Caminho do Governo na área da Saúde é de “desmantelar o SNS”, acusa Paulo Raimundo

9 de Outubro 2023

O secretário-geral do PCP acusou esta segunda-feira o Governo de seguir um caminho de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde e de encerramentos de unidades hospitalares.

Paulo Raimundo falava durante uma ação de contacto com utentes do Centro de Saúde da Quinta da Lomba, no Barreiro, no âmbito da campanha “Viver melhor na nossa terra” e durante a qual se deparou com uma longa fila de doentes para conseguir uma consulta.

A primeira pessoa da fila estava à porta do centro de saúde desde a meia-noite e meia para garantir uma das 49 vagas disponíveis para hoje.

“É chocante ver um senhor com quase 70 anos, de canadianas, chegar aqui à meia-noite e meia para ter uma consulta. Não vale a pena estar a fazer muitos mais comentários porque a imagem vale por si”, disse.

O secretário-geral do PCP afirmou que esta é uma das muitas situações que tem verificado no terreno nas várias visitas que fez, considerando que são exemplos de um caminho que está a ser feito pelo Governo de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde.

Questionado sobre o papel da direção executiva do SNS, Paulo Raimundo respondeu que se encaixa nos objetivos do Governo de desmantelar o SNS, “estando em grande vapor nesse objetivo”.

Todas as medidas chamadas de pontuais, das rotatividades das urgências, na verdade, defende o líder comunista, a intenção é manter como um padrão.

A resolução destes problemas, adiantou, passa pela valorização dos profissionais de saúde, respeitando-os e criando condições para poderem trabalhar.

“As coisas só não estão piores por causa deles. É preciso criar condições para que se fixem no Serviço Nacional de Saúde, de trabalho e financeiras”, disse adiantando que são eles que aguentam o SNS.

Questionado sobre as expectativas relativas ao Orçamento do Estado 2024, cuja proposta será entregue no Parlamento na terça-feira, Paulo Raimundo respondeu que o atual OE transportou recursos públicos para o privado da saúde e o caminho que tem sido feito indicia que o mesmo vai ser feito com o próximo orçamento.

“Não conhecemos o documento, mas tendo em conta as perspetivas que se avançam há uma coisa que podemos dizer é se for igual ao deste ano e tiver as mesmas opções então estamos perante a um orçamento que não responde às necessidades”, disse.

LUSA/HN

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