainda não existiam soluções para todos os casos.

A alteração à lei de saúde mental foi aprovada pelo parlamento em 21 de julho e acabou com a renovação sucessiva (a cada dois anos) do internamento de doentes mentais com penas superiores a oito anos, que podia traduzir-se em internamentos sem fim.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

FNAM alerta: Decreto-Lei das urgências regionais ameaça cuidados de proximidade

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) denuncia que o Decreto-Lei recentemente publicado pelo governo de Montenegro, que trata da concentração das urgências regionais, representa um ataque aos cuidados de proximidade aos cidadãos e coloca em risco grávidas, recém-nascidos e utentes em todo o país.

Correia de Campos apela ao PS: votem em Gouveia e Melo

Num discurso inflamado em Oeiras, o antigo ministro socialista Correia de Campos apelou aos eleitores do PS para rejeitarem a disciplina partidária e votarem no candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo

CPAS mantém regime obrigatório e afasta hipótese de adesão à Segurança Social

A Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores não permitirá a transferência dos seus beneficiários para a Segurança Social. O presidente reeleito, Victor Alves Coelho, justificou que uma saída em massa poria em risco o pagamento das pensões atuais. Foram anunciadas novas medidas de flexibilidade contributiva

Cova da Beira reduz em 88% as cirurgias com espera superior a um ano

A Unidade Local de Saúde da Cova da Beira resolveu 96% das cirurgias pendentes do final de 2024 e reduziu em 88% o número de utentes que esperavam há mais de um ano por intervenção. A lista global de espera cirúrgica diminuiu 27% durante 2025, apesar do ingresso de mais de 2.300 novos casos.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights